Líder do Hamas diz que suspende ataques a Israel em troca de fim de bloqueio
colaboração para a Folha Online
Atualizado às 15h33.
O principal líder do Hamas, Khaled Meshaal, disse nesta quarta-feira que está disposto a suspender os ataques de foguetes a Israel e assinar uma trégua se este derrubar o bloqueio à faixa de Gaza, informou o Ministério de Relações Exteriores russo.
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Meshaal fez esta declaração durante uma conversa telefônica com o chefe da diplomacia da Rússia, Serguei Lavrov. "Em resposta ao pedido do ministro russo, Meshaal se disse disposto a deter o confronto armado em troca da suspensão do bloqueio" a Gaza, diz a nota oficial do ministério russo.
| Khaled al-Hariri/Reuters |
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| Khaled Meshaal, líder do Hamas, durante Congresso na Síria, em novembro passado |
O bloqueio foi imposto por Israel desde a tomada do controle da região pelo Hamas, em 2007. A medida visava impedir que o grupo contrabandeasse armas e bombas para atacar o território israelense e enfraquecer seu poder político com o controle do fluxo de alimentos e pessoas à região. Para escapar do bloqueio, o Hamas construí uma série de túneis que têm sido bombardeados na ofensiva israelense.
Israel, contudo, rejeitou a pressão internacional por um cessar-fogo e disse que continuará com a ofensiva militar, iniciada no sábado (27), até que "todos os seus objetivos sejam alcançados" e o Hamas seja destituído e interrompa definitivamente os ataques com foguetes Qassam, de fabricação artesanal.
Embora viva em exílio auto-imposto em Damasco, na Síria, Mashaal continua liderando o Hamas. Na conversa, ele também expôs a postura de seu grupo sobre uma possível retomada do diálogo entre os movimentos palestinos, particularmente com o Fatah, ao qual pertence o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
Meshaal agradeceu a Rússia por enviar ajuda humanitária a Gaza e prometeu colaborar na retirada de cerca de 150 russos que se encontram na Faixa de Gaza, em sua maioria mulheres casadas com palestinos.
Nesta quarta-feira, o ministro de Assuntos Exteriores russo também conversou por telefone com Abbas, a quem expressou o apoio de Moscou aos esforços para deter o confronto com Israel.
Quinto dia
| Ashraf Amra/AP |
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| Palestinos inspecionam os escombros de uma casa atingida pelos bombardeios de Israel |
A ofensiva militar israelense está no seu quinto dia consecutivo com ao menos 35 bombardeios somente nesta quarta-feira.
Segundo Israel, a ofensiva é uma resposta à violação --e lançamento de foguetes-- do Hamas da trégua de seis meses assinada com Israel e que acabou oficialmente no último dia 19. Trata-se da pior ofensiva realizada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Os aviões israelenses lançaram dois ataques na faixa de Gaza no começo da manhã desta quarta-feira, atingindo túneis de contrabando de mercadorias na fronteira entre Gaza e o Egito e prédios do governo de Hamas, na cidade de Gaza, segundo um porta-voz militar.
A Força Aérea israelense também destruiu instalações do Ministério do Interior, como ontem fez com as de ministros, secretários de Estado e altos cargos de Finanças, Assuntos Exteriores, Trabalho e Moradia.
"Estes escritórios do governo do Hamas, situadas na Cidade de Gaza, são considerados alvos estratégicos", diz o Exército.
Já o Hamas mantém a retaliação aos ataques e, negando a possibilidade de uma trégua, atingiu com quatro foguetes a cidade de Beer Sheva, 40 km da faixa de Gaza.
Um dos foguetes lançados na região nesta quarta-feira atingiu uma escola, que estava vazia, já que as autoridades cancelaram as aulas depois que foguetes atingiram a cidade na noite desta terça-feira (30).
Com Efe e France Presse



