ONU desmente presença de combatentes em escola atacada por Israel em Gaza
da Folha Online
Nesta quarta-feira, a ONU (Organização das Nações Unidas) desmentiu a afirmação do governo israelense de que havia combatentes palestinos do grupo radical islâmico Hamas na escola da faixa de Gaza administrada por uma de suas agências humanitárias que foi alvo de um ataque de tanques nesta terça-feira (6). No ataque, mais de 40 morreram.
"Depois de uma investigação preliminar, temos 99,9% de certeza que não existiam ativistas nem atividades militares na escola", afirmou Chris Gunness, porta-voz da Agência das Nações Unidas para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA).
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Nesta quarta-feira, Israel interrompe por três horas, até às 16h (12h, no horário de Brasília), os bombardeios contra alvos do Hamas na faixa de Gaza. A grande ofensiva militar israelense, iniciada no último dia 27, já deixou mais de 600 mortos e cerca de 2.500 feridos. A possibilidade de uma trégua continua distante com a recusa de Israel em aceitar a proposta internacional por um cessar-fogo e a declaração do líder do Hamas, Moussa Abou Marzouk, de que o grupo rejeita uma trégua permanente com Tel Aviv.
O ataque israelense contra a escola foi um dos mais polêmicos desde o início da grande ofensiva militar contra alvos do Hamas na região. Segundo Israel, combatentes palestinos haviam se posicionado no local para disparar morteiros contra suas tropas. A ONU afirma que a escola estava sendo usada para abrigar civis refugiados dos confrontos entre Israel e Hamas.
"Pedimos uma investigação independente. Se as leis da guerra foram violadas, os culpados terão que comparecer à Justiça", acrescentou.
Segundo fontes médicas palestinas, 43 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas no ataque. A ONU afirma que 30 civis morreram e 55 ficaram feridos.
Duas outras escolas haviam sido atacadas na noite de segunda-feira na cidade de Gaza em bombardeios que deixaram ao menos cinco palestinos mortos.
Defesa
"Os primeiros elementos de que dispomos é que houve disparos hostis contra uma de nossas unidades a partir de uma instalação da ONU. Nós respondemos", afirmou na terça-feira o porta-voz do governo israelense, Mark Regev, depois do ataque.
O especialista em Oriente Médio, estratégia e comunicação da Universidade Bar-Ilan, Eitan Gilboa, afirmou nesta quarta-feira, em entrevista à Folha, que a escola era usada pelo Hamas como base militar e depósito de munição.
"Todos sabem que esse lugar em particular era usado como uma base militar e como um depósito de munição. Aviões israelenses não-pilotados detectaram membros do Hamas usando a escola para disparar foguetes, com mulheres e crianças dentro para se proteger", diz Gilboa.
Ele culpa o Hamas pelo ataque e diz que o alto número de vítimas civis é responsabilidade do grupo que usa mulheres e crianças como escudo.
Acusação
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou estar "profundamente consternado" e qualificou de "totalmente inaceitáveis" os ataques israelenses às escolas.
Em comunicado, Ban Ki-moon destaca que as localizações dessas escolas, que serviram de refúgio aos palestinos desabrigados pela ofensiva israelense, "haviam sido comunicadas às autoridades israelenses e eram conhecidas pelo Exército hebreu".
"Isso não impediu a tragédia e estou profundamente consternado. Esses ataques por forças israelenses, que põem em perigo as instalações da ONU utilizadas como abrigo, são totalmente inaceitáveis e não devem se repetir", acrescentou.
"Depois dos primeiros ataques, o governo israelense foi advertido de que suas operações estavam pondo as instalações da ONU em perigo", disse Ki-moon. "Estou profundamente consternado com o fato de que, apesar desses esforços, as tragédias continuaram".
Com France Presse
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