Mundo
29/12/2008 - 08h56

Raúl Castro exorta Cuba a "ajustar sonhos à realidade"

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da Folha de S. Paulo

A cinco dias do cinqüentenário da Revolução em Cuba, o dirigente da ilha, Raúl Castro, exortou o país a "adequar os sonhos à realidade" em discurso na última sessão da Assembléia Nacional no ano. O pedido é uma alusão às dificuldades por que passa a ilha em meio à crise global e aos prejuízos causados pelos furacões que a atingiram em 2008.

O evento do sábado (27) foi o primeiro do tipo para Raúl, 77, após sua oficialização como sucessor do irmão mais velho. Fidel Castro renunciara em fevereiro após um ano e meio afastado por problemas de saúde.

No discurso, Raúl disse que em 2009 será preciso "apertar o cinto" dos gastos públicos e que os serviços gratuitos não indispensáveis serão progressivamente eliminados. Nessa linha, anunciou a criação de um órgão de controle diretamente ligado a ele para supervisionar os gastos públicos do país.

Ao lado do assento vazio destinado a Fidel, o líder máximo cubano justificou o fato de ter relegado os planos de reforma do Estado, anunciados como prioridade quando de sua posse, com o surgimento de "outras prioridades". Alertou ainda para a necessidade de o país estar preparado para as conseqüências da crise, "que já nos afeta de maneira significativa".

Raúl voltou a referir-se à reforma trabalhista que pretende realizar em janeiro, a qual revê o conceito do igualitarismo salarial. A idéia é implementar princípios de meritocracia nos pagamentos. Na mesma sessão, o Parlamento aprovou o aumento em cinco anos da idade mínima para a aposentadoria.

Os ministros da área econômica previram um crescimento do Produto Interno Bruto da ordem de 6% para 2009, contra os 4,3% estimados para este ano. O governo pretende ainda reduzir o déficit fiscal da ilha de 6,7% do PIB para 5,6% --o equivalente a cerca de US$ 3,8 bilhões. O PIB de Cuba gira em torno de US$ 45,5 bilhões.

Sobre as relações exteriores, o mandatário exaltou o que considera frutos de uma política firme, como o recente ingresso no Grupo do Rio, patrocinado pelo Brasil, e pediu "otimização" do comércio. Embora não citada, a eleição de Barack Obama nos EUA gerou expectativas quanto a negociações.

Outras medidas anunciadas por Raúl foram o corte em 50% das viagens oficiais ao exterior e a eliminação de um subsídio de até US$ 60 milhões a férias de funcionários. Ele estimou que serão precisos de três a seis anos para Cuba se recuperar de três furacões, que geraram prejuízos de US$ 10 bilhões.

 

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