Índia ameaça Paquistão caso ocorra novo atentado
colaboração para a Folha Online
O ministro do Interior da Índia, M.P. Chidambaram, ameaçou neste domingo o Paquistão de que, caso haja outro atentado terrorista semelhante ao de Mumbai, o país vizinho pagaria um "enorme preço". Ele, no entanto, não mencionou diretamente a possibilidade de um ataque militar.
Em uma entrevista à emissora privada NDTV, amplamente repercutida pela imprensa indiana, Chidambaram declarou que Islamabad deve se encarregar de que cidadãos paquistaneses não voltem a atentar contra a Índia.
| Gautam Singh/AP |
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| M.P.Chidambaram disse que Paquistão poderá pagar alto preço caso haja novo atentado |
"O preço que pagariam se isto se repetisse seria enorme", afirmou o recém-nomeado ministro do Interior. "Não disse a palavra 'guerra'", especificou, ao ser questionado sobre até onde iria uma possível reação.
A declaração coloca mais um entrave às desgastadas relações entre os dois países, depois dos atentados no fim de novembro passado, quando terroristas promoveram ataques na cidade de Mumbai, na Índia, matando 172 pessoas.
Os atentados foram assumidos por um grupo desconhecido, os Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia), que, de acordo com a Índia, foi treinado pelo Lashkar-e-Taiba, grupo separatista do Paquistão. A Índia afirma ainda que os terroristas são paquistaneses, algo que o Paquistão nega, pedindo provas.
Ainda assim, Chidambaram disse que "alguém familiarizado com a inteligência e com as operações de comandos dirigiu a operação. Não se pode tratar de cidadãos não-estatais", afirmou.
"De fato, presumo que são funcionários do Estado ou ajudados pelo Estado, até que se demonstre o contrário. Foi um crime muito grande, que precisou de um planejamento elaborado, redes de comunicações e apoio financeiro. Foi uma operação muito sofisticada", declarou, ao justificar a acusação.
Ele disse que os atentados, que deixaram 172 mortos, foram planejados do território paquistanês. Na semana que vem, o ministro irá visitar Washington.
| Jayanta Shaw/Reuters |
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| Ataques no centro financeiro de Mumbai provocam tensão entre a Índia e Paquistão |
Nacionalidade
A respeito da polêmica suscitada sobre a nacionalidade do único detido durante o assalto terrorista a Mumbai --que Islamabad afirma não haver provas de que seja paquistanês--, Chidambaram sugeriu a possibilidade de comparar o DNA de Ajmal Amir Kasab com o de seu pai para demonstrar que é paquistanês.
"Seu DNA está disponível. Se alguém comparar os dois, ficará claro quem estava no certo e quem não", desafiou.
A Índia e o Paquistão trocam acusações e exigências desde os atentados de Mumbai e, enquanto o Exército paquistanês decidiu deslocar um número limitado de tropas até agora "não-operativas" à fronteira entre os países, Nova Déli disse que seu movimento militar na fronteira obedece a "exercícios regulares de inverno (no hemisfério norte)".
No entanto, ambos os governos negaram-se em várias ocasiões a considerar a opção da guerra.
Com Efe
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