Termina sem acordo a reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre Gaza
da Efe, em Nova York
da Folha Online
O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) concluiu nesta quinta-feira (1º) uma reunião de urgência sobre o Oriente Médio sem chegar a um acordo a respeito de um projeto de resolução apresentado pela Líbia, que pede o fim imediato das operações militares israelenses em território palestino.
O texto apresentado pela delegação líbia em nome dos países árabes foi rejeitado pelas potências ocidentais, que o consideram desequilibrado, por não fazer referência ao Hamas.
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"Apelo ao Conselho de Segurança que atue de forma rápida para que não dê espaço a outra Srebenica e Ruanda", disse o embaixador líbio perante a ONU, Giadalla Ettalhi, após apresentar o texto junto às Nações Unidas.
O projeto de resolução pedia o fim imediato das operações militares de Israel na faixa de Gaza, exigia que acabasse o bloqueio ao território palestino e condenava as ações israelenses por considerá-las responsáveis pelo conflito.
"A resolução, tal como a distribuiu a Líbia, não é equilibrada e, portanto, os Estados Unidos não podem aceitá-la", afirmou o embaixador norte-americano perante a ONU, Zalmay Khalilzad, na saída da reunião. O diplomata afirmou que seu país considera que "somente um enfoque equilibrado do conflito pode facilitar que se chegue a uma resolução".
"Certamente estamos de acordo sobre um cessar-fogo imediato e isso tem implicações para Israel, mas o que dizemos é que primeiro se deve deixar de disparar foguetes, que é o que gerou essa crise", disse.
Postura similar foi adotada pelo embaixador do Reino Unido perante a ONU, John Sawers. "Uma resolução efetiva deve conseguir um amplo apoio do Conselho de Segurança e por isso deve refletir a responsabilidade de todas as partes."
Os representantes dos 15 membros do conselho tiveram inicialmente uma sessão de consultas, convocada pelo embaixador croata Neven Jurica, e depois deram início a uma reunião formal.
Os bombardeios israelenses sobre Gaza tiveram início no sábado (27) e já mataram ao menos 380 palestinos. A ofensiva começou uma semana depois do fim de uma trégua de seis meses entre Israel e o grupo extremista Hamas, que domina Gaza desde junho de 2007. Os dois lados se acusam de desrespeitar os termos da trégua.
O Conselho de Segurança é o órgão da ONU que tem poderes de impor sanções militares, no entanto já era considerada remota qualquer decisão que envolvesse o uso de força contra Israel ou o Hamas, já que cinco países --Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China-- possuem poder de vetar qualquer decisão nesse sentido.
O principal órgão das Nações Unidas já reuniu em caráter de urgência para tratar de Gaza no sábado, quando se iniciaram os ataques israelenses contra Hamas. Na ocasião, os 15 integrantes do Conselho pediram unanimemente a israelenses e ao grupo palestino Hamas a "cessação imediata" da violência na região, e que se permitisse a provisão de ajuda humanitária a Gaza.
Posteriormente, se uniram a este pedido o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e os demais integrantes do Quarteto para o Oriente Médio: Estados Unidos, Rússia e a União Européia.
No entanto, o governo israelense rejeitou nesta quarta-feira (31) uma proposta do presidente da França, Nicolas Sarkozy, de declarar uma trégua humanitária de 48 horas para fazer chegar alimentos e remédios à população civil do território palestino.
O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, afirmou que a organização multilateral se sente "decepcionada" pela recusa israelense a aceitar uma pausa que alivie a "alarmante" situação vivida pela população civil palestina em Gaza.


