Mundo
07/01/2009 - 17h47

Em tentativa de acabar com túneis, Israel ataca sul da faixa de Gaza

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da Folha Online

A Força Aérea de Israel atacou cidades no sul da faixa de Gaza nesta quarta-feira, em uma tentativa de acabar com os túneis na região que permitem o contrabando de armamentos e outros produtos vindos do Egito. Ao menos 650 palestinos e 11 israelenses morreram desde o início dos ataques ao território palestino, no dia 27 de dezembro.

Antes dos bombardeios desta quarta-feira, israelenses que vivem próximos à região afirmaram que o Exército de Israel lançou panfletos ordenando a retirada dos moradores da área.

Eyad Baba/AP
Palestino em meio a escombros após ataque aéreo de Israel em Rafah, sul da faixa de Gaza
Palestino em meio a escombros após ataque aéreo de Israel em Rafah, sul da faixa de Gaza

Os túneis usados para o tráfico de armas pelo grupo radical Hamas, que controla a faixa de Gaza, estão localizados na região conhecida como "corredor Philadelphi", uma faixa com cerca de 15 quilômetros ao longo da fronteira entre Gaza e o Egito. Segundo o diário israelense "Haaretz", o Exército do país destruiu dezenas deles em diversos ataques aéreos.

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Os túneis também são usados para contornar bloqueio econômico de Israel a Gaza, imposto desde que o Hamas, vencedor das eleições legislativas de 2006, tomou o controle da área, há um ano e meio.

"Porque o Hamas usa suas casas para esconder e contrabandear armas, o Exército irá atacar a área", afirma o panfleto, segundo um funcionário da ONU.

Após o lançamento dos folhetos, mais de 800 famílias fugiram para duas escolas da ONU transformadas em abrigos temporários.

Terceira fase

O Gabinete de Segurança Nacional de Israel adiou nesta quarta-feira uma decisão sobre a permissão para que as tropas que estão na faixa de Gaza combatam nos centros urbanos, informou uma autoridade israelense, citando o plano franco-egípcio de trégua. O gabinete votou, no entanto, pela continuidade das operações.

Depois do início dos bombardeios sobre Gaza e da entrada de tropas terrestres no território, a possível incursão nas cidades é considerada a terceira fase da operação, segundo uma autoridade israelense que falou à agência Reuters sob condição de anonimato.

Arte Folha Online

Sete soldados israelenses morreram na ofensiva, ao menos quatro deles em episódios de "fogo-amigo", e quatro civis foram mortos em ataques de foguetes lançados pelo Hamas contra as cidades do sul de Israel. O número de palestinos mortos é superior a 650, informam fontes médicas que atuam no território. Um quarto das vítimas palestinas seria de civis.

De acordo com o jornal israelense "Yediot Aharonot" a decisão de manter a operação significa que Israel acredita que os objetivos traçados pelo governo --principalmente deter a capacidade do Hamas de lançar foguetes sobre Israel-- ainda não foram totalmente alcançados pela operação.

Sebastian Scheiner/AP
Israelenses se protegem após ouvirem alerta de lançamento de foguetes palestinos
Israelenses se protegem após ouvirem alerta de lançamento de foguetes palestinos

Ao adiar a decisão sobre a invasão das cidades, Israel estaria deixando a porta aberta para negociar a proposta de trégua apresentada pelos presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e do Egito, Hosni Mubarak, ao mesmo tempo em que mantém as tropas em ação.

Analistas militares acreditam que as forças israelenses enfrentariam um grande desafio ao combater nas populosas cidades de Gaza, onde o suporte da Força Aérea seria irrelevante e onde os combatentes palestinos poderiam combater por meio de emboscadas.

Israel já conquistou Gaza uma vez, em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, e deixou o território em 2005. Os líderes israelenses afirmam que não têm a intenção de reocupar novamente a área.

 

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