Mundo
07/01/2009 - 14h08

França volta atrás após Sarkozy anunciar que Israel aceitou cessar-fogo

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da Folha Online

O gabinete da Presidência francesa afirmou nesta quarta-feira que Nicolas Sarkozy apenas reagiu à boa recepção de Israel e da Autoridade Nacional Palestina (ANP) ao dizer que as duas partes haviam aceitado o acordo de cessar-fogo franco-egípcio para a faixa de Gaza.

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Horas antes, Sarkozy anunciou, em comunicado oficial, que estava feliz por Israel e a ANP terem aceitado o acordo de cessar-fogo na região, a primeira notícia concreta na direção de uma solução para os conflitos na faixa de Gaza que já deixaram mais de 600 mortos e cerca de 2.500 feridos em doze dias.

Israel negou logo depois que havia aceito o acordo e disse que estava apenas analisando a proposta. Já o movimento islâmico Hamas, a quem Israel combate em sua grande ofensiva militar na faixa de Gaza, afirmou que rejeita uma trégua permanente e que está analisando várias propostas internacionais.

O porta-voz de Sarkozy, Franck Louvrier, afirmou em novo comunicado que o presidente francês "reagiu ao fato de, de acordo com contatos com diferentes interlocutores ontem [terça-feira (6)], eles aceitarem o plano introduzido como um ponto de partida para a discussão, o que permitirá uma renovação do diálogo".

O ministro de Direitos Humanos francês, Rama Yade, também se mostrou animado com o que chamou de "recepção positiva" de Israel e da ANP ao acordo. "Este passo é hoje o único realista e pode permitir, tão rapidamente quanto possível, a reabertura dos pontos de acesso da faixa de Gaza", disse Yade, sobre uma das exigências do Hamas.

Cessar-fogo

A proposta de França e Egito não foi divulgada em detalhes, mas inclui a abertura de um diálogo do qual participem o Hamas e a ANP e que adote "todas as medidas necessárias" para deter a violência.

Assim, as conversas incluiriam assuntos como o combate ao contrabando de armas na fronteira de Gaza e a reabertura de todos os postos de controle fronteiriços fechados desde que o Hamas assumiu o controle da faixa territorial em junho de 2007, expulsando o Fatah, partido do presidente da ANP, Mahmoud Abbas.

A última trégua assinada entre Israel e Hamas acabou oficialmente no último dia 19. Oito dias depois, Israel iniciou uma grande ofensiva militar na faixa de Gaza para enfraquecer o Hamas e interromper o lançamento de foguetes artesanais contra seu território. Oito dias depois, Israel iniciou a grande ofensiva militar contra o Hamas na faixa de Gaza, alegando a violação da trégua e o lançamento de foguetes contra o seu território.

Israel

Segundo o porta-voz de Tel Aviv, Mark Regev, Israel "analisará a iniciativa da França e Egito". "As conversas continuam na base desta iniciativa. Uma paz sustentável no sul será baseada na total ausência de fogo hostil de Gaza contra Israel e um embargo efetivo de armas com apoio internacional".

O presidente de Israel, Shimon Peres, disse nesta quarta-feira que busca não um cessar-fogo, mas o fim do lançamento de foguetes pelo Hamas e disse apenas que está avaliando as propostas internacionais por uma trégua.

"Nós não estamos buscando um cessar-fogo, mas um cessar do terror", disse Peres, acrescentando que Israel está revisando o plano de cessar-fogo apresentado pelos presidentes da França e do Egito.

Hamas

O líder do braço político do Hamas afirmou nesta quarta-feira que o grupo está avaliando as propostas de cessar-fogo na faixa de Gaza, mas que rejeita trégua permanente com Israel.

O líder em exílio Moussa Abou Marzouk afirmou, segundo o jornal israelense "Haaretz", que não haverá espaço para negociações de uma trégua permanente com os israelenses e que, enquanto houver a ocupação das tropas do Exército de Israel em Gaza, haverá resistência dos militantes do Hamas.

Segundo Marzouk, o Hamas recebeu propostas de cessar-fogo da França, Turquia, Síria e Egito. Contudo, o grupo mantém sua exigência por um fim imediato da ofensiva israelense, com a retirada das tropas de Gaza e a abertura das fronteiras da faixa.

Com Associated Press

 

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