Proposta de cessar-fogo da França e do Egito recebe apoio até dos EUA
colaboração para a Folha Online
França e Egito apresentaram um plano para deter a ofensiva israelense na faixa de Gaza e iniciar um diálogo que coloque fim ao bloqueio sofrido pelo território palestino, anunciou nesta segunda-feira o ministro de Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner. Os Estados Unidos, que se opuseram às propostas anteriores apresentadas ao Conselho de Segurança da ONU pela Líbia, manifestaram apoio limitado à proposta franco-egípcia, também respaldada pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
Desde o início dos bombardeios israelenses, no último dia 27, mais de 600 palestinos morreram, cerca de um quarto civis, de acordo com a ONU. Nove israelenses morreram, entre eles três civis atingidos por foguetes lançados pelo Hamas.
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O chanceler francês apresentou o plano ao Conselho de Segurança e destacou que o mesmo foi elaborado pelos presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e da França, Nicolas Sarkozy, durante uma segunda reunião entre ambos, realizada nesta terça-feira em Sharm el-Sheikh, em território egípcio.
"A prioridade imediata é deter a violência", afirmou Kouchner.
Pouco tempo depois, quando teve a palavra na reunião do CS, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, deu seu sinal verde à iniciativa.
"Expresso meu apoio ao plano" apresentado "hoje pelos presidentes Mubarak e Sarkozy", afirmou Abbas, que foi à ONU levar um projeto de resolução para pôr fim à ofensiva israelense em Gaza.
Em sua intervenção, Kouchner disse que o plano inclui a abertura de um diálogo do qual participem o Hamas e a Autoridade Nacional Palestina e que adote "todas as medidas necessárias" para deter a violência.
Nesse diálogo, seriam incluídos assuntos como o combate ao contrabando de armas na fronteira de Gaza e a reabertura de todos os postos de controle fronteiriços fechados desde que o Hamas assumiu o controle da faixa territorial em junho de 2007, expulsando o Fatah, partido de Abbas.
O ministro francês pediu o apoio dos 15 membros do CS ao plano. Além disso, declarou que "todos os países da região devem ajudar e dar sua contribuição".
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também expressou seu apoio à proposta de Mubarak e Sarkozy para que as partes saiam "do ponto morto" no qual se encontram.
Ban defendeu abertura das passagens fronteiriças à assistência humanitária e afirmou que um cessar-fogo durável e que seja totalmente respeitado pelas duas partes deve ser declarado imediatamente.
"Nós precisamos urgentemente concluir um cessar-fogo que possa durar e que possa trazer segurança real", disse Rice ao Conselho de Segurança. "A esse respeito, nós estamos felizes e gostaríamos de louvar a iniciativa do presidente do Egito, e incrementar essa iniciativa."
Ela esclareceu que a verdadeira saída para o conflito não está no retorno à situação de antes o 27 de dezembro, quando começou a ofensiva israelense.
Rice disse que a meta de qualquer acordo deve ser "a normalização e a estabilização de Gaza", o que inclui que o controle do território volte às mãos da ANP.
Segundo o jornal "Jerusalem Post", Autoridades diplomáticas de Israel disseram que uma resolução do Conselho de Segurança para dar fim ao conflito, similar à que encerrou a guerra com o Líbano, em 2006, só poderia ser aceita se um mecanismo para parar o contrabando de armas para Gaza estivesse previsto.
"Ela [a operação militar] vai parar quando as condições que são essenciais para a segurança de Israel forem alcançadas", disse o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, em um tour por cidades do sul do país nesta terça-feira. "Antes de tudo, as operações terroristas contra nós devem parar. O fortalecimento de organizações terroristas pelo contrabando de material de guerra do Egito para Gaza deve parar."
A participação dos líderes do Hamas nas negociações é incerta, mas o Egito é considerado um dos poucos interlocutores considerados confiáveis tanto por eles quanto pelos israelenses, como demonstra o cessar-fogo de seis meses costurado por Mubarak entre as duas partes e cujo fim, no último dia 19, reacendeu as tensões que levaram ao início da atual ofensiva, uma semana depois.
Uma delegação do Hamas esteve no Egito nesta terça-feira para fazer contatos diplomáticos.
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