Hamas exige fim de bloqueio a Gaza para renovar trégua com Israel
da Folha Online
O líder mais influente do Hamas na faixa de Gaza, Mahmud Zahar, disse nesta terça-feira à agência de notícias France Presse que a organização admite renovar trégua com Israel que expirou na sexta-feira passada (19) se o Estado se comprometer a suspender o bloqueio que é imposto ao território palestino desde junho do ano passado e que provoca falta de comida e medicamentos a milhares de pessoas.
"Pedimos a Israel que respeite as condições da trégua e concretize seus compromissos, especialmente que interrompa as agressões e abra as passagens", afirmou Zahar.
| Ibraheem Abu Mustafa/Reuters |
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| Militante da Jihad Islâmica recebe instruções no sul da faixa de Gaza durante cessar-fogo feito para prestar ajuda à população |
O pedido para que Israel suspenda o bloqueio a Gaza em troca de paz ecoou em Damasco, onde vive, em exílio, o líder do Hamas Jaled Mechaal. "O inimigo sionista, que não respeitou as condições da trégua, é o responsável pela não-renovação", afirmou Mechaal à TV Russia Today. "Não houve o fim das agressões e o bloqueio ainda foi reforçado."
No começo de novembro passado, tanto israelenses quanto palestinos romperam os termos da trégua --os primeiros fizeram ações militares na faixa de Gaza, e os segundos dispararam diversos foguetes contra o sul de Israel.
Desde o fim oficial da trégua, os dois lados têm trocado ataques. Nesta segunda-feira, houve um cessar-fogo de 24 horas para que ajuda humanitária chegasse a Gaza, por meio do Egito. Conforme as agências de notícias, nesta terça-feira, o clima é pacífico e, desde a chegada da ajuda, os palestinos de Gaza não dispararam nenhum foguete.
Nesta quinta-feira (25), a chanceler israelense, Tzipi Livni, irá ao Cairo falar com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, sobre a possível renovação da trégua com o Hamas.
Bloqueio
O bloqueio de Israel a Gaza começou quando o Hamas expulsou do território o Fatah, ao qual pertence o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, que governa a Cisjordânia. O Hamas, que conquistou maioria parlamentar nas eleições palestinas de 2006, não reconhece a existência de Israel e não participa do processo de paz entre Israel e ANP.
Graças à mediação do Egito, o Hamas e Israel passaram seis meses em trégua. O acordo, porém, expirou na sexta-feira passada (19), e o Hamas se recusou a renová-lo.
Com Efe, France Presse e Associated Press
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