Mundo
05/01/2009 - 09h17

Israel sabe que derrubar Hamas não é realista, diz analista

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da Folha Online

Nesta segunda-feira, Israel entra no décimo dia consecutivo da grande ofensiva militar contra alvos do movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza. E embora afirme que a ofensiva tem como objetivo tirar o Hamas do poder na região, Israel sabe que isso exigiria a indesejável reocupação de Gaza.

Esta é a opinião de Eyal Zisser, especialista em cenários pós-guerra. Diretor do Centro Moshe Dayan de Estudos do Oriente Médio, da Universidade de Tel Aviv, nos últimos anos dedicou-se a estudar o impacto da segunda Guerra do Líbano (2006) sobre Israel e o mundo árabe e concedeu entrevista a Marcelo Ninio, enviado especial da Folha à região (a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

"Acho que Israel gostaria de tirar o Hamas do poder, mas entende que esse não é um objetivo realista. Para derrubar o Hamas, é preciso não apenas entrar em Gaza. É necessário controlar o território, o que Israel não quer voltar a fazer."

Para Zisser, a intransigência do Hamas, que não dialoga com Israel nem reconhece seu direito de existir, tornou a ofensiva em Gaza inevitável. Assim, o objetivo da missão militar é obter um acordo de cessar-fogo como no Líbano [em 2006], para colocar um fim ao disparo de foguetes.

"Isso incluiria algum tipo de supervisão internacional que impeça o disparo de foguetes e também controle a fronteira de Gaza com o Egito, para não permitir a entrada de armas".

O professor avalia ceticamente que os ataques israelenses sobre alvos do Hamas vão "ensinar uma lição" ao grupo, mas não destruí-lo. "O resultado é que, no futuro, será mais cuidadoso em seu confronto com Israel. Nada além disso."

Zisser diz ainda que Israel deve estabelecer como objetivo pós-guerra chegar a uma situação em que o Hamas esteja suficientemente enfraquecido para que possa haver um acordo que interrompa os ataques com foguetes.

"Depois disso, a condição básica para que Israel possa entrar em negociações com o Hamas é que o grupo reconheça seu direito de existir. Mas isso não parece estar nos planos do Hamas".

 

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