Mundo
29/12/2008 - 00h02

Israel mantém ataques aéreos a Gaza; Hizbollah pede apoio do Egito

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da Folha Online

Os ataques de Israel à faixa de Gaza devem continuar nesta segunda-feira. Por volta da 0h desta segunda-feira (20h de domingo pelo horário de Brasília), aviões de guerra israelenses bombardearam a Universidade Islâmica, que é considerada um reduto e símbolo cultural do grupo radical islâmico Hamas. No fim da noite de domingo foram atacados ainda um prédio da cidade de Gaza e um acampamento de refugiados de Jebalia.

Os ataques são o último episódio da grande ofensiva que Israel lançou contra a faixa de Gaza neste sábado (27) e que já matou mais de 270 pessoas. De acordo com a agência de notícias Reuters, o número de mortos já chega a 298 e, segundo a agência France Presse, passa de 300. Trata-se da pior ofensiva realizada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

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Neste sábado, as autoridades de Israel afirmaram que a operação em Gaza não tem data para acabar e que poderá ser intensificada, dependendo da evolução do conflito. Israel afirma que a ofensiva é uma resposta ao lançamento de foguetes por parte do grupo radical islâmico Hamas contra o sul do Estado. Segundo Israel, os ataques do Hamas se tornaram freqüentes desde o último dia 19, quando acabou uma trégua de seis meses entre ambas as partes.

Na ocasião da expiração da trégua, o Hamas se recusou a renová-la por julgar que Israel não cumprira com seus compromissos de cessar ataques e de reabrir a fronteira com Gaza.

De acordo com a Força Aérea de Israel, na ofensiva já foram atacados 230 alvos do Hamas, entre edifícios, arsenais e zonas de lançamento de foguetes. Neste domingo, Israel reforçou as tropas posicionadas na fronteira com Gaza e aprovou a convocação de 6.500 reservistas ao trabalho, o que indica que deverá haver ataques por terra, em breve.

Neste domingo, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum, acusou Israel de "cometer Holocausto aos olhos do mundo inteiro, que não mexeu um único dedo para evitar a ofensiva" e disse que o grupo "se reserva o direito de responder a essa agressão com operações de mártires", ou seja, atentados suicidas.

O ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmed Abul Gheit, declarou que o país tentará negociar um cessar-fogo entre Israel e Hamas.

Yannis Behrakis/Reuters
Tanque israelense posicionado na fronteira com a porção norte da faixa de Gaza, onde Estado realiza ofensiva
Tanque israelense posicionado na fronteira com a porção norte da faixa de Gaza, onde Estado realiza ofensiva

Hizbollah

O líder do grupo xiita libanês Hizbollah, xeque Hassan Nasrallah, pediu neste domingo, em um pronunciamento realizado por videoconferência a milhares de pessoas, no sul de Beirute, que o governo do Egito abra a fronteira com Gaza. Ele convocou os egípcios a abrirem a fronteira com as próprias mãos, se o governo rejeitar o pedido.

Para ele, com a fronteira aberta, a "resistência palestina" será capaz de enfrentar os ataques de Israel como o Hizbollah fez, durante 34 dias, em 2006, frustrando uma ofensiva israelense. "Se Gaza resistir dias ou semanas, o ataque cessará, porque o inimigo não suportará muito tempo uma guerra."

Segundo Israel, desde o início da ofensiva, o Hamas lançou 110 foguetes com direção àquele Estado, matando uma mulher e ferindo outras quatro pessoas. Os foguetes atingiram regiões às quais nunca tinham chegado, como a cidade portuária de Ashdod.

População

Neste domingo, a organização humanitária britânica Oxfam advertiu que o ataque israelense pode deflagrar uma crise humanitária em Gaza. "Centenas de milhares de pessoas em Gaza dependem da Oxfam e de outras organizações internacionais para receber seus produtos de sobrevivência básica, como água potável e comida", disse John Prideaux-Brune, responsável pela Oxfam em Jerusalém.

O enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Oriente Médio, Robert Serry, disse à agência de notícias France Presse que Israel permitiu, ainda neste domingo, a passagem de 21 caminhões com utensílios médicos e grãos para a população de 1,5 milhão de pessoas do empobrecido território palestino.

Para a Anistia Internacional (AI), os ataques são ilegais, porque há "uso desproporcional da força por parte de Israel". "A escalada da violência ocorre em um momento no qual o povo enfrenta uma luta diária pela sobrevivência devido ao bloqueio israelense, que impediu até a entrada de comida e remédios em Gaza", divulgou a organização.

Cerca de 40 túneis entre Gaza e Egito usados pela população para contrabandear produtos foram destruídos neste domingo.

Nesta segunda-feira, Israel promete permitir a ida de cem caminhões de ajuda humanitária a Gaza por meio das passagens Karni, Nahal Oz e Kerem Shalom. Nas cargas, enviadas por Turquia, Jordânia e diversas ONGs internacionais, há bolsas de sangue, alimentos básicos, equipamentos médicos, dez ambulâncias e combustível.

Outra importante organização internacional, a Cruz Vermelha, alertou sobre a lotação dos hospitais de Gaza, incapazes de lidar com tantas vítimas. Por toda Gaza, famílias colocam tradicionais tendas de velório nas portas de suas casas --as cadeiras, porém, ficam vazias porque as pessoas estão escondidas, temendo novos bombardeios.

Comentários dos leitores
Como certa vez alguém disse e é verdade :
" A unanimidade é burra "
sem opinião
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eduardo de souza (487) 27/11/2009 09h44
eduardo de souza (487) 27/11/2009 09h44
De todas as nações existentes, de todas as etnias existentes somente duas é que estão corretas, e todos que pensarem diferente são ANTI-(xxxx). Daí-me paciência... rs. sem opinião
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alexandre bakunin (124) 25/11/2009 12h07
alexandre bakunin (124) 25/11/2009 12h07
Santos Júnior (303) 24/11/2009 23h25
Caro Santos Júnior,
Primeiro gostar dizer que aprecio muito suas pautas.
Quando a Wikipédia, em que pese as imperfeições, sou fã dela.
Cite umazinha só fonte de informação que seja despolarizada. Nem digo "imparcial" por que é um conceito relativo, assim como é o conceito de "honestinade". Ninguém pode ser absolutamente honesto com relação a alguém ao algum Estado.
sem opinião
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