Hamas aceita trégua proposta pela UE, mas impõe condições
da Folha Online
O movimento islâmico palestino radical Hamas anunciou nesta quinta-feira que aceita, com condições, as propostas feitas pela União Europeia (UE) para instaurar uma trégua humanitária com Israel na faixa de Gaza. O governo israelense, contudo, não se mostrou disposto a aceitar uma saída diplomática e mantém a grande ofensiva militar lançada desde sábado passado (27) na região e que já deixou e 1.700 feridos.
"O Hamas aceita esta iniciativa desde que a agressão israelense acabe, desde que o bloqueio seja retirado, que todos os pontos de passagem sejam abertos e que tenhamos garantias internacionais de que o ocupante não voltará a começar esta guerra terrorista", declarou em um comunicado o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum, citado pela agência de notícias France Presse.
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| Nikola Solic/Reuters |
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| Fumaça pode ser vista em um dos locais bombardeados por Israel nesta quinta-feira |
Segundo Israel, a ofensiva é justamente uma resposta à violação --e lançamento de foguetes-- do movimento islâmico radical Hamas da trégua de seis meses assinada com Israel e que acabou oficialmente no último dia 19. Trata-se da pior ofensiva realizada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
A proposta da UE foi feita após uma reunião dos ministros de Relações Exteriores dos países do bloco, em Paris, na terça-feira (30). O grupo pediu, em comunicado, que Israel e Hamas aceitassem a trégua como "uma ação humanitária imediata", destinada a preservar a população de Gaza e a reabertura das passagens entre o território, Egito e Israel.
Segundo o porta-voz do Hamas, a trégua deve se constituir "de um acordo global, que inclua o cessar-fogo, o fim do bloqueio e a reabertura de todos os pontos de passagem".
O bloqueio foi imposto por Israel desde a tomada do controle da região pelo Hamas, em 2007. A medida visava impedir que o grupo contrabandeasse armas e bombas para atacar o território israelense e enfraquecer seu poder político com o controle do fluxo de alimentos e pessoas à região. Para escapar do bloqueio, o Hamas construí uma série de túneis que têm sido bombardeados na ofensiva israelense.
O porta-voz do Hamas afirmou ainda que o terminal de Rafah, entre a faixa de Gaza e o Egito, deve funcionar "sem voltar ao acordo de 2005", que estabelece como exigência a presença de observadores europeus, representantes da Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Mamhoud Abbas, e uma vigilância por câmeras de Israel.
A UE já havia afirmado, na terça-feira (30), que estava disposta a enviar uma delegação ministerial ao Oriente Médio para ajudar nas negociações de paz e que está preparada para enviar novamente uma missão de observadores para garantir a abertura de Rafah, "conjuntamente com Egito, ANP e Israel".
Israel
| Mohammed Saber/Efe |
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| Membro das forças de segurança observa danos causados em casas pelos bombardeios israelenses, na faixa de Gaza |
A trégua, contudo, parece uma realidade distante. O governo israelense rejeitou a pressão internacional e os esforços da ONU (Organização das Nações Unidas) por um cessar-fogo e afirma que só encerrará a ofensiva se a trégua incluir garantias de que o Hamas encerrará o lançamento de foguetes contra seu território.
O Conselho de Segurança da ONU concluiu nesta quinta-feira uma reunião de urgência sobre o Oriente Médio sem chegar a um acordo a respeito de um projeto de resolução apresentado pela Líbia, que pedia o fim imediato das operações militares israelenses em território palestino.
O texto apresentado pela delegação líbia em nome dos países árabes foi rejeitado pelas potências ocidentais, que o consideram desequilibrado, por não fazer referência ao Hamas.
O projeto de resolução pedia o fim imediato das operações militares de Israel na faixa de Gaza, exigia que acabasse o bloqueio ao território palestino e condenava as ações israelenses por considerá-las responsáveis pelo conflito.
O governo israelense já havia rejeitado, nesta quarta-feira (31), uma proposta do presidente da França, Nicolas Sarkozy, de declarar uma trégua humanitária de 48 horas para fazer chegar alimentos e remédios à população civil do território palestino.
O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse nesta quarta-feira que a ofensiva militar na faixa de Gaza continuará "até que todos os objetivos sejam alcançados". "Nós não começamos a operação em Gaza para encerrar com os foguetes ainda sendo lançados como antes. Israel se conteve por anos e deu muitas chances de trégua", disse Olmert, após reunião com funcionários da Defesa israelense.
Olmert disse ainda que sabia, antes de iniciar a ofensiva, o preço dos bombardeios às pessoas que vivem na região, "mas Hamas quebrou a calma".
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