Governo italiano diz que ofensiva israelense é "direito de defesa"
da Ansa, em Roma
O chanceler italiano, Franco Frattini, afirmou em conversa telefônica com a chanceler israelense, Tzipi Livni, que a Itália reconhece o "direito de defesa" exercido por Tel Aviv em sua ofensiva militar na faixa de Gaza. Os ataques aéreos israelenses, contra o movimento islâmico radical Hamas, começaram no sábado (27) e já deixaram ao menos 313 mortos.
"O governo italiano reitera a mais firme e decidida rejeição ao lançamento de mísseis Qassam por parte do Hamas, que rompeu unilateralmente a trégua", declarou neste domingo (28) o chanceler italiano em diálogo com Livni.
Israel realiza desde sábado (27) uma grande ofensiva militar contra o Hamas em locais importantes para o grupo, como a Universidade Islâmica em Gaza, considerada um reduto do Hamas, um palácio de hóspedes usado pelo governo do do movimento e uma casa próxima à do seu do líder em Gaza, Ismail Haniyeh, em um campo de refugiados.
A ofensiva, segundo Israel, é uma resposta ao lançamento de foguetes por parte do Hamas e à violação da trégua na região, que acabou oficialmente no último dia 19.
"Entendendo as motivações inerentes ao exercício do direito à defesa, a chancelaria italiana convida Israel a fazer tudo o que estiver a seu alcance para evitar posteriores trágicas perdas de vidas humanas entre a população civil inocente, que nada tem a ver com as operações e instalações terroristas do Hamas", acrescentou Frattini.
Livni respondeu que Israel "persegue objetivos mirados e circunscritos" e busca "limitar o máximo possível qualquer sofrimento para a população de Gaza".
O ministro das Relações Exteriores italiano se disse "em constante contato" com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, com o qual analisa a postura da diplomacia italiana no conflito do Oriente Médio.
A respeito da ação italiana sobre o conflito, no papel de presidente temporário do G8 a partir de janeiro, Frattini declarou que discutirá a questão com Hillary Clinton tão logo ela assuma seu posto de secretária de Estado dos EUA, no governo do presidente eleito Barack Obama.
"Estou convencido de que o presidente Obama dará uma confirmação importante ao ocupar-se o mais breve possível da paz no Oriente Médio", acrescentou.
Amplo apoio
Outros líderes políticos ligados ao governo italiano manifestaram nesta segunda-feira seu apoio às iniciativas militares israelenses em curso contra a faixa de Gaza.
"Acredito que seria bom recordar a justa e corajosa frase pronunciada por Obama quando visitou Israel, em particular Sderot, cidade tristemente conhecida por ser freqüente alvo dos ataques terroristas do Hamas. Foi ali que Obama disse que se alguém tivesse atacado ou atacasse a casa onde dormem suas filhas, ele teria feito e faria todo o possível para impedi-lo", declarou Daniele Capezzone, porta-voz do partido Forza Italia, chefiado por Berlusconi.
No mesmo sentido se pronunciou Maurizio Gasparri, líder da coalizão governista Povo da Liberdade (PDL) no Senado. "O Hamas tem em sua constituição o objetivo de destruir Israel. Por isso segue lançando mísseis desde Gaza e, diante dessa agressão contínua dos terroristas palestinos, Israel tem o direito de defender sua vida e sua existência", declarou.
Gasparri também convidou a comunidade internacional a "não ser hipócrita defendendo os terroristas do Hamas, do Hezbollah, do Irã, que desejam o extermínio de Israel".
"Israel tem plena razão. A luta contra o terrorismo e sua derrota são a única premissa para uma paz verdadeira", acrescentou o político italiano.
Para o presidente do PDL na Câmara dos Deputados, Ítalo Bocchino, "é uma pena que para defender seu direito de existência Israel tenha que recorrer às armas, mas é evidente para qualquer um que se trata de autodefesa".
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