Mundo
19/12/2008 - 10h30

Líder da oposição ameaça abandonar negociações no Zimbábue

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da Folha Online

O líder da oposição zimbabuana, Morgan Tsvangirai, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), ameaçou nesta sexta-feira abandonar as negociações para a formação de um governo de coalizão se continuarem os seqüestros contra seus partidários.

"Mais de 42 membros [do MDC] foram seqüestrados. Isso não pode continuar assim", afirmou Tsvangirai em uma entrevista coletiva em Gaborone, capital de Botsuana.

AP
Líder da oposição Morgan Tsvangirai (esq.) ameaça abandonar negociações com ditador Robert Mugabe
Líder da oposição do Zimbábue Morgan Tsvangirai (esq.) ameaça abandonar negociações com ditador Robert Mugabe

"Se os seqüestros não pararem imediatamente e se todos os seqüestrados não forem libertados ou acusados judicialmente até 1º de janeiro de 2009, eu pedirei ao Conselho Nacional do MDC para passar uma resolução para suspender negociação e contato com o Zanu-PF", disse Tsvangirai, se referindo ao partido do ditador zimbabuano, Robert Mugabe, que está no poder desde 1980.

Vários membros do MDC desapareceram desde a assinatura, em 15 de setembro, de um acordo para a composição de um governo de coalizão entre Tsvangirai e Mugabe. O acordo, mediado pelo ex-presidente da África do Sul Thabo Mbeki, fracassou em acalmar a instabilidade política do Zimbábue já que os dois lados não conseguiram chegar a um consenso.

A definição do novo governo, no qual Tsvangirai assume como primeiro-ministro e Mugabe fica como presidente, depende das disputas pelos 31 postos ministeriais. O opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC) acusa Mugabe e seu partido, o ZANU-PF, de tentar arrebatar todos os principais cargos.

Tsvangirai derrotou Mugabe nas eleições presidenciais realizadas em 29 de março, mas por não ter obtido maioria absoluta dos votos foi realizado um segundo turno, em 27 de junho.

No entanto, uma semana antes da realização do mesmo, Tsvangirai se retirou das eleições por causa de ataques contra seus partidários por forças fiéis a Mugabe, que obteve mais de 80% dos votos.

Economia e cólera

O Zimbábue vive também uma crise econômica desde que Mugabe realizou, em 2000, uma reforma agrária que destruiu a indústria agropecuária do país. A inflação descontrolada causou o desabastecimento e os preços dos poucos produtos existentes nos supermercados podem mudar várias vezes em apenas um dia, o que, junto com a rápida desvalorização do dólar zimbabuano, obriga a população a tirar o dinheiro do banco e usá-lo antes que perca todo seu valor.

O cenário é agravado pelo surto de cólera que já matou 1.123 e afetou 20.896, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira pela ONU (Organização das Nações Unidas).

O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha, na sigla em inglês) disse em comunicado que os novos dados referiam-se até o dia 18 de dezembro. Na véspera, o órgão havia informado 1.111 mortes e 20.581 casos da doença.

A doença, que pode ser facilmente prevenida com condições sanitárias adequadas, é resultado do colapso do sistema sanitário e a saúde pública no país.

Com France Presse e Reuters

 

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