Mundo
29/12/2008 - 13h59

EUA pedem ao Hamas que aceite um cessar-fogo duradouro

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da Folha Online

A Casa Branca pediu nesta segunda-feira ao movimento radical islâmico Hamas que aceite um "cessar-fogo sustentado e duradouro", no terceiro dia de ofensiva militar de Israel na faixa de Gaza, que já deixou mais de 300 mortos.

"Para que a violência termine, o Hamas deve deixar de lançar foguetes contra Israel e aceitar respeitar um cessar-fogo sustentável e duradouro", afirmou o porta-voz do governo americano, Gordon Johndroe.

Israel realiza desde sábado (27) uma grande ofensiva militar contra o Hamas em locais importantes para o grupo, como a Universidade Islâmica em Gaza, considerada um reduto do Hamas, um palácio de hóspedes usado pelo governo do do movimento e uma casa próxima à do seu do líder em Gaza, Ismail Haniyeh, em um campo de refugiados.

A ofensiva, segundo Israel, é uma resposta ao lançamento de foguetes por parte do Hamas e à violação da trégua na região, que acabou oficialmente no último dia 19.

"Esse é o objetivo pelo qual devem trabalhar todas as partes. Para isso trabalha os Estados Unidos", afirmou o porta-voz, falando de Crawford, Texas, onde o presidente George W. Bush passará o Ano Novo, em seu rancho de veraneio.

Respeito

Já o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, preferiu não se pronunciar publicamente sobre a crise no Oriente Médio, que deve ter conseqüências diretas nos esforços de seu governo para avançar nas negociações de paz entre israelenses e palestinos.

"Presidente Bush fala pelos Estados Unidos até 20 de janeiro e nós vamos honrar isso", disse um dos principais assessores de Obama, David Axelrod, em entrevista à rede americana CBS, neste domingo.

Segundo Axelrod, Obama, que passa as festas de fim de ano com sua família, no Havaí, mantém contato com Bush e com a atual secretária de Estado, Condoleezza Rice, mas não vai comentar sobre a crise no Oriente Médio que deve afetar diretamente seus esforços para mediar um acordo de paz entre israelenses e palestinos.

Apelo

O pedido da Casa Branca engrossa o coro da comunidade internacional que pede o fim da ofensiva israelense em Gaza que já deixou 313 mortos, dos quais, ao menos 51 civis.

Líderes de diversos países, a ONU (Organização das Nações Unidas), e a Anistia Internacional (AI) intensificaram o pedido pelo fim da violência na faixa de Gaza.

O enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Robert Serry, pediu um cessar-fogo na região, por considerar "que não existe uma solução militar para o conflito". Ele afirmou ainda que entrou em contato "com colegas da região e outros enviados para coordenar os esforços para apoiar os apelos pelo fim da violência e pela renovação do cessar-fogo, que poderia se traduzir em uma melhora mais duradoura da situação em Gaza".

Suas declarações somam-se às do secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, que pediu "energicamente para que parem todos os atos de violência".

Em comunicado, a Anistia Internacional (AI) classificou os ataques de Israel à faixa de Gaza como "ilegais" e solicitou o término imediato das ações. "Tal uso desproporcional de força por parte de Israel é ilegal e arrisca aprofundar a violência em toda aquela região", afirmou a organização.

Trégua

Nesta segunda-feira, o ministro de Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, se encontra com o ministro turco, Ali Babacan, para tentar negociar uma nova trégua em Gaza.

O Egito, que foi o mediador da trégua entre Israel e o movimento islâmico radical palestino Hamas, tem sido acusado pelo Hamas, pelo Hezbollah xiita libanês e pela oposição egípcia, de favorecer os israelenses e ser cúmplice nos bombardeios aéreos.

Os dirigentes do Hamas acusam o Egito de asfixiar a Gaza para estrangular o movimento e impor ao mesmo uma reconciliação com o Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Gheit se reúne com Babacan em uma nova tentativa de trégua entre o governo de Israel e o hamas, que tem sido um dos maiores obstáculos no avanço das negociações de paz na região.

Segundo o ministro "a trégua deve propiciar a reabertura dos pontos de passagem entre Gaza e Israel".

Os dois países pedem que Israel e os palestinos cessem os ataques e ofensivas e mostrem cautela.

Com France Presse

 

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