Sri Lanka avança sobre rebeldes após controle de capital insurgente
colaboração para a Folha Online
O Exército do Sri Lanka, que tomou nesta sexta-feira (2) a cidade de Kilinochi, considerada capital política dos rebeldes tâmeis no norte da ilha, continuou neste sábado a sua ofensiva no distrito de Mullaitivu, onde a guerrilha separatista se reagrupou, segundo os militares.
"A batalha de Mullaitivu já começou", destacou o Ministério da Defesa em um comunicado. Oficiais dizem que o distrito abriga instalações aéreas dos Tigres de Liberação do Elam Tâmil (LTTE), guerrilha étnica rebelde que luta por um Estado independente no norte da ilha há mais de 20 anos.
| Eranga Jayawardena/AP |
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| Soldados do Exército do Sri Lanka; tropas avançam para Mullaitivu, último reduto rebelde |
O portal TamilNet, ligado à guerrilha, anunciou que bombardeios a apenas um quilômetro de Mullaitivu causaram a morte de quatro civis. O porta-voz das Forças Armadas, Udaya Nanayakkara, disse à agência Efe que a tomada de Mullaitivu seria a batalha final para derrotar os rebeldes.
Ele confirmou que no último mês de batalhas, os soldados cingaleses mataram mais de mil membros da guerrilha tâmil. Ele sugeriu que novas mortes podem ocorrer ao admitir que o controle da cidade ainda levará tempo para ser concretizado.
Quanto à dominação de Kilinochi, disse que os rebeldes retiraram a população da cidade antes da ofensiva do Exército e, por isso, não poderia dar dados sobre a situação dos civis.
Nanayakkara disse ainda que os LTTE controlam apenas 1.000 km2, que representam parte de área de Mullaitivu, zonas selvagens ao redor e a região estratégica de Elefante, que une o restante do país com a península de Jaffna, na ponta norte do Sri Lanka.
Ao ocupar Kilinochi ontem, o Exército alertou a guerrilha separatista a se render. A queda da cidade representou um duro revés para os LTTE, que administravam a partir de Kilinochi seu próprio sistema administrativo, tribunais de justiça e polícia. Os rebeldes reconheceram a derrota no local.
"É uma vitória sem precedentes para o conjunto da nação", afirmou ontem o presidente cingalês, Mahinda Rajapakse, após meses de violentos combates entre o LTTE e as tropas de Colombo.
O portal TamilNet divulgou um comunicado do deputado tâmil Mano Ganesanm, líder do partido regional Frente Democrática Popular, em que diz que a "solução política para a questão étnica" não seria aceitável para os tâmeis depois de uma "vitória militar total" do governo.
20 anos de guerrilhas
O Exército do Sri Lanka vinha empreendendo uma dura ofensiva contra a guerrilha em seus redutos do norte do país, onde ganhou amplas parcelas de território que até agora estavam nas mãos dos rebeldes. Em três dias, 50 rebeldes tâmeis morreram.
Os LTTE lutam há mais de 20 anos contra o governo pedindo um Estado independente para as áreas de maioria tâmil, no norte e no leste do país, em um conflito que já custou a vida de mais de 100 mil pessoas.
O grupo rebelde iniciou sua batalha contra o governo em 1983 e diz defender o direito das minorias tâmeis diante da opressão de sucessivos governos da maioria cingalesa, desde que o Sri Lanka se tornou independente do Reino Unido, em 1948.
Com Efe e France Presse
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