Mundo
19/12/2008 - 10h07

Milhares de jovens zimbabuanos fogem sem família para a África do Sul

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da Folha Online

A crise política, econômica e o surto de cólera no Zimbábue causou a fuga de milhares de famílias e jovens zimbabuanos para a África do Sul em busca de condições melhores e uma nova expectativa de vida.

Segundo organizações humanitárias, um quarto da população já deixou o país em busca de abrigo em solo estrangeiro. A ONU (Organização das Nações Unidas) e a "Save the Children", afirmam que houve um aumento preocupante no número de menores que fazem a arriscada viagem à África do Sul em busca de comida e trabalho.

Apenas em junho, dizem as instituições, citadas em reportagem da rede americana CNN, 175 crianças zimbabuanas atravessaram ilegalmente a fronteira. Em novembro, o número subiu para 1.016.

Philimon Bulawayo/Reuters
Crianças carregam água coletada de um riacho em Harare; muitas fogem para África do Sul
Crianças carregam água coletada de um riacho em Harare; muitas fogem para África do Sul

Alguns destes jovens desenham a suástica em seus braços como símbolo da resistência aos obstáculos impostos pela situação caótica no seu país natal. Este á o caso de Brian, 11, e seu amigo Temashi, 10, que passaram dois dias desenhando no braço o símbolo máximo do nazismo alemão com um fósforo.

"Os alemães nunca se entregam", explica Brian, que não vê no desenho os horrores do Holocausto e da morte de milhares de negros pelo arianismo de Adolph Hitler.

Brian explica ainda que o símbolo lhe dá força e o transforma em um homem que nunca desiste. Ele é um dos milhares de jovens zimbabuanos que fugiram do surto de cólera e do colapso econômica e agora estão sozinhos na vizinha África do Sul, cenário do Apartheid que diminuiu os negros por décadas.

Segundo organizações como a "Save the Children" e a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), ele é um dos milhares de "jovens desacompanhados" que chegam ao país de carona em caminhões, trens e taxis.

Segundo a representante da Unicef, Shantha Bloemen, citada pela CNN, muitas das garotas acabam se prostituindo ou trabalhando como empregadas domésticas.

Os garotos com mais de 16 anos ficam nas cidades de fronteira, dormindo nas ruas e passando o dia nas filas para conseguir asilo político. Um dos funcionários sul-africanos que cuida deste processo contou à CNN que muitos jovens mentem sua idade para conseguir o asilo e porque não tem documentos ou adultos responsáveis para conseguir da maneira legal.

Governo

A maioria das crianças deixam o Zimbábue na esperança de uma vida melhor e para fugir de escolas que não funcionam, fome e miséria. Muitas delas são órfãs e todas criticam o presidente Robert Mugabe, que está no poder desde 1980 e é responsabilizado pela crise econômica do país.

O surto de cólera já matou mais de mil pessoas no país, segundo dados da ONU, mas Mugabe afirmou recentemente que a cólera não é mais um problema.

Segundo Mugabe, que sofre pressão internacional para deixar o poder, os médicos controlaram o foco de cólera. "Estou feliz em dizer que nossos doutores receberam a ajuda de outros e da Organização Mundial da Saúde. Dessa forma, não há mais cólera", afirmou em um discurso exibido na televisão.

 

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