Cruz Vermelha exige acesso a Gaza; Israel mantém ataques
da Folha Online
Atualizado às 03h03.
Israel retomou nesta quinta-feira os ataques ao território palestino de Gaza horas após uma trégua de três horas para permitir a entrada de ajuda humanitária no território palestino. Os principais alvos foram os túneis usados para contrabando próximos à fronteira com o Egito.
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O Comitê Internacional da Cruz Vermelha exigiu hoje que Israel volte a permitir o acesso à faixa de Gaza para a entrada de ajuda humanitária. Segundo a organização, o pedido se baseia na tentativa de minimizar as mortes de crianças e mães e evitar outras "imagens chocantes" produzidas pelo conflito. Ao menos 700 palestinos morreram.
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Em nota, a entidade informou que conseguiu acessar a periferia de Zaytun, na Cidade de Gaza, e encontrou quatro crianças feridas deitadas próximas aos corpos de suas mães, mortas durante um bombardeio israelense na região.
"Este é um fato chocante", afirmou Pierre Wettach, chefe da Cruz Vermelha para Israel e os territórios palestinos. "O Exército Israelense deveriam se preocupar com a situação, mas não ajudam os feridos e nem permitem que nós ou o Crescente Vermelho ajudemos as vítimas."
Em meio aos ataques israelenses, que chegam nesta quinta ao seu 13º dia desde o início da ofensiva, no dia 27 de dezembro, o grupo radical Hamas respondeu com o lançamento de foguetes. Ao menos 700 palestinos e 11 israelenses morreram e mais de 5.000 pessoas fugiram da região.
Nesta quarta-feira, a Força Aérea de Israel atacou cidades no sul da faixa de Gaza, em uma tentativa de acabar com os túneis na região que permitem o contrabando de armamentos e outros produtos vindos do Egito. Antes dos bombardeios, israelenses que vivem próximos à região afirmaram que o Exército de Israel lançou panfletos ordenando a retirada dos moradores da área.
Durante a madrugada (hora local), dezenas de tanques entraram no sul da faixa de Gaza e seguiam para a cidade de Khan Yunis, enquanto aviões atacaram a cidade de Rafah com o objetivo de destruir os túneis palestinos por onde entram todo o tipo de produto pelo Egito. Ainda não há informações sobre vítimas.
Cessar-fogo
O embaixador egípcio nas Nações Unidas disse nesta quarta-feira que representantes de Israel, do grupo radical Hamas e dos palestinos concordaram em se encontrar hoje para negociar um cessar-fogo na região. O encontro seria mediado pelo Egito, no Cairo.
Maged Abdelaziz afirmou que "representantes de todos os lados" no conflito entre Israel e Hamas irão começar discussões técnicas quase duas semanas após os ataques de Israel contra os lançamentos de foguetes de militantes do Hamas contra seu território.
Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU trabalhou em uma declaração de apoio ao cessar-fogo, mas falhou em conseguir consenso sobre ação para por fim à violência.
Contudo, um grande apoio à proposta egípcia ganhou eco após a reunião. "Aplaudimos muito os esforços de uma série de países, em particular o esforço que o presidente [Hosni] Mubarak tomou em nome do Egito", afirmou a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. "Apoiamos essa iniciativa", acrescentou.
A proposta franco-egípcia visa um cessar-fogo imediato entre Israel e Hamas por um período limitado, a fim de permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza.
Abdelaziz disse que as conversas irão definir se o Conselho de Segurança concorda com uma resolução nos moldes requeridos pelos países árabes, ou uma declaração menor emitida pelo presidente do Conselho, proposta por EUA, França e Reino Unido.
"Não estamos interessados em um pedaço de papel", afirmou. "O Egito está recebendo delegações técnicas de todas as partes. Sei que alguns deles chegam hoje, outros chegam amanhã", em Cairo, acrescentou.
Nova reunião
O presidente da Assembleia Geral da ONU, o nicaraguense Miguel D'Decoto, convocou para esta quinta-feira uma reunião de emergência no órgão dada a "inoperância" do Conselho de Segurança em deter a ofensiva israelense em Gaza.
"A ONU não pode ser testemunha muda do massacre que está acontecendo em Gaza e deve levantar sua voz para que haja um cessar-fogo imediato e a população civil palestina seja adequadamente protegida", anunciou o porta-voz de D'Decoto, Enrique Yeves.
O propósito da reunião é "que todos os países possam expressar abertamente sua opinião e decidam de forma coletiva quais são as medidas mais oportunas para que o sangrento conflito termine", declarou.
Com agências internacionais
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