Tony Blair afirma que trégua em Gaza é possível com bloqueio de armas ao Hamas
da Folha Online
O ex-primeiro-ministro do Reino Unido e atual enviado especial no Oriente Médio, Tony Blair, afirmou nesta terça-feira que um cessar-fogo na faixa de Gaza poderia ser alcançado em poucos dias se forem cortadas as rotas que fornecem armas ao Hamas.
Israel comanda nesta terça-feira o 11º dia consecutivo de uma grande ofensiva militar contra o grupo islâmico radical na faixa de Gaza, ataques que deixaram mais de 550 mortos e cerca de 2.500 feridos.
Em declarações à Rádio 4 da rede britânica BBC, Blair disse que todas as partes "responsáveis" na região deveriam trabalhar a favor de uma suspensão imediata das hostilidades.
"Há circunstâncias nas quais podemos obter um imediato cessar-fogo, isso é o que as pessoas querem ver. Estas circunstâncias estão centradas muito em torno de uma ação clara de cortar o fornecimento de armas e dinheiro através de túneis que vão do Egito a Gaza", afirmou Blair.
A fronteira entre Egito e a faixa de Gaza tem quase 200 túneis, segundo o Exército israelense, que bombardeou estes locais em várias ocasiões durante a ofensiva. Os túneis foram construídos pelos militantes do Hamas depois que Israel impôs um bloqueio à região, em 2007, como forma de enfraquecer o poder do grupo na faixa de Gaza.
A derrubada do bloqueio é uma das exigências do Hamas --junto à liberação de todas as passagens- para um cessar-fogo. Israel, por sua vez, exige o fim do lançamento de foguetes contra seu território. Nenhuma das partes, contudo, se mostrou disposta a um cessar-fogo desde o início da ofensiva.
"Acho que se houver uma ação forte, clara, definitiva, nos dá o melhor contexto para um imediato cessar-fogo e para começar a mudar esta situação", disse Blair, enviado do Quarteto de Madri --formado pela ONU (Organização das Nações Unidas), Estados Unidos, União Europeia e Rússia-- para o Oriente Médio
Segundo Blair, o movimento islâmico Hamas, com o qual ele e outros representantes internacionais se negam a dialogar, está em contato com o Egito. Nesta terça-feira, representantes do Hamas devem se encontrar com autoridades eegípciaspara negociar um cessar-fogo.
Ele admitiu ainda que é difícil julgar se o Hamas está disposto a dar os passos necessários para acabar com a violência. "Eu espero que sim, porque, se realmente se preocupa com as pessoas em Gaza, há uma possível saída que poderia ser traduzida em uma interrupção imediata das hostilidades".
Ajuda
Sobre a situação humanitária em Gaza, Blair disse que é um "inferno" e há uma situação de "efetiva zona de guerra". "Não é um território grande, é uma das áreas mais povoadas do mundo", afirmou, sobre a região ocupada por cerca de 1,5 milhão de palestinos.
Blair pediu ainda ao presidente eleito dos EUA, Barack Obama, que trabalhe no conflito no Oriente Médio assim que assumir a Presidência, em 20 de janeiro.
Obama passou os primeiros dias do conflito sem se pronunciar, alegando que os EUA têm apenas um presidente por vez. Nesta segunda-feira (5), contudo, ele foi lacônico ao comentar a situação na faixa de Gaza pela primeira vez. O democrata afirmou estar recebendo relatórios diários sobre o conflito, se disse "preocupado" com a situação, mas ressaltou que não intervirá nas "delicadas negociações" diplomáticas em andamento.
"Não pode haver duas vozes vindo dos EUA", disse o presidente eleito, reiterando argumento já usado.
Com Efe e France Presse
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