Lula pede a Obama que ouça oferta de Raúl sobre presos
SIMONE IGLESIAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse ontem surpreendido positivamente com a proposta apresentada pelo presidente cubano, Raúl Castro, de soltar os mais de 200 presos políticos da ilha em troca da libertação, pelos EUA, de cinco cubanos condenados na Flórida por espionagem.
"Espero que Obama tenha ouvido isso", disse Lula durante café da manhã com jornalistas. "Foi uma novidade", acrescentou, afirmando que isso representa um "passo positivo" em direção a um possível diálogo entre os dois países.
Em visita a Brasília na quinta, Raúl sinalizou que pode aceitar um entendimento desde que haja contrapartida da Casa Branca. Os cinco cubanos presos nos EUA são considerados heróis pelo regime.
Quanto à Venezuela, outro país que tem relações tensas com os EUA, Lula afirmou ter conversado com o presidente Hugo Chávez na Costa do Sauípe, no começo da semana. O venezuelano teria dito que está disposto a reatar com os americanos, mas mediante algumas condições, não detalhadas pelo presidente brasileiro.
Equador e Paraguai
No café com os jornalistas, Lula aproveitou para falar das relações com Paraguai e Equador, que se tornaram delicadas a partir da decisão do presidente Rafael Correa (Equador) de suspender pagamento de uma dívida com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e do presidente Fernando Lugo (Paraguai), de querer revisão da dívida de seu país com o Brasil.
Segundo Lula, o Brasil não pode se "estressar" com os vizinhos e precisa ter "paciência". "O Brasil tem de ser generoso com os mais frágeis, não pode ter estresse com os vizinhos. Tem de ser forte com quem está no mesmo nível. Não pode politizar um debate."
Lugo disse que pretende multiplicar por quase nove a renda que obtém com a venda da parte que lhe cabe da energia gerada por Itaipu, compartilhada com o Brasil. Para Lula, cada país tem sua tese, mas a do Brasil seria a "certa".
No caso do Equador, Lula disse "estar convencido de que o Brasil está certo", e que o BNDES "é inocente" no caso do empréstimo concedido ao país para a construção de hidrelétrica pela Odebrecht. Correa expulsou a empresa do Equador e levantou suspeitas sobre a legalidade da dívida de US$ 243 milhões com o BNDES.
O banco informou ontem que escolheu o escritório L. O. Baptista Advogados Associados, especializado em arbitragens internacionais, para representá-lo na disputa com o Equador.
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