Mundo
05/01/2009 - 13h34

Israel rejeita pedido da UE por trégua; líder do Hamas promete vitória em Gaza

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da Folha Online

A ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, rejeitou nesta segunda-feira os apelos de diplomatas europeus que foram a Jerusalém pedir um cessar-fogo imediato entre Israel e o movimento islâmico radical Hamas em Gaza. Do outro lado, o líder do grupo prometeu em discurso televisionado a vitória dos militantes na região, que vive o décimo dia consecutivo da ofensiva militar israelense.

"Nós combatemos o terrorismo e não faremos acordo com o terrorismo", afirmou Livni, sobre o Hamas, grupo considerado terrorista por Israel e pelos Estados Unidos e que controla a faixa de Gaza desde junho de 2007.

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Jim Hollander/Efe
Alto representante para Política Externa da UE, Javier Solana, se encontrou com a ministra israelense, Tzipi Livni, para pedir cessar-fogo
Alto representante da UE, Javier Solana, se encontrou com a ministra israelense, Tzipi Livni, para pedir um cessar-fogo

Segundo Livni, a grande ofensiva israelense na região --que, em dez dias de bombardeios aéreos, navais e terrestres, deixou mais de 500 palestinos mortos e cerca de 2.500 feridos-- visa "mudar a equação da região" e interromper definitivamente os ataques com foguetes do Hamas contra o território israelense.

A ministra disse entender o desejo da comunidade internacional para ver a paz na região e disse que Israel tem o mesmo desejo. "Nós não estamos tentando punir a população de Gaza. Estamos tomando todas as atitudes para evitar mortes de civis, mas, infelizmente, eles [Hamas] se escondem entre civis".

Ao lado dos ministros de Relações Exteriores tcheco, francês e suíço, Livni afirmou que a entrada do Exército israelense em Gaza --e a iminente invasão da Cidade de Gaza-- é legítima defesa dos ataques dos militantes do Hamas.

Livni, segundo o jornal israelense "Haaretz", disse ainda que Israel não tem escolha senão retaliar quando é atacado.

A ministra afirmou que o Oriente Médio foi dividido entre moderados e extremistas e que "todo mundo na região precisa escolher um lado e escolher onde pertence".

"O que estamos fazendo na região representa a batalha contra o extremismo e o terror", disse Livni, acrescentando que os líderes moderados da região compreendem os laços do Hamas com Irã e o grupo xiita libanês Hizbollah.

Hamas

Nesta segunda-feira, o líder mais influente do Hamas em Gaza, Mahmud al Zahar, prometeu a vitória do grupo palestino contra a ofensiva de Israel. Uma declaração que confirma, junto a de Livni, a falta de interesse dos dois lados em um cessar-fogo humanitário proposto pela comunidade internacional. "A vitória está chegando, com a graça de Deus", afirmou Zahar em um discurso lido no canal de televisão do Hamas, Al Aqsa, o primeiro dele desde o início da ofensiva militar de Israel em Gaza, no último dia 27.

"Eles [forças israelenses] atacaram todo mundo em Gaza. Eles atacaram crianças e hospitais e mesquitas e, fazendo isso, eles dão legitimidade para que os ataquemos da mesma forma", disse o líder.

Sobre um possível acordo com Israel, Zahar afirmou: "nossas exigências são claras: o problema não são os foguetes Qassam, o problema é a agressão e as tropas e o bloqueio imposto a nós". Hamas afirma que só assinará uma nova trégua se Israel derrubar o bloqueio à região --imposto para reduzir o fluxo de armas na região e enfraquecer o poder do grupo-- e abrir todas as passagens da região.

Segundo o líder, o braço militar do Hamas, as Brigadas Izzedin al Qassam, "deram os mais belos exemplos de confronto com um exército que o mundo acredita ser invencível". "Vamos vencer com a graça de Deus", insistiu.

Mesmo após dez dias consecutivos da grande ofensiva militar, o Hamas continua lançando dezenas de foguetes contra o sul do país. Segundo o "Haaretz", ao menos 10 foguetes Qassam atingiram o sul de Israel somente nesta segunda-feira.

Segundo Israel, a ofensiva militar é justamente uma resposta à violação --com o lançamento constante de foguetes-- do Hamas da trégua de seis meses assinada com Israel e que acabou oficialmente no último dia 19.

Com Efe e France Presse

 

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