Ofensiva de Israel em Gaza afasta chances de Obama de obter paz
da Folha Online
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, interrompeu as férias no Havaí, de acordo com seus assessores, para receber informações sobre a grande ofensiva que Israel iniciou na faixa de Gaza neste sábado (27) que já matou cerca de 270 pessoas. Por telefone, ele conversou durante oito minutos --segundo o jornal "New York Times"-- com a secretária de Estado, Condoleezza Rice.
Para o jornal "Washington Post", a provável escalada de violência pela qual passará o Oriente Médio sabota as esperanças de que, sob o governo Obama, fosse possível um acordo de paz entre israelenses e palestinos.
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O professor de Oriente Médio do Centro Internacional Acadêmico Woodrow Wilson afirmou ao "WP" que só a provável retaliação do Hamas, provocada pelo alto número de mortes, "já pega a pequena chance de uma rápida, efetiva e bem-sucedida ação de Obama e a diminui para zero". "Isso não é um acordo de dois ou três dias no qual, ao final, o gênio volta para dentro da sua garrafa."
No verão passado, em visita a Israel, Obama demonstrou simpatia com a situação de Israel e, em entrevista concedida em Sderot, uma cidade do sul do Estado que é alvo constante de ataques a mísseis do Hamas, afirmou acreditar que "nenhum país consideraria aceitável ter mísseis caindo sobre as cabeças de seus cidadãos".
"Se alguém lançasse foguetes contra a casa onde minhas duas filhas dormem à noite, eu faria o que estivesse ao meu alcance para impedir", afirmou Obama, à época.
De acordo com Israel, a operação é uma resposta aos supostamente freqüentes ataques de foguetes e morteiros feitos pelo grupo radical islâmico Hamas contra aquele Estado desde o fim, no último dia 19, de uma trégua de seis meses entre ambas as partes. Naquela ocasião, o Hamas se recusou a renovar a trégua com Israel devido à manutenção do bloqueio a Gaza.
Neste sábado, a equipe de transição de Obama foi mais cautelosa e afirmou apenas que o presidente eleito foi informado da situação e que há "um presidente de cada vez" --Obama tomará posse apenas em 20 de janeiro próximo.
"Se a situação piorar, será mais uma crise a ser entregue para Obama, que já irá herdar as guerras no Iraque e no Afeganistão e a instável relação com o Paquistão", observa o "WP".
"Eu acho que o governo Obama terá de lidar com essa situação por dois anos ou mais antes de pensar em qualquer movimento pela paz", disse o analista militar Anthony H. Cordesman, do Centro de Estudos Internacionais Estratégicos. "Toda vez que a violência explode, fica um pouco mais difícil avançar. Há um clima maior de hostilidade e de ódio."
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