Senadores democratas estudam aceitar indicação de governador suspeito
da Folha Online
Os democratas do Senado americano saíram de uma reunião, nesta quarta-feira, abertos à possibilidade de que Roland Burris, indicado pelo governador de Illinois para suceder Barack Obama na Casa, assuma a cadeira. Nesta terça-feira (6), Burris tentou participar da primeira sessão do ano, mas foi impedido porque o governador que o indicou é suspeito de ter tentado trocar a indicação por cargos ou dinheiro.
Na ocasião, o chefe da maioria democrata no Senado, Harry Reid, havia dito que "ninguém designado pelo governador [Rod] Blagojevich pode representar Illinois, ou ser considerado pela bancada democrata". Nesta quarta-feira, ele suavizou drasticamente sua postura em relação à indicação e disse não ter "nada contra a pessoa de Burris".
| Jonathan Ernst/Reuters |
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| Roland Burris, indicado para suceder Obama no Senado, é rejeitado na primeira sessão do ano; democratas não querem sua nomeação |
Conforme Reid, os democratas, agora, irão aguardar uma decisão judicial sobre a situação.
Essa guinada teria sido organizada para mostrar que os democratas aprovam as credenciais pessoais e profissionais de Burris, que é ex-procurador por Illinois. Se for empossado, Burris será o único negro no Senado --antes, o "título" era de Obama que, em 20 de janeiro, será o primeiro negro a assumir a Presidência dos Estados Unidos.
Obama também já foi a público defender o currículo de Burris. "Ele é do meu Estado natal. Eu acho que ele é um bom servidor público."
O governador acusado de tentar vender a indicação nega as acusações do FBI (polícia federal americana), feitas com base em grampos telefônicos. Nos diálogos, Blagojevich aparece comentando negociações com os supostos emissários de candidatos à vaga no Senado. Blagojevich diz ter pedido, em troca da indicação, cargos nos setores público ou privado para ele ou para a mulher e arrecadações para uma futura campanha.
Não existe lei que impeça a nomeação de Burris. Há apenas uma decisão da Suprema Corte, de 1969, relativa à Câmara dos Representantes, que estipula que os parlamentares não têm o poder de expulsar um membro eleito, desde que esteja qualificado para o posto.
Com Associated Press
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