Mundo
03/01/2009 - 09h51

Hamas sairá fortalecido, diz reitor da Universidade Islâmica de Gaza

Publicidade

da Folha Online

O reitor da Universidade Islâmica de Gaza, Kamalain Shaath, não é ligado ao movimento islâmico radical Hamas, mas prevê que o grupo sairá fortalecido politicamente da grande ofensiva israelense na faixa de Gaza, que entra neste sábado em seu oitavo dia consecutivo, com um saldo de mais de 420 mortos e cerca de 2.200 feridos.

Engenheiro com doutorado na universidade britânica de Leeds, Shaath concedeu entrevista à Marcelo Ninio, enviado especial da Folha a Jerusalém (íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL). Ele negou que a instituição produza armas para o grupo e criticou o ataque à universidade, um dos ataques mais polêmicos da operação israelense, como "um crime inaceitável".

"É uma mentira absurda e desafio Israel a provar isso. Foi um crime inaceitável contra uma instituição acadêmica. Temos 20 mil estudantes no campus, seria impossível esconder uma fábrica de armas", disse Shaath, acrescentando que os bombardeios de terça-feira (30) destruíram dois prédios da universidade, um dos quais abrigava o laboratório de ciências.

A universidade foi um dos centenas de alvos que Israel ataca há oito dias consecutivos. O país comanda uma grande operação militar na faixa de Gaza contra diversos pontos vinculados ao Hamas, como ministérios, casas de ativistas, delegacias, mesquitas, a sede de uma ONG e os edifícios da Universidade Islâmica e que já matou três importantes líderes do grupo.

Segundo Israel, a ofensiva é uma resposta à violação --e lançamento de foguetes-- do Hamas da trégua de seis meses assinada com Israel e que acabou oficialmente no último dia 19. Trata-se da pior ofensiva realizada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

O reitor disse ainda que a vida parou em Gaza. "Há centenas de prédios destruídos. Parte da população está sem água, eletricidade e gás".

Ele disse ainda que havia a expectativa de uma retaliação diante dos constantes lançamentos de foguetes do Hamas contra o território israelense, mas que a sensação geral é de ódio contra Israel já que "ninguém esperava esse nível de destruição".

"Os bombardeios não pouparam ministérios, mesquitas e o Parlamento. Não esperávamos esse nível de brutalidade. Talvez a proximidade das eleições [em Israel] a explique".

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca