Israel registra poucos incidentes em "dia de cólera" do Hamas
da Folha Online
Apesar da convocação do movimento radical islâmico Hamas de um "dia de cólera" contra os israelenses, as orações desta sexta-feira aconteceram em clima de relativa paz na Jerusalém Oriental, com apenas alguns incidentes reportados até o momento. Israel manteve, contudo, os bombardeios a alvos do Hamas na faixa de Gaza, no sétimo dia consecutivo da ofensiva militar que já deixou 420 mortos e 2.180 feridos.
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Segundo informa o jornal israelense "Jerusalem Post", um policial foi levemente ferido quando dois coquetéis molotov foram lançados em uma delegacia nos arredores de Jerusalém. No norte da cidade, em Shuafat, manifestantes árabes jogaram pedras contra forças de segurança.
O Hamas, que perdeu nesta quinta-feira (1º) um de seus principais líderes em um bombardeio israelense, publicou um comunicado em seu site pedindo aos palestinos que se vingassem da "morte dos mártires do povo palestino" que morreram durante os bombardeios de Israel.
No "dia de cólera", para o qual Hamas convocou não apenas palestinos, mas todas as brigadas al-Qassam, braços militares do movimento, eles deveriam ir às ruas "em massa" após as preces muçulmanas de sexta-feira, partindo da Esplanada das Mesquitas em Jerusalém e de "todas as mesquitas na Cisjordânia", em protesto contra a ofensiva de Israel na faixa de Gaza.
A polícia israelense restringiu o acesso à Esplanada das Mesquitas, permitindo apenas a entrada de homens com mais de 50 anos e palestinos com passaportes estrangeiros, na tentativa de evitar distúrbios durante as preces muçulmanas desta sexta-feira. Na Cisjordânia, o ministro de Defesa israelense, Ehud Barak, declarou toque de recolher geral. Em Jerusalém Oriental, milhares de policiais foram às ruas para evitar distúrbios.
Contudo, os distúrbios foram localizados e não causaram nenhuma vítima.
Marchas
Do lado de fora do Museu Rockefeller, em Jerusalém, algumas centenas de manifestantes jogaram pedras em policiais e soldados que faziam a segurança do local.
Próximo ao Portão de Damasco, na Cidade Velha de Jerusalém, duas mulheres foram presas sob suspeita de incitar ao tentar organizar uma marcha ilegal ao Monte do Tempo, local sagrado para judeus e muçulmanos. Outros 150 residentes de Beit Safafa foram presos durante um protesto contra as Forças de Defesa israelenses que protagonizam, desde sábado passado (27), os bombardeios aéreos e navais contra alvos do Hamas, na faixa de Gaza.
No norte de Israel, informa o "Jerusalem Post", cerca de mil pessoas de várias cidades das Colinas Golã protestaram contra a ofensiva militar israelense. Os manifestantes agitavam bandeiras sírias e palestinas e gritavam slogans antigoverno. A polícia alertou os motoristas a não entrarem na região.
Ataques
Mesmo diante da ameaça do Hamas, Israel mantém o bombardeio a Gaza na manhã desta sexta-feira pelo sétimo dia consecutivo. As autoridades israelenses permitiram a saída de Gaza de palestinos com dupla nacionalidade e passaportes estrangeiros, pela passagem fronteiriça de Erez, o que foi interpretado por parte da imprensa como um indício de que a incursão de tropas terrestres poderia estar próxima.
Ao longo da noite e da manhã, o Exército israelense realizou mais de 20 ataques em Gaza, informou um porta-voz militar. Entre os alvos atingidos está uma mesquita da localidade de Jabalia, no norte de Gaza, que, segundo o Exército, o Hamas usava como centro de operações e local de armazenamento de mísseis Grad e outras armas.
O bombardeio contra o templo e as explosões secundárias causadas com a explosão dos mísseis provocaram um enorme incêndio e, segundo fontes palestinas, o ataque deixou ao menos uma pessoas morta.
Outros alvos atingidos nos ataques desta sexta-feira foram um veículo que transportava mísseis antiaéreos, escritórios do Hamas, um túnel usado para trazer material do Egito, vários depósitos de armas, plataformas de lançamento de foguetes e outras 'instalações terroristas', informou o porta-voz militar.
Durante a noite as milícias palestinas não lançaram foguetes contra território israelense, mas ao longo da manhã conseguiram lançar uma dezena de foguetes Grad contra as áreas de Ashkelon e Sderot, um dos quais feriu uma pessoa.
Desde sábado (27), Israel comanda uma operação militar na faixa de Gaza com bombardeios que atingiram diversos pontos vinculados ao Hamas, como ministérios, casas de ativistas, delegacias, mesquitas, a sede de uma ONG e edifícios da Universidade Islâmica.
Segundo Israel, a ofensiva é uma resposta à violação --e lançamento de foguetes-- do Hamas da trégua de seis meses assinada com Israel e que acabou oficialmente no último dia 19. Trata-se da pior ofensiva realizada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
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