Mundo
05/01/2009 - 01h13

Tropas israelenses dividem território de Gaza; mortos passam de 500

Publicidade

da Folha Online

Tropas e tanques israelenses dividiram o território da faixa de Gaza e cercaram sua principal cidade em uma ofensiva contra o Hamas que já matou ao menos 500 palestinos, incluindo um número cada vez maior de civis, segundo fontes palestinas.

Brasileira descreve insegurança durante ataque do Hamas; ouça
Veja galeria de fotos sobre os ataques
Comente a violência em Gaza
Leia a cobertura completa dos ataques à faixa de Gaza

Na madrugada desta segunda-feira (hora local), tanques israelenses continuaram avançando, pelo décimo dia seguido de ofensiva contra o território palestino. As operações terrestres tiveram início neste sábado (3), o oitavo dia dos ataques israelenses a Gaza, iniciados com bombardeios no último dia 27. O governo israelense diz que a ofensiva é uma resposta ao lançamento de foguetes por militantes palestinos da faixa de Gaza contra cidades do sul do país.

Neste domingo, os blindados dispararam contra supostas posições do grupo militantes, e aviões de combate prosseguiram os bombardeios enquanto o Hamas respondeu com morteiros e continuou a disparar foguetes contra o sul de Israel, desafiando os esforços do Exército mais poderoso do Oriente Médio para alcançar objetivo declarado das operações --eliminar a ameaça de ataques contra as cidades israelenses próximas à fronteira.

Sebastian Scheiner/AP
Tanque israelense avança no território da faixa de Gaza em meio à ofensiva contra palestinos; território palestino está dividido em dois
Tanque israelense avança no território da faixa de Gaza em meio à ofensiva contra palestinos; território palestino está dividido em dois

Mais de 500 palestinos morreram e 2.450 ficaram feridos nos ataques, segundo fontes de Gaza. A ofensiva começou uma semana depois do fim de uma trégua de seis meses firmada em junho entre o governo israelense e o Hamas.

O governo israelense acusou o Hamas de usar civis como "escudos humanos", dizendo que o grupo islâmico dispara foguetes contra as cidades israelenses a partir de áreas densamente povoadas e armazena armas em casas e mesquitas.

Civis mortos e divisão

O comitê internacional da Cruz Vermelha disse neste domingo que Israel e o grupo islâmico palestino Hamas devem parar de matar e ferir civis, respeitar as leis internacionais, e evitar atacar civis e prédios públicos.

Testemunhas disseram que o avanço israelense desde a fronteira até o mar Mediterrâneo dividiu o território de Gaza ao meio. A rede americana de notícias Fox News informou que mais uma coluna de soldados e tanques cortou o território de Gaza, dividindo-o em três partes.

Hussein Malla/AP
Palestino mascarado protesta contra ofensiva terrestre israelense na região de Gaza
Palestino mascarado protesta contra ofensiva terrestre israelense na região de Gaza

Na manhã deste domingo, houve enfrentamentos entre combatentes do Hamas e soldados israelenses, mas mais tarde houve principalmente bombardeios israelenses e lançamento de foguetes e morteiros por parte do Hamas.

Um funcionário israelense em Jerusalém disse que a maior resistência enfrentada pelas tropas foram disparos de morteiros, mas que não houve grandes combates homem a homem com o Hamas.

"O inimigo sionista deve saber que sua batalha em Gaza está perdida", disse Abu Ubaida porta-voz do braço armado do grupo radical islâmico.

Preocupação internacional

A missão diplomática da União Europeia expressou ontem sua profunda preocupação pela situação dos palestinos em Gaza e afirmou que esgotará todas as instâncias de negociação para conseguir uma trégua. Ao mesmo tempo, o serviço de segurança israelense Shin Bet afirmou que o Hamas reduziu suas condições para um cessar-fogo.

Para o chefe do Shin Bet, Yuval Diskin, "há sinais de que o Hamas reduziu suas exigências em relação às condições de um cessar-fogo", disse Diskin, citado pelo "Haaretz", sem especificar quais condições o Hamas abriu mão.

A missão da UE, liderada pelo ministro tcheco de Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg, chegou ao Egito para uma viagem pela região, com a missão de tentar buscar um acordo entre as partes para que pare a violência em Gaza. "Estamos profundamente comovidos por esta situação", afirmou o ministro tcheco. "Temos que fazer algo e não pararmos em declarações", disse, por sua parte, o ministro francês, Bernard Kouchner.

O Hamas, que tomou o controle da faixa de Gaza em 2007, exige que Israel derrube o bloqueio à região e abra todas as passagens. Israel não se mostrou disposto a ceder às exigências e afirmou que só negociará um cessar-fogo com garantias efetivas de que o Hamas interromperá o lançamento der foguetes contra seu território.

Segundo Diskin, a ofensiva militar de Israel na faixa de Gaza, que foi ampliada neste sábado (3) com a invasão do Exército na região, causou danos sem precedentes à infraestrutura e ao pessoal do Hamas. Hamas "foi atingido como nunca antes". "Muitos oficiais do Hamas estão escondidos em mesquitas de Gaza, esperando que Israel não ataque as casas de oração muçulmanas", disse ainda Diskin.

Tara Todras-Whitehill/AP
Fumaça e explosões podem ser vistas durante operação militar israelense na faixa de Gaza
Fumaça e explosões podem ser vistas durante operação militar israelense na faixa de Gaza

Ruas desertas

No sul de Israel, escolas e shoppings permaneceram fechados. A situação dos residentes da cidade de Gaza, sobrevoada por aviões israelenses e cercada por tropas, é desesperadora.

As pessoas estão refugiadas dentro de casa há dias e as agências humanitárias disseram que faltam água, alimentos e suprimentos médicos. Na cidade de Gaza o comércio e as sedes do serviço público permanecem fechados.

As ruas estão praticamente vazias, excetuando-se as filas diante das padarias, devido à previsão uma campanha militar prolongada. "Trememos como crianças", confessa Yehia Anis Husein, do bairro de Zeitun. "Antes desta ofensiva, era o bloqueio que nos matava. É uma situação insuportável", acrescenta.

O PMA (Programa Mundial de Alimentos) denunciou uma situação alimentar das "mais precárias" em Gaza.

Com Reuters, Associated Press e France Presse

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca