Mundo
01/01/2009 - 12h04

Hamas aceita trégua proposta pela UE, mas impõe condições

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da Folha Online

O movimento islâmico palestino radical Hamas anunciou nesta quinta-feira que aceita, com condições, as propostas feitas pela União Europeia (UE) para instaurar uma trégua humanitária com Israel na faixa de Gaza. O governo israelense, contudo, não se mostrou disposto a aceitar uma saída diplomática e mantém a grande ofensiva militar lançada desde sábado passado (27) na região e que já deixou e 1.700 feridos.

"O Hamas aceita esta iniciativa desde que a agressão israelense acabe, desde que o bloqueio seja retirado, que todos os pontos de passagem sejam abertos e que tenhamos garantias internacionais de que o ocupante não voltará a começar esta guerra terrorista", declarou em um comunicado o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum, citado pela agência de notícias France Presse.

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Nikola Solic/Reuters
Fumaça pode ser vista em um dos locais bombardeados por Israel nesta quinta-feira
Fumaça pode ser vista em um dos locais bombardeados por Israel nesta quinta-feira

Segundo Israel, a ofensiva é justamente uma resposta à violação --e lançamento de foguetes-- do movimento islâmico radical Hamas da trégua de seis meses assinada com Israel e que acabou oficialmente no último dia 19. Trata-se da pior ofensiva realizada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

A proposta da UE foi feita após uma reunião dos ministros de Relações Exteriores dos países do bloco, em Paris, na terça-feira (30). O grupo pediu, em comunicado, que Israel e Hamas aceitassem a trégua como "uma ação humanitária imediata", destinada a preservar a população de Gaza e a reabertura das passagens entre o território, Egito e Israel.

Segundo o porta-voz do Hamas, a trégua deve se constituir "de um acordo global, que inclua o cessar-fogo, o fim do bloqueio e a reabertura de todos os pontos de passagem".

O bloqueio foi imposto por Israel desde a tomada do controle da região pelo Hamas, em 2007. A medida visava impedir que o grupo contrabandeasse armas e bombas para atacar o território israelense e enfraquecer seu poder político com o controle do fluxo de alimentos e pessoas à região. Para escapar do bloqueio, o Hamas construí uma série de túneis que têm sido bombardeados na ofensiva israelense.

O porta-voz do Hamas afirmou ainda que o terminal de Rafah, entre a faixa de Gaza e o Egito, deve funcionar "sem voltar ao acordo de 2005", que estabelece como exigência a presença de observadores europeus, representantes da Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Mamhoud Abbas, e uma vigilância por câmeras de Israel.

A UE já havia afirmado, na terça-feira (30), que estava disposta a enviar uma delegação ministerial ao Oriente Médio para ajudar nas negociações de paz e que está preparada para enviar novamente uma missão de observadores para garantir a abertura de Rafah, "conjuntamente com Egito, ANP e Israel".

Israel

Mohammed Saber/Efe
Membro das forças de segurança observa danos causados pelos bombardeios israelenses, na faiza de Gaza
Membro das forças de segurança observa danos causados em casas pelos bombardeios israelenses, na faixa de Gaza

A trégua, contudo, parece uma realidade distante. O governo israelense rejeitou a pressão internacional e os esforços da ONU (Organização das Nações Unidas) por um cessar-fogo e afirma que só encerrará a ofensiva se a trégua incluir garantias de que o Hamas encerrará o lançamento de foguetes contra seu território.

O Conselho de Segurança da ONU concluiu nesta quinta-feira uma reunião de urgência sobre o Oriente Médio sem chegar a um acordo a respeito de um projeto de resolução apresentado pela Líbia, que pedia o fim imediato das operações militares israelenses em território palestino.

O texto apresentado pela delegação líbia em nome dos países árabes foi rejeitado pelas potências ocidentais, que o consideram desequilibrado, por não fazer referência ao Hamas.

O projeto de resolução pedia o fim imediato das operações militares de Israel na faixa de Gaza, exigia que acabasse o bloqueio ao território palestino e condenava as ações israelenses por considerá-las responsáveis pelo conflito.

O governo israelense já havia rejeitado, nesta quarta-feira (31), uma proposta do presidente da França, Nicolas Sarkozy, de declarar uma trégua humanitária de 48 horas para fazer chegar alimentos e remédios à população civil do território palestino.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse nesta quarta-feira que a ofensiva militar na faixa de Gaza continuará "até que todos os objetivos sejam alcançados". "Nós não começamos a operação em Gaza para encerrar com os foguetes ainda sendo lançados como antes. Israel se conteve por anos e deu muitas chances de trégua", disse Olmert, após reunião com funcionários da Defesa israelense.

Olmert disse ainda que sabia, antes de iniciar a ofensiva, o preço dos bombardeios às pessoas que vivem na região, "mas Hamas quebrou a calma".

 

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