Presidente da Somália renuncia em meio a crise
Colaboração para a Folha Online
O presidente da Somália, Abdullahi Yusuf Ahmed, renunciou ao cargo nesta segunda-feira por não ter conseguido garantir a paz na Somália, em meio a uma crise política que paralisou as instituições do país, que se encontra no pior ciclo de violência desde o início da guerra civil em 1991.
"Havia prometido deixar o poder se não conseguisse garantir a paz, a estabilidade e a democracia à Somália", declarou o presidente somali em discurso ante os parlamentares em Baidoa, sede do Parlamento de transição, 250 km ao noroeste da capital, Mogadíscio.
| 16.dez.2008/Sayyid Azim/AP |
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| Presidente da Somália, Abdullahi Yusuf, que renunciou nesta segunda-feira por não ter conseguido manter a paz no país |
"Eu decidi devolver-lhes o poder; assinei a carta de demissão e dei o poder ao presidente do Parlamento, Aden Mohamed Nur, que a partir desta segunda-feira exercerá a função do presidente da Somália", acrescentou Yusuf. O Parlamento tem agora 30 dias para escolher um novo presidente.
Declarações sobre a decisão do presidente somali em renunciar já haviam sido dadas neste domingo (28) pelo seu conselheiro, Abdirashid Sed, após a morte de 19 pessoas em confrontos no país.
Sem autoridade
Eleito para a presidência da Somália em 10 de outubro de 2004, Yusuf nunca conseguiu impor sua autoridade em todo o país, no qual os milicianos islamitas controlam agora boa parte do centro e o sul. A posição do presidente ficou duvidosa desde que o Parlamento bloqueou na última semana a tentativa de demitir o primeiro ministro Nur Hassan Hussein.
Em relatório semana passada, o International Crisis Group (ICG) atribuiu a Yusuf a responsabilidade pelo caos atual, que os islamitas aproveitaram para ganhar terreno, e a paralisação das discussões de paz. "Yusuf deixou de lado a maioria da população e exacerbou as divisões; se tornou um obstáculo para a paz e a sobrevivência do país", escreveu o ICG.
Yusuf havia anunciado em 16 de dezembro a escolha de um novo primeiro-ministro, Mohamud Mohamed Guled, para substituir Nur Hasan Husein, que no entanto havia sido confirmado um dia antes para o cargo por um voto de confiança dos parlamentares.
A destituição de Hussein foi condenada pela comunidade internacional e considerada ilegal pelo Parlamento. Em 24 de dezembro, Guled anunciou por sua vez sua demissão. As divergências paralisaram completamente o trabalho das instituições há várias semanas.
Exército
A Etiópia, que interveio no fim de 2006 na Somália para combater os tribunais islâmicos, anunciou que vai retirar todo o Exército do território somali no início de 2009, o que acentua as dúvidas sobre a segurança na região.
Desde a queda no início de 2007 dos insurgentes dos tribunais islâmicos, que chegaram a controlar Mogadício, a violência aumentou na capital e em um número cada vez maior de regiões somalis, onde as forças governamentais, apoiadas pelos aliados etíopes, combatem os islamitas. A instabilidade em terra impulsionou a pirataria em movimentadas rotas de navios cargueiros na costa Somali.
Além da frágil situação da segurança, de acordo com a ONU, 3,2 milhões de somalis, quase metade dos habitantes, precisam de ajuda de primeira necessidade para sobreviver.
Com agências internacionais
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