Mundo
30/11/2002 - 08h52

Mais de 10 mil protestam na Austrália contra ação militar no Iraque

da Folha Online

Mais de 10 mil pessoas saíram hoje às ruas de Sydney (Austrália) para protestar contra uma possível participação do país em uma intervenção militar dos EUA e aliados no Iraque. Pessoas com faixas e cartazes participaram de uma passeata por várias ruas da mais antiga e famosa cidade do país.

Muitas mães levaram seus filhos para as ruas de Sydney para participar da passeata em sinal de protesto contra a violência. Grupos de muçulmanos que vivem no país também aderiram ao protesto pacífico.

Protestos menores também ocorreram em outras cidades da Austrália, inclusive na capital, Canberra.



Na semana passada, um político australiano gerou grande polêmica ao defender a proibição do uso do manto, alegando que as mulheres muçulmanas poderia ocultar armas sob a vestimenta.

O governo conservador da Austrália tem mantido a sua preferência para uma solução pacífica no Iraque, mas a recente retirada de suas tropas do Afeganistão, onde estavam lutando pela coalizão liderada pelos Estados Unidos, levantou suspeitas de que poderiam ser deslocadas para o Iraque.

Nesta semana, inspetores de armas da ONU voltaram ao Iraque para rastrear e identificar possíveis armas de destruição em massa no país.

Os Estados Unidos e o Reino Unido acusam o Iraque de ter um arsenal de armas químicas e biológicas que vai contra as determinações da ONU (Organização das Nações Unidas), e de estar construindo instalações para fabricar mais armamentos. Ademais, Saddam é acusado pelos dois países de ter fortes relações com grupos terroristas que são capazes de utilizar 'armas de destruição em massa'. Bagdá nega as acusações.

O desarmamento dos arsenais de destruição em massa e mísseis iraquianos foi determinado pela ONU após a Guerra do Golfo (1991) como uma punição ao Iraque, que invadiu o Kuait em 1990.

Entre 1991 e 1998, a Comissão Especial da ONU para o Desarmamento do Iraque visitou dezenas de locais e destruiu grande quantidade de armas. Washington e Londres dizem que o país continua tentando fabricar uma bomba atômica e seria capaz de disparar mísseis com ogivas químicas e nucleares 45 minutos após dadas as ordens. Bagdá nega ter esses armamentos.

Com agências internacionais

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