Mundo
04/01/2009 - 21h16

Hamas e tropas israelenses enfrentam-se em Gaza; cresce número de civis mortos

Publicidade

colaboração para a Folha Online

Tropas e tanques israelenses dividiram em dois o território da faixa de Gaza e cercaram sua principal cidade neste domingo, em uma ofensiva contra o Hamas que já matou 500 palestinos, incluindo um número crescente de civis, segundo fontes palestinas. Pelo menos 37 palestinos, a maioria civis, foram mortos nos ataques israelenses, disseram fontes médicas.

Veja galeria de fotos sobre os ataques
Comente a violência em Gaza
Leia a cobertura completa dos ataques à faixa de Gaza

Tanques israelenses dispararam contra supostas posições do grupo militantes, e aviões de combate prosseguiram os bombardeios enquanto o Hamas respondeu com morteiros e continuou a disparar foguetes contra o sul de Israel, desafiando os esforços do Exército mais poderoso do Oriente Médio para alcançar objetivo declarado das operações --eliminar a ameaça de ataques contra as cidades israelenses próximas à fronteira.

As operações terrestres tiveram início neste sábado (3), o oitavo dia dos ataques israelenses a Gaza, iniciados com bombardeios no último dia 27. O governo israelense diz que a ofensiva é uma resposta ao lançamento de foguetes por militantes palestinos da faixa de Gaza contra cidades do sul do país.

Mais de 500 palestinos morreram e 2.450 ficaram feridos nos ataques, segundo fontes de Gaza. A ofensiva começou uma semana depois do fim de uma trégua de seis meses firmada em junho entre o governo israelense e o Hamas.

"Essas primeiras 24 horas estão sendo muito interessantes, exigentes, duras, e estamos empenhados em prosseguir pelo tempo que for necessário para atingir os nossos objetivos", disse o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, em um encontro com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o enviado do Quarteto (ONU, EUA, União Europeia e Rússia) para negociar a paz na região.

Os líderes da política externa da União Europeia, que iniciaram uma missão para buscar um cessar-fogo na região, reconheceram que enfrentam uma tarefa difícil.

O governo israelense acusou o Hamas de usar civis como "escudos humanos", dizendo que o grupo islâmico dispara foguetes contra as cidades israelenses a partir de áreas densamente povoadas e armazena armas em casas e mesquitas.

Civis mortos

Entre as vítimas palestinas, cinco civis morreram e 40 ficaram feridos por projéteis lançados por um tanque na principal área comercial da cidade de Gaza. Outra explosão fez com que duas crianças perdessem membros em um ataque feito por um tanque, disseram os médicos.

"Os civis estão sendo mortos... os projéteis estão cortando as pernas das pessoas, os estilhaços estão ferindo as pessoas e entrando nas casas, muito estão sendo feridos. Todo mundo está aterrorizado", disse um médico estrangeiro do Crescente Vermelho, o equivalente da Cruz Vermelha nos países muçulmanos.

O comitê internacional da Cruz Vermelha disse neste domingo que Israel e o grupo islâmico palestino Hamas devem parar de matar e ferir civis, respeitar as leis internacionais, e evitar atacar civis e prédios públicos.

O diretor de operações da organização, Pierre Kraehenbuehl, disse que está preocupado com o aumento do número de civis mortos e feridos e com danos a hospitais.

Autoridades de Gaza informam que pelo menos 31 civis morreram desde a entrada por terra de forças israelenses no território. Kraehenbuehl disse que o lançamento de foguetes que coloquem civis em perigo também é proibido pela lei internacional.

O chefe dos serviços de emergência na faixa de Gaza, disse à rede de TV Al Jazeera, com sede no Qatar, que três palestinos de uma equipe de resgate foram mortos por fogo israelense neste domingo, o que eleva para sete o número de médicos que morreram em nove dias de ataques.

Segundo o Exército de Israel, um soldado israelense foi morto e 32 ficaram feridos na ofensiva terrestre. Quatro israelenses, todos civis, foram mortos por foguetes lançados pelo Hamas desde o início dos bombardeios israelenses.

Combates

Testemunhas disseram que o avanço israelense desde a fronteira até o mar Mediterrâneo dividiu o território de Gaza ao meio. A rede americana de notícias Fox News informou que mais uma coluna de soldados e tanques cortou o território de Gaza, dividindo-o em três partes.

Na manhã deste domingo, houve enfrentamentos entre combatentes do Hamas e soldados israelenses, mas mais tarde houve principalmente bombardeios israelenses e lançamento de foguetes e morteiros por parte do Hamas.

Um funcionário israelense em Jerusalém disse que a maior resistência enfrentada pelas tropas foram disparos de morteiros, mas que não houve grandes combates homem a homem com o Hamas. "O inimigo sionista deve saber que sua batalha em Gaza é perdida", disse Abu Ubaida porta-voz do braço armado do grupo radical islâmico.

Até o momento, foram registrados combates na altura de Jabaliya, no norte do território, e no bairro de Zeitun, a leste da cidade de Gaza. De acordo com testemunhas, cerca de 50 tanques e blindados e unidades de infantaria tomaram posição perto da antiga colônia judaica de Netzarim, três quilômetros ao sul da cidade de Gaza. Não foram registrados enfrentamentos nas maiores cidades da região.

Ruas desertas

No sul de Israel, escolas e shoppings permaneceram fechados e muitas ruas estavam quase vazias. Os ataques do Hamas com foguetes se intensificaram desde o início dos bombardeios israelenses e mataram quatro pessoas, entre elas um trabalhador da construção civil de origem árabe.

A situação dos residentes da cidade de Gaza, sobrevoada por aviões israelenses e cercada por tropas, é desesperadora. As pessoas estão refugiadas dentro de casa há dias e as agências humanitárias disseram que faltam água, alimentos e suprimentos médicos. Na cidade de Gaza, sobrevoada por aviões israelenses, o comércio e as sedes do serviço público permanecem fechados.

As ruas estão praticamente vazias, excetuando-se as filas diante das padarias, devido à previsão uma campanha militar prolongada. "Trememos como crianças", confessa Yehia Anis Husein, do bairro de Zeitun. "Antes desta ofensiva, era o bloqueio que nos matava. É uma situação insuportável", acrescenta.

O PMA (Programa Mundial de Alimentos) denunciou uma situação alimentar das "mais precárias" em Gaza.

Com Reuters, Associated Press e France Presse

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca