Muçulmanos vão às ruas de São Paulo pedir resistência do Hamas
GISELLI SOUZA
colaboração para a Folha Online
A comunidade muçulmana em São Paulo organizou nesta quarta-feira um protesto para pedir a resistência do movimento radical islâmico do Hamas aos ataques israelenses na faixa de Gaza. Segundo a Polícia Militar, cerca de 700 manifestantes interditaram parcialmente as ruas do Brás, região central de São Paulo.
| Giselli Souza/Folha Online |
![]() |
| Muçulmanos pediram a retirada de Israel de Gaza e a resistência dos radicais do Hamas |
"As raízes e as origens jamais poderão ser esquecidas. A luta do povo palestino é a nossa luta porque nós estamos procurando viver em paz, ter o direito de viver, ter o direito da soberania", afirmou Alli Ahmad Majdoub, presidente União dos Estudantes Muçulmanos no Brasil, um dos organizadores do protesto.
Com palavras de ordem "Fim ao Holocausto Palestino", "Salve Gaza" e "Israel genocida", os muçulmanos mostraram faixas com fotos de crianças mortas na ofensiva israelense que desde 27 de dezembro do ano passado deixou 650 palestinos mortos e 2.500 feridos.
"Vamos lutar pela resistência até o fim porque foram eles [israelenses] que invadiram a nossa terra. O Hamas é um partido que foi eleito pelo povo e que defende os palestinos. Eles não são terroristas. Os Estados Unidos são os grandes financiadores do conflito, por demonstrarem apoio a Israel", disse Mouhamad Chedid, vice-presidente da Associação Brasileira Muçulmana.
| Giselli Souza/Folha Online |
![]() |
| Crianças, xeiques e personalidades islâmicas foram às ruas em protesto aos ataques |
Durante o protesto, alguns comerciantes do Brás aderiram a manifestação e fecharam as portas como ato de repúdio ao conflito. "O [presidente dos Estados Unidos, George W.] Bush é culpado por tudo isso. Tenho parentes que moram no Líbano e todos estão com muito medo de morrer no bombardeio. Eles atiram cartas dos aviões para avisar os moradores a saírem de suas casas. Há dias que não consigo falar com ninguém", disse Ragheb Ghobar, dono de uma loja de roupas e filho de libaneses.
Em meio aos discursos, os manifestantes lembraram os conflitos de 2006, quando o Hamas ganhou o Parlamento e rejeitou as propostas de acordos de paz com Israel do presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas. "Vamos tocar a música da resistência para lembrar que a nossa luta jamais será esquecida", disse Majdoub do alto de um carro de som.
Entre julho a agosto de 2006, ao menos 1.100 pessoas no Líbano e 157 israelenses morreram em 34 dias de lutas intensas depois que o grupo terrorista Hizbollah capturou soldados israelenses em uma patrulha de fronteira.
| Giselli Souza/Folha Online |
![]() |
| Libanesa lamenta a morte das crianças em Gaza; ofensiva matou mais de 650 palestinos |
Os manifestantes elogiaram o posicionamento do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que nesta terça-feira (6) ordenou a expulsão do embaixador de Israel, Shlomo Cohen, em protesto à ofensiva em Gaza. A embaixada, em Caracas, foi fechada logo após a decisão do governo e a equipe de apoio ao embaixador também foi expulsa.
Os muçulmanos também agradeceram o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que condenou os ataques e enviou ajuda humanitária à região. Hoje, o PT divulgou um comunicado onde apoia integralmente os palestinos.
"Sou solidária a todos os meus amigos para que acabe essa guerra. O que ocorre é uma barbárie que não tem fim. Eles mataram as nossas crianças, mulheres palestinas indefesas. São assassinos", disse Inam Garibi, libanesa, moradora no Brasil há 40 anos.
Os manifestantes, membros de associações e mesquitas, prometem organizar um novo protesto no próximo domingo (11) no vão livre no Masp, na capital. Hoje, após uma período de trégua dos bombardeios --para a entrada de ajuda humanitária-- Israel retomou os ataques na região.
Leia mais sobre violência em Gaza
- Al Qaeda diz que violência em Gaza é "presente" de Obama
- Centro judaico acusa PT de apoiar terrorismo após crítica a ofensiva
- Governo de Israel decide manter ataques, mas adia "terceira fase" da operação
- Saiba mais sobre plano proposto pelo Egito para cessar-fogo em Gaza
Outras notícias internacionais
- Paquistão admite que terrorista sobrevivente dos ataques em Mumbai é paquistanês
- Neve paralisa transportes na segunda maior cidade da França
- Banda indie britânica quer gravar com Hugo Chávez
Especial
- Vídeo mostra desespero de civis na faixa de Gaza; assista
- Saiba mais sobre a faixa de Gaza
- Saiba mais sobre Israel
Livraria




