Israel retoma bombardeios em Gaza; mortos chegam a 600
da Folha Online
Atualizado às 13h31.
Israel retomou às 16h (12h no horário de Brasília) os bombardeios em sua ofensiva militar contra alvos do movimento islâmico radical Hamas na faixa de Gaza. O Exército israelense interrompeu os ataques à região por três horas para permitir a passagem de caminhões com ajuda humanitária para os cerca de 1,5 milhão de palestinos afetados pela ofensiva militar, que já soma 600 palestinos mortos e cerca de 2.500 feridos.
Veja galeria de fotos sobre os ataques
Envie seu relato e suas fotos sobre ofensiva de Israel em Gaza
Comente a violência em Gaza
Leia a cobertura completa dos ataques à faixa de Gaza
Segundo a agência internacional de notícias France Presse, o Exército israelense efetuou um bombardeio no bairro de Zeitun, no leste da Cidade de Gaza. Segundo fontes médicas, o ataque deixou uma pessoa ferida.
Segundo a agência internacional de notícias Efe, Israel retomou também os bombardeios aéreos a vários túneis na região de Rafah, no sul de Gaza, usados pelos militantes do Hamas para contrabandear armas e escapar do bloqueio israelense.
| Olivier Hoslet/Efe |
![]() |
| Coluna de fumaça pode ser vista após impacto de mísseis israelenses sobre faixa de Gaza na retomada dos bombardeios |
Os aviões israelenses atacaram também algumas casas em Yabalia, norte da faixa de Gaza, segundo testemunhas.
O Hamas, que afirmou que respeitaria o cessar-fogo de três horas, também retomou os lançamentos de foguetes, feitos por militantes de seu braço armado, as Brigadas Al Qassam, contra o sul de Israel. Nos próximos dias, Israel decidirá se vai manter ou não a suspensão dos bombardeios por três horas, como fez nesta quarta-feira, dependendo da situação em Gaza, afirmou Peter Lerner, porta-voz do Ministério de Defesa israelense.
O Hamas afirmou que respeitará a trégua diária e não vai disparar foguetes contra Israel durante a suspensão dos bombardeios. "Não se espera que sejam lançados foguetes durante as três horas de interrupção dos bombardeios israelenses", afirmou Abu Marzuk, citado pelo porta-voz, Osama Abu Khaled. Contudo, ele ressaltou que a interrupção foi decidida unilateralmente pelas forças de ocupação israelenses. "Os movimentos da resistência palestina continuarão enfrentando a agressão israelense", afirma Abu Khaled.
Um porta-voz militar confirmou na manhã desta quarta-feira a interrupção dos bombardeios para "facilitar o tráfego de ajuda humanitária e permitir à população que garanta provisões e facilitar o trabalho das organizações não-governamentais".
As agências humanitárias, contudo, pedem que Israel mantenha um corredor humanitário permanente para a chegada de suprimentos básicos para os refugiados dos confrontos entre as tropas israelenses e militantes do Hamas. Autoridades palestinas na faixa de Gaza disseram que foram informadas de que Israel interromperia os ataques durante um período para permitir que as lojas abram e os funerais das vítimas ocorram.
Colapso
A ofensiva militar já deixou mais de 600 mortos e cerca de 2.500 feridos. Entre as vítimas, estão ao menos 40 palestinos mortos em um ataque de tanques israelenses contra uma escola administrada pela ONU (Organização das Nações Unidas). Segundo estimativas da ONU, os ataques israelenses deixaram 80% da população completamente dependente de ajuda humanitária.
Enquanto a ONU insiste em um cessar-fogo efetivo na região, suas agências alertam para a crise humanitária causada pela destruição de estradas, edifícios públicos, delegacias de polícia e parte da infraestrutura da faixa de Gaza. Segundo o Banco Mundial (Bird), 10 mil habitantes da faixa de Gaza correm o risco de inundação por águas sujas, depois do colapso do sistema de esgoto da região causado pelos bombardeiros israelenses.
As bombas que escoam as águas do esgoto para as bacias do norte da faixa de Gaza pararam de funcionar por falta de energia elétrica e diesel, indicou o Bird em um comunicado.
As bombas são indispensáveis para evitar que a principal bacia de águas de esgoto de Beit Lahiya, no norte do território, transborde. Além disso, as muretas de contenção da bacia de Beit Lahiya "estão ameaçadas pelo impacto das bombas que explodem nas proximidades e eventuais chuvas", acrescentou o comunicado. "A destruição das estruturas da bacia pode colocar em perigo 10 mil residentes dos setores vizinhos ameaçados de inundação e isso constituiria um desastre ambiental e sanitária", afirmou o Banco Mundial.
O Bird pressiona Israel para facilitar a entrada de diesel, peças de recarga e evitar bombardeios na bacia de Beit Lahiya.
Com agências internacionais
Leia mais sobre violência em Gaza
- ONU desmente presença de combatentes em escola atacada por Israel em Gaza
- "Rejeitamos trégua permanente com Israel", diz líder do Hamas
- Israel confirma interrupção nos ataques para entrada de ajuda humanitária
Outras notícias internacionais
- Navios chineses começam missão contra piratas somalis
- Grupo armado ataca instalações da Televisa no México
Especial
- Vídeo mostra desespero de civis na faixa de Gaza; assista
- Saiba mais sobre a faixa de Gaza
- Saiba mais sobre Israel
Livraria


