Mundo
08/01/2009 - 02h01

"Míssil já caiu perto da minha casa", diz brasileiro no sul de Israel

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IAGO BOLÍVAR
colaboração para a Folha Online

O brasileiro André Hamer, 26, que vive no sul de Israel há quase dois anos, teve sua rotina alterada nos últimos dias, desde que os foguetes lançados pelo grupo radical islâmico Hamas a partir da faixa de Gaza passaram a atingir a cidade em que ele mora, Beer Sheva. Hamer está a cerca de 40 km da fronteira com Gaza, mas testemunhou a ampliação do alcance dos foguetes do Hamas, que domina aquele território.

Leia relato de médico palestino sobre ataques

Ouça o depoimento do brasileiro André Hamer

Beer Sheva entrou no raio de alcance dos foguetes do Hamas após o início da ofensiva militar israelense em Gaza, que já matou mais de 650 e feriu cerca de 3.000 palestinos. Até então, as cidades atingidas eram as mais próximas da fronteira, como Sderot, mas desde que um foguete palestino atingiu uma creche, no último dia 29, Hamer passou a conviver com as sirenes que alertam para a proximidade dos ataques.

"Desde então a gente ouve a sirenes algumas vezes, por dia. Hoje, foram três vezes", relata o brasileiro, que nasceu em São Paulo e é engenheiro de softwares.

Depois do início dos bombardeios israelenses contra Gaza, no último dia 27, o Hamas intensificou os ataques com foguetes Katyusha --fabricados em vários países a partir de um modelo russo--, atingindo áreas cada vez mais distantes da fronteira. O grupo também continua usando os foguetes Qassam, de fabricação artesanal, que têm alcance pouco superior a dez quilômetros e pouca precisão.

A ampliação do alcance dos ataques, que começou no ano passado, coloca cerca de 1 milhão de pessoas em risco em Israel e altera a vida em cidades nas quais a população se considerava segura, como Beer Sheva. "As aulas foram canceladas, jardins, clubes, áreas de lazer, como cinema, shoppings, isso tudo aqui está fechado", conta Hamer.

"A cidade está realmente bem vazia, mas eu acho que é uma decisão correta para evitar que tenha vítimas civis do lado israelense", diz ele.

Hamer diz que, a cada alarme, os habitantes da cidade têm de correr para abrigos antibomba, em casa ou no serviço, e que o momento de maior perigo é durante os deslocamentos pela rua.

Ele expressa preocupação com os civis palestinos que não possuem abrigos adequados para se protegerem dos ataques israelenses lançados contra as posições do Hamas em meio às áreas urbanas. "Eles acabam sofrendo com os próprios militantes do Hamas, que colocam as vidas deles em risco", afirma Hamer, que diz torcer por um cessar-fogo que garanta a paz na região.

 

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