Mundo
06/01/2009 - 07h33

Índia diz que Paquistão usa terrorismo como "política de Estado"

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da Folha Online

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, afirmou nesta terça-feira que a "sofisticação e a precisão militar" dos atentados terroristas de novembro passado em Mumbai teve que contar com o apoio de alguma agência oficial paquistanesa e acusou Islamabad de usar o terrorismo como "política de Estado".

Logo após o cerco de três dias à capital financeira da Índia --que matou 172 pessoas--, a Índia acusou militantes islâmicos treinados no Paquistão pelo envolvimento no planejamento dos atentados. Citando o interrogatório do único terrorista capturado vivo, eles dizem que o grupo terrorista Lashkar-e-Taiba, que se estabelece no Paquistão, está por trás dos ataques a locais importantes e muito frequentados da cidade.

Singh reiterou as acusações ao país vizinho durante uma conferência sobre segurança nacional, televisionada ao vivo pela imprensa indiana, à qual foram os líderes regionais e o ministro do Interior indiano, P. Chidambaram, entre outras autoridades.

Segundo o primeiro-ministro, o ataque de 26 de novembro passado em Mumbai, tinha o objetivo de "explorar a vulnerabilidade" da Índia. Ele disse ainda que, no último ano, o país enfrentou ataques de grupos estrangeiros que em alguns casos atuam em "associação com agências de inteligência hostis" --uma declaração entendida como acusação de que os atentados foram planejados não apenas por um grupo terrorista, mas também por agentes da inteligência paquistanesa.

Nesta segunda-feira (5), a Índia entregou ao Paquistão um relatório que, segundo o governo indiano, contém prova detalhada que liga os militantes que realizaram os atentados terroristas em Mumbai a elementos paquistaneses.

As duas potências nucleares já se enfrentaram em três guerras desde a independência de ambos do Reino Unido, em 1947. Desde os atentados de 26 de novembro passado, em Mumbai, os dois países vivem uma relação diplomática ainda mais tensa marcada por troca de acusações.

Singh voltou a responsabilizar pelos atentados de Mumbai o grupo Lashkar-e-Taiba, que pede a anexação da Caxemira ao país onde estão instalados.

O primeiro-ministro reconheceu que a complexidade de garantir a segurança na Índia aumentou nos últimos meses e afirmou que é necessária uma aproximação integral para fazer frente à ameaça terrorista.

"Temos que convencer a comunidade mundial de que os países que usam o terrorismo como um instrumento de política externa devem ser isolados", alertou.

O líder indiano pediu a aplicação de uma política de "tolerância zero" contra o terrorismo e destacou como prioridades de seu Executivo a proteção da integridade territorial e da segurança interna.

Atentados

As ações terroristas coordenadas, levadas a cabo em 26 de novembro deste ano em Mumbai, capital financeira da Índia, concentraram-se em regiões nobres da cidade, onde ficam dois dos mais luxuosos hotéis: Taj Mahal e Oberoi Trident, além do aeroporto internacional. Ao todo, 172 pessoas morreram devido aos ataques.

Explosões também foram registradas em outros pontos, como a estação de trem Chhatrapati Shivaji, uma das mais movimentadas da Índia, um cinema, delegacias, um hospital que atendia feridos nos ataques e o popular Café Leopold, muito frequentado por turistas e gente de Bollywood --a indústria cinematográfica indiana.

Os ataques foram assumidos por um grupo terrorista desconhecido, os Mujahedin de Deccan (Deccan é um planalto no sul da Índia), que, segundo os investigadores indianos, citando o interrogatório do único terrorista capturado vivo, teriam sido treinados pelo Lashkar-e-Taiba.

 

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