Mundo
31/12/2008 - 13h04

Ao menos 25% das vítimas da ofensiva israelense são civis, diz ONU

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da Folha Online

A grande ofensiva aérea israelense contra o movimento radical islâmico Hamas, na faixa de Gaza, deixou ao menos 380 mortos, dos quais ao menos 25% são civis, afirmou nesta segunda-feira a agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para ajuda aos refugiados palestinos.

"Pelo menos 25% dos mortos são civis e este percentual ainda pode aumentar", afirmou nesta quarta-feira Christopher Gunness, porta-voz da agência.

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Ashraf Amra/AP
Palestinos inspecionam os escombros de uma casa atingida pelos bombardeios de Israel
Palestinos inspecionam os escombros de uma casa atingida pelos bombardeios de Israel

Desde o início da ofensiva contra o movimento islâmico radical Hamas, no sábado (27), ao menos 380 pessoas morreram e cerca de 1.700 ficaram feridas, segundo fontes médicas em Gaza. A mesma fonte indica que ao menos 42 das vítimas são crianças.

"As condições para os pais e crianças em Gaza são perigosas e espantosas. Para muita gente é uma situação de vida ou morte", afirmou, em comunicado, Maxwell Gaylard, porta-voz do coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio.

O presidente israelense, Shimon Peres, disse nesta terça-feira (30)lamentar pela morte de civis na ofensiva, mas afirmou que não teriam acontecido caso eles seguissem as instruções das forças de defesa israelenses.

Nesta quarta-feira, durante uma visita a um abrigo antibomba público, em Ashkelon, ele disse às crianças: "Apesar dos alertas, não temos medo. Vamos continuar cantando e brincando. Nós estamos protegidos por este abrigo e temos um grande e poderoso exército nos protegendo".

Gaylard pediu a reabertura o mais rapidamente possível das passagens fronteiriças entre Israel e a faixa de Gaza, onde a agência da ONU deve proporcionar "assistência humanitária urgente a 750.000 pessoas".

Compensação

Hatem Moussa/AP
Palestinos caminha sobre destroços do escritório do premiê do Hamas, Ismail Haniyeh
Palestinos caminha sobre destroços do escritório do premiê do Hamas, Ismail Haniyeh; ofensiva está no quinto dia consecutivo

Nesta quarta-feira, atentando à pressão da ONU, Tel Aviv abriu um caminho, o Kerem Shalom, para a passagem de 106 caminhões de ajuda humanitária estrangeira à Gaza.

Cerca de cem caminhões trazendo alimentos e suprimentos médicos entraram em Gaza nesta terça-feira (30), um fluxo que a ONU diz ser insuficiente para auxiliar os cerca de 1,5 milhões de palestinos que vivem na região.

Os donativos foram concedidos pela Turquia e Jordânia, além de organizações internacionais. Cinco ambulâncias também puderam entrar na região. Nesta quarta-feira, o Reino Unido afirmou que doará US$ 10 milhões aos palestinos em Gaza.

Israel prometeu à Cruz Vermelha e a ONU que vai ajudar na transferência de ajuda humanitária necessária, uma medida de compensação diante da pressão internacional por uma trégua nos bombardeios.

Quinto dia

A ofensiva militar israelense está no seu quinto dia consecutivo com ao menos 35 bombardeios somente nesta quarta-feira.

Segundo Israel, a ofensiva é uma resposta à violação --e lançamento de foguetes-- do Hamas da trégua de seis meses assinada com Israel e que acabou oficialmente no último dia 19. Trata-se da pior ofensiva realizada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Os aviões israelenses lançaram dois ataques na faixa de Gaza no começo da manhã desta quarta-feira, atingindo túneis de contrabando de mercadorias na fronteira entre Gaza e o Egito e prédios do governo de Hamas, na cidade de Gaza, segundo um porta-voz militar.

A Força Aérea israelense também destruiu instalações do Ministério do Interior, como ontem fez com as de ministros, secretários de Estado e altos cargos de Finanças, Assuntos Exteriores, Trabalho e Moradia.

"Estes escritórios do governo do Hamas, situadas na Cidade de Gaza, são considerados alvos estratégicos", diz o Exército.

Já o Hamas mantém a retaliação aos ataques e, negando a possibilidade de uma trégua, atingiu com quatro foguetes a cidade de Beersheba, 40 km da faixa de Gaza.

Um dos foguetes lançados na região nesta quarta-feira atingiu uma escola, que estava vazia, já que as autoridades cancelaram as aulas depois que foguetes atingiram a cidade na noite desta terça-feira (30).

Com agências internacionais

 

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