Mundo
06/01/2009 - 09h25

Israel criará nova realidade em Gaza, diz ex-chanceler

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da Folha Online

Israel não quer destruir o movimento islâmico radical Hamas politicamente, mas militarmente, afirma Shlomo Ben Ami, analista israelense e ex-chanceler (2000-01) no governo do então premiê Ehud Barak.

Em entrevista à Folha, ele afirmou que o objetivo da grande ofensiva militar israelense, que em onze dias consecutivos deixou mais de 500 mortos e cerca de 2.500 feridos, é criar uma nova realidade "para impedir que o grupo tenha tantas armas como antes" (íntegra disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

A saída para a crise na região, que existe há anos, mas foi agravada pela ofensiva, deve incluir, segundo o ex-chanceler, um cessar-fogo, um monitoramento para um controle rigoroso da fronteira Gaza-Egito, o fim do uso de Gaza como base de lançamento de mísseis contra o território israelense e a troca de prisioneiros.

"Eu acho que o presidente Mahmoud Abbas deveria produzir este cessar-fogo, para que recupere a legitimidade aos olhos do povo palestino. Só assim ele poderá dar seguimento às negociações de paz", disse Ben Ami.

O ex-chanceler defendeu ainda a ideia de uma negociação direta entre Israel e Hamas, embora reconheça que isto não está nos planos de Tel Aviv. "Cedo ou tarde precisaremos iniciar algum tipo de processo político. O Hamas não é uma organização jihadista global, mas uma entidade nacionalista que não exporta terror fora da Palestina. Seu negócio é a libertação palestina".

Os ataques à Gaza afetaram, para Ben Ami, a política israelense, com a total suspensão da campanha para as eleições legislativas, marcadas para 10 de fevereiro, após o fracasso da ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni, em criar um governo.

""É provável que o ministro da Defesa [e candidato trabalhista, Ehud Barak] se fortaleça nas pesquisas de opinião e, em função do andar da ofensiva, isso pode ter um impacto sobre as posições do líder da oposição [o ex-premiê linha dura Binyamin Netanyahu]", disse Ben AMi, acrescentando que há um consenso na política israelense de que a ofensiva era absolutamente necessária.]

 

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