Mundo
29/12/2008 - 09h03

Palestinos buscam abrigo no Egito após ataques e bloqueio israelenses

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da Folha de S. Paulo

Moradores de Gaza romperam, neste domingo (28), cercas que marcam a fronteira do território com o Egito na tentativa de fugir do bloqueio imposto por Israel e da grande ofensiva militar lançada pelos israelenses na faixa de Gaza.

A grande ofensiva militar que Israel lançou contra a faixa de Gaza começou no sábado (27) e já matou mais de 270 pessoas. Os ataques visam responder ao grupo radical islâmico Hamas, que, segundo Israel, violou a trégua de seis meses que acabou oficialmente no último dia 19.

Policiais egípcios, então, abriram fogo para dissuadi-los de atravessar e, segundo testemunhas, vários palestinos ficaram feridos. Apesar disso, por volta de dez pessoas conseguiram escalar as barricadas e passar para o lado egípcio, em Rafah.

Os palestinos utilizaram escavadeiras para tentar abrir brechas em outros pontos. Pelo menos 300 guardas foram deslocados para reforçar o contingente ao longo dos 14 km de fronteira, informou um oficial ao jornal "Haaretz".

A situação é grave também nos hospitais, onde dezenas de pais procuravam seus filhos, como relatou um jornalista da BBC morador de Gaza. No hospital de Shifa, em Gaza, os pacientes em situação considerada menos urgente recebiam alta para liberar leitos.

O território se transformou em uma gigante procissão fúnebre que reuniu dezenas de milhares de palestinos, do norte ao sul do território.

Só no bairro de Shiekh Radwan, ao norte da cidade de Gaza, 43 pessoas morreram, a maioria de jovens que haviam acabado de entrar para a polícia civil, quando aconteceu a ofensiva israelense durante a cerimônia de ingresso. Centros de detenção ficaram desertos.

Em Rafah, toda a família de Tawfik Jaber, comandante da polícia de Gaza, cercava seu corpo envolto em uma bandeira palestina. Perto dali, no estádio municipal da cidade, milhares de pessoas velavam 15 corpos estendidos no gramado.

"Não há eletricidade, ou gás, ou farinha, ou pão praticamente toda a semana", disse a professora Umm Salah. Depois dos ataques, entidades de ajuda humanitária, como a UNRWA, da ONU, ainda não tinham conseguido entregar suprimentos.

Neste domingo (28), porém, o Egito enviou alimentos e remédios para Gaza por meio de dez caminhões do Crescente Vermelho, segundo a agência de notícias egípcia Mena.

Efeitos do bloqueio

As conseqüências dos intensos bombardeios aumentam no contexto de isolamento que se encontra a faixa de Gaza. A fronteira com o Egito está fechada e só se permitem passagens esporádicas de ajuda humanitária, como as de domingo (28).

No final de janeiro, os palestinos já haviam impedido o bloqueio da passagem para o Egito, quando o grupo islâmico rompeu as cercas e o muro de fronteira para que moradores pudessem buscar suprimentos.

Já a travessia para o território israelense está bloqueada desde 5 de novembro, quando começou um cerco de Israel ao território palestino, onde vivem 1,5 milhão de pessoas, em 362 km¦.

Em comunicado, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse estar "extremadamente preocupado" com o aumento de vítimas em Gaza e advertiu que o conflito sobrecarrega os hospitais da região.

Segundo a ONG Oxfam, em média, menos de 5 caminhões com suprimentos entraram por dia em Gaza em novembro, contra 123 em outubro e 564 em dezembro de 2005.

A agência humanitária da ONU para a palestina (UNRWA) fornece os alimentos necessários para 750 mil pessoas do território. Mas, para entregar essa quantidade, precisam de 15 caminhões diários.

A WFP (World Food Programme), outra entidade humanitária que atua na região, conseguiu enviar apenas 35 dos 190 caminhões que estavam planejados para atender aos palestinos de Gaza até fevereiro de 2009.

O fornecimento de energia também é comprometido pelo bloqueio. Apenas 18% do diesel que Israel é obrigado a permitir entrar semanalmente foi transportado na última semana de novembro.

O isolamento de Gaza também é econômico-financeiro. O Banco Mundial alertou que o sistema bancário de Gaza pode entrar em colapso caso as restrições permanecerem. A verba destinada a programas de geração de emprego foi cortada e, em 19 de novembro, a UNRWA suspendeu o programa de renda mínima para os mais pobres.

A maioria da população do território tem baixa renda e, oficialmente, a taxa de desemprego é de 49,1%.

Comentários dos leitores
Marcello Sokal (93) 01/12/2009 16h49
Marcello Sokal (93) 01/12/2009 16h49
Vamos ver o que vai acontecer agora, mais uma vez fazem propostas para ganhar tempo,sabendo que não as poderão - e nem tem intenção - de cumprir. Esse congelamento não passa de outra farsa,para tentar enganar os incautos e mostar que são "bonzinhos", como se não fossem eles que tomam terras de outras pessoas na base dos tratores,tanques de 60 toneladas e soldados fortemente armados - normalmente no meio da noite,pois assim fica mais fácil de expulsar as pessoas e tornar seus atos menos visiveis - assim como agem os criminosos comuns,sorrateiros,no meio da madrugada....lamentável,mas instrutivo para que as pessoas saibam dos reais fatos... sem opinião
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samuel kosminsky (84) 29/11/2009 17h29
samuel kosminsky (84) 29/11/2009 17h29
gostaria de corrigir opiniao anterior, dizendo que, nao sao 2 naçoes e sim 3 (Ira, Coreia, Cuba) onde, quem pensa diferente e anti social, sendo encaminhado a hospital psiquiatrico
adoro aqueles que adoram governantes desses paises
sem opinião
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mauro guanandi (46) 28/11/2009 10h40
mauro guanandi (46) 28/11/2009 10h40
Senhor Eduardo, porque colocas tantos "rs" após cada colocação ?
O senhor acha graça nas coisas que escreve?
O senhor escreve falÇo com cedilha.
Eu não acho engraçado isto. Eu acho triste. Isto se aprende no pré-primário; aos seis anos. Porque o senhor não entra nos foruns de portugues?
O senhor acha graça nos discursos de Lula? encontra sabedoria no que ele fala?
Eu fico triste cada vez que vejo o presidente de meu país - GRAÇAS A DEUS ESTÁ ACABANDO O GOVERNO DESTA TURMA - falar alguma asneira do tipo...a ligação das torres de "energias" estão ligadas pois estão interligadas.
Isto não é engraçado nem um pouco.
Relaxa e goza quando tem apagão em aeroporto também não é nada engraçado. também não vejo graça no ministro LOBÂO falar que o assunto está encerrado; não vejo graça na peruca feia dele; Não vejo graça em ver o Sarney e o lula abraçados com o Collor.
Outro dia vi o programa "A praça é nossa". popularesco, simplório. MAS MUITO ENGRAÇADO E INOFENSIVO. Não acrescenta cultura nenhuma, MAS ELES NÃO USAM NOSSOS IMPOSTOS PARA FALAR OU FAZER ASNEIRAS.
2 opiniões
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