Exército israelense mata 35 em ofensiva terrestre; Hamas diz ter matado cinco soldados
da Folha Online
Atualizado às 12h55.
As tropas israelenses tomaram o controle de uma seção no oeste da parte norte de Gaza neste domingo, em menos de 24 horas do avanço da ofensiva terrestre na região que deixou ao menos 35 palestinos mortos e 140 feridos. O movimento islâmico radical Hamas reivindica a morte de cinco soldados israelenses nos confrontos.
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A maioria dos palestinos mortos na ofensiva terrestre são civis, informou o vice-ministro de Saúde do Hamas e diretor-geral do Hospital de Shifa, Hassan Yalaf. "Israel está disparando contra casas e mercados", disse, por telefone, à agência internacional de notícias Efe.
Segundo a CNN, que cita fontes de inteligência palestinas, oito destas mortes aconteceram durante confrontos intensos entre soldados de Israel e militantes do Hamas, no norte de Gaza.
Outros quatro civis foram mortos por tiros israelenses em Rafah, no sul de Gaza. Um militante do Hamas, lista a CNN, morreu em Khan Younis, cinco pessoas morreram perto de um campo de refugiados em Jabalya e três morreram na Cidade de Gaza.
Segundo o jornal israelense "Haaretz", ao menos três das vítimas eram militantes do Hamas, que não admitiu as mortes.
Este domingo marca o nono dia consecutivo da grande ofensiva militar israelense contra alvos do Hamas na faixa de Gaza, que já deixa uma soma de 460 mortos e cerca de 2.350 feridos. Desde este sábado (3), as Forças de Defesa israelenses ampliaram a ofensiva com a invasão de Gaza com tanques e artilharias, uma medida que reduz ainda mais as esperanças de uma saída diplomática para o confronto e que deve aumentar significativamente o número de civis mortos.
As Forças de Defesa israelenses atacaram ao menos 45 alvos do Hamas, incluindo um quartel-general do grupo. Segundo porta-voz dos israelenses, soldados do país entraram em confronto com militantes radicais e dezenas de membros do Hamas foram "atingidos".
Crise
Segundo Yalaf, a situação no principal hospital da faixa de Gaza é dramática, já que o fornecimento de energia foi cortado há dois dias e não há remédios nem pessoal para atendimentos de emergência. "Estamos há dois dias funcionando com os geradores, que podem parar a qualquer momento porque não temos reservas de combustível", disse o vice-ministro.
Segundo Yalaf, o hospital está totalmente lotado e a situação no local é angustiante. Israel mantém a fronteiras fechadas e já informou neste domingo que não permitirá a passagem de carregamentos com ajuda humanitária, alimentos e remédios, devido aos ataques terrestres.
Segundo testemunhas, os militares mantêm mais de 80 tanques, veículos blindados e escavadeiras no antigo assentamento judaico de Mitzarin.
As tropas de Israel dividiram a faixa de Gaza em duas partes para reduzir o fluxo de armas, suprimentos e militantes para a parte norte da região.
Na Cidade de Gaza, é possível ouvir o som dos aviões israelenses e das explosões e disparos da artilharia. As ruas, por sua vez, estão desertas, com dezenas de edifícios destruídos pelos bombardeios, entre eles o Parlamento do Hamas, totalmente arruinado.
Hamas
Já o Hamas afirmou neste domingo que matou cinco soldados israelenses e feriu outros 20, nos confrontos com o Exército na faixa de Gaza.
Um porta-voz das Brigadas de Qassam, braço armado do Hamas, afirmou ao canal árabe Al Jazeera que os soldados foram mortos durante as primeiras horas da invasão terrestre israelense.
"Durante a primeira meia hora da invasão, a resistência conseguiu explodir vários artefatos contra o Exército e os escutamos dizer que havia mais de cinco mortos e outros 20 feridos", disse o porta-voz.
O Exército israelense nega qualquer vítima na ofensiva terrestre e diz que 30 soldados ficaram feridos.
Segundo o porta-voz, "o inimigo está desequilibrado" e tenta evitar os disparos dos militantes do Hamas.
O grupo islâmico afirmou neste domingo ter capturado dois soldados israelenses, informação que não foi confirmada pelo Exército e nem por líderes do Hamas entrevistados posteriormente pelas agências internacionais.
Ocupação
O governo israelense afirmou contudo que não tem a intenção de reocupar a faixa de Gaza, apesar do avanço da ofensiva terrestre. "Israel não tem nenhuma intenção de voltar a ocupar a faixa de Gaza", afirmou o secretário de governo, Ovid Yehezkel, após uma reunião do gabinete de segurança.
"A operação tem como único objetivo atingir os objetivos estabelecidos pelo gabinete", acrescentou Yehezkel. "A operação pode perdurar por um longo tempo. Ainda podemos enfrentar dias difíceis".
Com agências internacionais
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