Palestinos suspendem negociações de paz; mortos em ofensiva israelense passam de 300
da Folha Online
O chefe da equipe de negociação de paz com israelenses, Ahmed Qurea, anunciou nesta segunda-feira que encerrará as conversas de paz em protesto à grande ofensiva aérea israelense que já deixou mais de 300 mortos desde sábado (27).
"É impossível manter negociações de paz com Israel enquanto o exército está cometendo massacres contra nosso povo na faixa de Gaza", disse Qurea.
Bombardeio de Israel mata líder da Jihad islâmica, afirma "Haaretz"
Entenda a disputa pela terra entre palestinos e israelenses
Veja cobertura completa sobre o Oriente Médio
| Jim Hollander/Efe |
![]() |
| Israelenses fazem novo ataque aéreo a edifício em Beit Hanun, no norte da faixa de Gaza |
Segundo fontes da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), as negociações só serão retomadas quando a agressão aos palestinos acabar. A OLP pediu, nesta segunda-feira, ajuda das forças internacionais em Gaza para proteger os palestinos da ofensiva israelense.
Israel realiza desde sábado (27) uma grande ofensiva militar contra o movimento islâmico radical Hamas em locais importantes para o grupo, como a Universidade Islâmica em Gaza, considerada um reduto do Hamas, um palácio de hóspedes usado pelo governo do do movimento e uma casa próxima à do seu do líder em Gaza, Ismail Haniyeh, em um campo de refugiados.
A ofensiva, segundo Israel, é uma resposta ao lançamento de foguetes por parte do Hamas e à violação da trégua na região, que acabou oficialmente no último dia 19.
"O Comitê Executivo da OLP pediu o envio de uma força internacional à faixa de Gaza para proteger o povo palestino dos crimes israelenses", disse o secretário-geral da OLP, Tayeb Abdelrahim.
"O presidente [da OLP] Mamhoud Abbas pede intensos esforços da comunidade internacional para proteger nosso povo e fazer cessar os massacres de que é vítima em Gaza", afirmou Abdelrahim.
Abbas não exerce controle sobre a faixa de Gaza, que está sob o poder do Hamas desde junho de 2007. O Hamas, assim como a Jihad islâmica, acusam Abbas de ser cúmplice de Israel e colocam obstáculos para o avanço nas negociações de paz.
Vítimas
| Baz Ratner/Reuters |
![]() |
| Soldados israelenses penduram bandeira na antena de um tanque na fronteira com Gaza; ofensiva militar deixa ao menos 313 mortos |
Segundo o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, Israel está comprometido em "uma guerra sem tréguas" contra o Hamas na faixa de Gaza. Ele disse lamentar que existam vítimas civis dos ataques israelenses, "embora não sejam numerosas" (segundo a ONU, ao menos 51 civis morreram nos três dias de ataques).
"Não queremos atacar mulheres, crianças, homens; e não impedimos a ajuda humanitária", completou.
Contudo, reiterou que a ofensiva é uma retaliação aos ataques "deliberados" de foguetes contra o território israelense. "A contenção que temos observado é uma fonte de força. Lutamos com uma vantagem moral. Eles disparam contra civis deliberadamente. Nós encurralamos os terroristas e evitamos, na medida do possível, atingir civis quando a gente do Hamas atua e se esconde intencionalmente em meio à população", afirmou o ministro, sobre a ofensiva que está sendo duramente criticada pela comunidade internacional.
Ataques
Nesta madrugada, um ataque a um prédio do campo de refugiados de Jabalya, no norte da faixa de Gaza, deixou um homem, duas mulheres e um bebê de um ano de idade mortos, segundo fontes médicas palestinas.
Outro bombardeio, desta vez contra a cidade de Rafah, no sul de Gaza, deixou dois adolescentes e uma criança da mesma família mortos.
O escritório do chefe de governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, também foi bombardeado nesta madrugada, informou o Exército israelense em comunicado que lista, nas últimas 12 horas, ataques contra "dúzias de alvos vinculados ao Hamas, como centros de armazenamento e fabricação de armas, túneis, lugares de lançamento de foguetes e armazéns".
Haniyeh não estava no escritório, já que todos os líderes do Hamas se escondem desde que começou a onda de ataques.
Os ataques israelenses, que já destruíram a Universidade Islâmica em Gaza, considerada um reduto do Hamas, um palácio de hóspedes usado pelo governo do Hamas e uma casa próxima à do líder do movimento em Gaza, Ismail Haniyeh, em um campo de refugiados, forçaram os líderes do movimento a se refugiarem.
Outros locais atingidos nos ataques iniciados sábado incluem outras repartições públicas e túneis que ligam o território palestino ao Egito. Os palestinos usam essas rotas para trazer comida e outros suprimentos do Egito --e inclusive armas, segundo Israel.
Leia mais
- Chanceler alemã responsabiliza Hamas por ofensiva israelense
- "Israel está em guerra sem trégua contra Hamas", diz ministro israelense
- Palestinos buscam abrigo no Egito após ataques e bloqueio israelenses
Leia mais
- Surto de cólera já deixa 1.500 mortos no Zimbábue
- Raúl Castro exorta Cuba a "ajustar sonhos à realidade"
Especial
Livraria



