Mundo
06/01/2009 - 11h02

Presidente francês insiste que não há solução militar para Gaza

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da Folha Online

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, insistiu nesta terça-feira que "não há uma solução militar" para a faixa de Gaza, que vive o 11º dia consecutivo da grande ofensiva militar israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas na região, que deixou mais de 550 mortos e cerca de 2.500 feridos.

Sarkozy, que acaba de deixar a Presidência rotativa da União Europeia, tenta mediar um cessar-fogo entre Israel e Hamas. Ele se reuniu nesta segunda-feira, em Damasco, com o presidente sírio, Bashar al-Assad, como parte da viagem pelo Oriente Médio que o levou nesta segunda-feira (5) a Egito, Cisjordânia e Israel e que terminará hoje no Líbano.

O presidente francês disse ser favorável a mudar "o círculo de violência pelo círculo da paz". "A violência deve terminar o mais rápido possível", afirmou Sarkozy em referência aos ataques israelenses contra Gaza que começaram em 27 de dezembro passado e também ao lançamento de foguetes a partir deste território palestino contra Israel.

Sarkozy disse ainda que levou esta mensagem aos líderes israelenses, a quem também pediu que se permita que as agências de ajuda humanitária possam entrar em Gaza para dar assistência aos seus cerca de 1,5 milhão de habitantes.

O presidente francês, contudo, não comentou a recusa de Israel em aceitar seu pedido por um cessar-fogo.

A visita de Sarkozy a Damasco é uma etapa fundamental de seus esforços para alcançar a trégua já que, na capital síria, estão exilados os principais líderes do Hamas. Além disso, Assad é um dos líderes regionais que maior influência pode exercer sobre o grupo palestino.

Foguetes

Em entrevista aos jornalistas, Sarkozy pediu a Assad que convença o Hamas a interromper o lançamento de foguetes a partir de Gaza. "A Síria deveria nos ajudar a convencer o Hamas a escolher a voz da razão", afirmou francês.

A interrupção do lançamento de foguetes é a principal exigência de Israel para assinar um acordo de cessar-fogo com o Hamas. Segundo Israel, a ofensiva militar na faixa de Gaza foi lançada justamente para interromper os ataques do Hamas contra o território israelense.

Dois Estados

O presidente francês defendeu ainda uma solução de longo-prazo para a região, ao invés de apenas mais um cessar-fogo temporário, como o acordo de seis meses encerrado oficialmente no último dia 19.

Ele defendeu a proposta da existência de dois Estados, um palestino e um israelense, que já foi aceita em linhas gerais pelas duas partes --mas ainda enfrentam resistência sobre áreas como Jerusalém.

"Todos deveriam ouvir a voz da razão", declarou Sarkozy, que também rejeitou a possibilidade de que se retorne ao estado de violência e ataques regulares anterior à ofensiva militar iniciada por Israel no dia 27 de dezembro passado.

"O retorno ao que havia antes é inaceitável, não podemos chegar a este ponto", declarou. "Não podemos continuar sem garantir a segurança de Israel [pelo lançamento de foguetes do Hamas] e mantendo fechadas as passagens de Gaza".

Desde que o Hamas tomou o controle da faixa de Gaza, em junho de 2007, após duros combates com forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, o território sofre um bloqueio israelense e o fechamento da fronteira com o Egito.

Prisão

O presidente sírio criticou o bloqueio israelense e afirmou que, desde então, Gaza se transformou em "uma grande prisão". Segundo Assad, só restam duas alternativas para os cerca de 1,5 milhão de habitantes de Gaza: "morrer lentamente" pelo bloqueio fronteiriço ou "morrer imediatamente" por causa dos ataques que estão sofrendo.

O líder sírio afirmou ainda que Israel se arrisca em Gaza a cometer os "mesmos erros" nos quais se envolveu no conflito de 2006 no Líbano contra o Hizbollah. Neste ano, Israel travou uma guerra contra o Hizbollah após a captura de dois de seus soldados pela milícia xiita. Este conflito deixou mais de 1.200 mortos no Líbano, na maioria civis, e 160 vítimas israelenses, na maioria soldados.

"A questão é quem pagará agora o preço e os israelenses o pagarão também", acrescentou Assad, cujo país apoia o Hamas.

Com Efe e France Presse

 

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