Ofensiva terrestre em Gaza mata 35 palestinos; Israel confirma morte de soldado
da Folha Online
O Exército israelense confirmou neste domingo a morte de um soldado em confrontos com militantes do movimento islâmico Hamas, no segundo dia da ofensiva terrestre israelense na faixa de Gaza. O Hamas, contudo, reivindica a morte de ao menos cinco soldados israelenses.
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"Posso confirmar que um soldado do exército israelense foi morto esta manhã por um morteiro na área de Beit Lahiya", indicou um porta-voz militar, confirmando informação divulgada mais cedo pela rede de TV árabe Al Jazeera.
| Hatem Moussa/AP |
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| Fumaça pode ser vista após ataque israelense na Cidade de Gaza neste 9º dia de ofensiva |
O soldado israelense foi morto, segundo o jornal israelense "Haaretz", em um confronto com militantes em Gaza e foi a primeira morte do lado israelense confirmada, desde o início da ofensiva terrestre, neste sábado. Outro soldado, continua o jornal, foi gravemente ferido.
Segundo fontes médicas palestinas, ao menos 35 palestinos foram mortos na ofensiva terrestre. Entre as vítimas estariam uma mulher e quatro de seus filhos. Segundo o Exército de Israel, dezenas de membros do Hamas foram mortos, embora não especifiquem números.
A maioria dos palestinos mortos na ofensiva terrestre são civis, informou o vice-ministro de Saúde do Hamas e diretor-geral do Hospital de Shifa, Hassan Yalaf. "Israel está disparando contra casas e mercados", disse, por telefone, à agência internacional de notícias Efe.
Segundo a CNN, que cita fontes de inteligência palestinas, oito destas mortes aconteceram durante confrontos intensos entre soldados de Israel e militantes do Hamas, no norte de Gaza.
Outros quatro civis foram mortos por tiros israelenses em Rafah, no sul de Gaza. Um militante do Hamas, lista a CNN, morreu em Khan Younis, cinco pessoas morreram perto de um campo de refugiados em Jabalya e três morreram na Cidade de Gaza.
Segundo o "Haaretz", ao menos três das vítimas eram militantes do Hamas, que não admitiu as mortes.
O Exército israelense conta com tanques, artilharia pesada e aviões para proteger os soldados que avançam por terra contra a resistência do Hamas, que colocou diversas minas terrestres na região.
Assim, as tropas israelenses tomaram o controle de uma seção no oeste da parte norte de Gaza neste domingo, em menos de 24 horas do avanço da ofensiva terrestre na região.
Ataques
| Hussein Malla/AP |
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| Palestino mascarado protesta contra ofensiva terrestre israelense na região de Gaza |
Este domingo marca o nono dia consecutivo da grande ofensiva militar israelense contra alvos do Hamas na faixa de Gaza, que já deixa uma soma de 460 mortos e cerca de 2.350 feridos. Desde este sábado (3), as Forças de Defesa israelenses ampliaram a ofensiva com a invasão de Gaza com tanques e artilharias, uma medida que reduz ainda mais as esperanças de uma saída diplomática para o confronto e que deve aumentar significativamente o número de civis mortos.
As Forças de Defesa israelenses atacaram ao menos 45 alvos do Hamas, incluindo um quartel-general do grupo. Segundo porta-voz dos israelenses, soldados do país entraram em confronto com militantes radicais e dezenas de membros do Hamas foram 'atingidos'.
Crise
Segundo Yalaf, a situação no principal hospital da faixa de Gaza é dramática, já que o fornecimento de energia foi cortado há dois dias e não há remédios nem pessoal para atendimentos de emergência. 'Estamos há dois dias funcionando com os geradores, que podem parar a qualquer momento porque não temos reservas de combustível', disse o vice-ministro.
Segundo Yalaf, o hospital está totalmente lotado e a situação no local é angustiante. Israel mantém a fronteiras fechadas e já informou neste domingo que não permitirá a passagem de carregamentos com ajuda humanitária, alimentos e remédios, devido aos ataques terrestres.
Segundo testemunhas, os militares mantêm mais de 80 tanques, veículos blindados e escavadeiras no antigo assentamento judaico de Mitzarin.
As tropas de Israel dividiram a faixa de Gaza em duas partes para reduzir o fluxo de armas, suprimentos e militantes para a parte norte da região.
Na Cidade de Gaza, é possível ouvir o som dos aviões israelenses e das explosões e disparos da artilharia. As ruas, por sua vez, estão desertas, com dezenas de edifícios destruídos pelos bombardeios, entre eles o Parlamento do Hamas, totalmente arruinado.
Hamas
Já o Hamas afirmou neste domingo que matou cinco soldados israelenses e feriu outros 20, nos confrontos com o Exército na faixa de Gaza.
Um porta-voz das Brigadas de Qassam, braço armado do Hamas, afirmou ao canal árabe Al Jazeera que os soldados foram mortos durante as primeiras horas da invasão terrestre israelense.
"Durante a primeira meia hora da invasão, a resistência conseguiu explodir vários artefatos contra o Exército e os escutamos dizer que havia mais de cinco mortos e outros 20 feridos", disse o porta-voz.
O Exército israelense confirmou apenas a morte de um soldado e diz que outros 30 ficaram feridos.
Segundo o porta-voz, "o inimigo está desequilibrado" e tenta evitar os disparos dos militantes do Hamas.
O grupo islâmico afirmou neste domingo ter capturado dois soldados israelenses, informação que não foi confirmada pelo Exército e nem por líderes do Hamas entrevistados posteriormente pelas agências internacionais.
Ocupação
O governo israelense afirmou contudo que não tem a intenção de reocupar a faixa de Gaza, apesar do avanço da ofensiva terrestre. "Israel não tem nenhuma intenção de voltar a ocupar a faixa de Gaza", afirmou o secretário de governo, Ovid Yehezkel, após uma reunião do gabinete de segurança.
"A operação tem como único objetivo atingir os objetivos estabelecidos pelo gabinete", acrescentou Yehezkel. "A operação pode perdurar por um longo tempo. Ainda podemos enfrentar dias difíceis".
Com agências internacionais
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