Mundo
08/01/2009 - 18h08

Leia íntegra do bate-papo com Claudia Antunes sobre a crise no Oriente Médio

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da Folha Online

Atualizado às 18h17.

A jornalista Claudia Antunes, editora de Mundo da Folha de S.Paulo, participou nesta quinta-feira (8) de bate-papo sobre a ofensiva israelense na faixa de Gaza. Mais de 600 pessoas já morreram nos 12 dias de ataques.

Participaram do bate-papo 369 pessoas.

O texto abaixo reproduz exatamente a maneira como os participantes digitaram suas perguntas e respostas.

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Bem-vindo ao Bate-papo com Convidados do UOL. Converse agora com Claudia Antunes, editora do caderno "Mundo" da Folha de S.Paulo, sobre o conflito entre israelenses e palestinos na faixa de Gaza. Para enviar sua pergunta, selecione o nome do convidado no menu de participantes. É o primeiro da lista.

(05:06:06) Claudia: Caros, boa tarde, estou pronta para as perguntas.

(05:06:14) Adriano fala para Todos: Boa tarde!

(05:06:16) fofura fala para Todos: oi, claudia! tudo bom? tem como resumir essa guerra de alguma maneira? começou ha tannnto tempo. esse povo não cansa de se matar?

(05:06:35) fofura fala para Claudia: oi, claudia! tudo bom? tem como resumir essa guerra de alguma maneira? começou ha tannnto tempo. esse povo não cansa de se matar?

(05:07:43) Claudia: Fofura, de fato você pode traçar essa guerra ao século 19, se quiser. Mas acho que ela é mais uma conseqüência do fracasso de uma promessa que parecia próxima há 15 anos, a criação do Estado palestino em Gaza e na Cisjordânia.

(05:07:57) Adriano fala para Claudia: Olá Cláudia! Como fica a situação de Israel devido ao uso de bombas de fósforo? Até onde Israel está livre de sanções internacionais por violar os direitos humanos?

(05:09:18) Claudia: Adriano, Israel não admitiu, até agora, o uso de bombas de fósforo, como tem sido denunciado por fontes informativas. Acho que, quando passar tudo isso, deve haver uma investigação sobre as armas usadas, mas, pela minha experiência, imagino que nesta altura o mundo estará voltado para outros assuntos e o tema terá sido esquecido.

(05:09:27) Cacau fala para Claudia: Boia tarde Cláudia e agora essa ntocia de agora a tarde sobre a retirada de ajudade da ONU e Cruz vermelha

(05:11:30) Claudia: Cacau, de fato esta é até agora a notícia mais importante do dia, e acho que ela mostra a importância da ONU, que a gente costuma menosprezar. Mas o fato é que instituições como a ONU e a Cruz Vermelha são as únicas fontes estrangeiras que continuam em Gaza, já que Israel e o Egito mantêm suas fronteiras com o território fechado, impedindo o ingresso de jornalistas. O motivo imediato da suspensão foi o ataque, hoje, a uma ambulância da ONU.

(05:11:30) DEISE fala para Claudia: O Q VC ACHA QUE O MUNDO ESTÁ PENSANDO DO Q ACONTECE HOJE?

(05:13:09) Claudia: Deise, acho que as imagens de destruição e morte que chegam de Gaza falam por si, mas existe uma desafagem entre o que pensa a maioria da opinião pública e as ações dos governos, tanto do Ocidente quanto de países árabes e muçulmanos, que têm outros interesses estratégicos na região.

(05:13:20) Shalom Maleik fala para Claudia: Você acredita que a solução para o conflito no Oriente Médio é, como disse Carlinhos Brown, que judeus e palestinos aceitem Jesus no coração?

(05:14:22) Claudia: Shalom Maleik, eu acho na verdade que pôr religião na discussão é uma fórmula para nada dar certo. Acho que a solução é política, como é o caso na maioria das vezes. A não ser que se queira a continuação desse moto contínuo de violência entre eles.

(05:14:27) natal pergunta para Claudia: os paises não podem fazer algum bloqueio a israel para parar esses ataques

(05:17:31) Claudia: Natal, como eu disse, acho que difícil que isso aconteça, por causa dos interesses mais imediatos dos países envolvidos. Por exemplo, o Egito, que é árabe e de maioria muçulmana, teme tanto a influência do Hamas sobre a Irmandade Muçulmana lá quanto que Israel jogue o problema de Gaza onde a maioria da população é de refugiados do que é hoje é Israel de volta para o país administrar. Lembre que, entre 1948, quando o Estado de Israel foi criado, e 1967, quando Israel ocupou Gaza na Guerra dos Seis Dias, a região esteve sob controle egípcio.

(05:17:37) Crítico fala para Claudia: Acho que Infantaria de Israel é fraca,despreparada,,eles sabem disso,,levaram uma surra na invasão do Líbano em 2006

(05:17:37) Crítico fala para Claudia: para evitar novo vexame,se protegem com tanques e helicópteros

(05:17:37) Crítico fala para Claudia: Seráque o Exército de israel é tão eficiente assim como prega a mídia?

(05:19:05) Claudia: Crítico, acho que sem dúvida o Exército israelense dispõem de muitos mais meios tecnológicos do que o Hamas, o problema é que, como é o caso também no Afeganistão, por exemplo, o outro lado trava um conflito irregular. É muito difícil derrotar movimentos guerrilheiros e paramilitares, ainda mais quando eles têm apoio popular.

(05:19:18) celso fala para Claudia: claudia o que vc acha da cobertura jornalista até agora....será que esta havendo um distancaimento emocional dos jornalistas para exercerem sua função de maneira correta?

(05:20:51) Claudia: Celso, eu acho que os jornais estão tentando manter um equilíbrio, principalmente em artigos sobre um ou outro lado. O problema é que a própria proporção de mortos tende a fazer a balança da opinião pública pender para um lado. Outro problema é que, em alguns casos, os porta-vozes de um lado ou de outro tendem a esgrimir argumentos irracionais.

(05:20:58) persa pergunta para Claudia: Oi, Claudia, boa tarde! O que vc opina sobre a entrevista do presidente do governo espanhol, Zapatero, com o representante da Autoridade Palestina?

(05:22:54) Gustavo pergunta para Todos: Cláudia, você acha que os palestinos perderam sua grande chance de criar seu Estado quando Arafat não aceitou proposta de Barak, na qual Israel cedia 95% dos territórios ocupados?

(05:24:02) Claudia: Persa, desculpe, não sei de que entrevista você está falando. A Autoridade Nacional Palestina é entidade reconhecida internacionalmente. Ela foi criada a partir dos Acordos de Oslo com Israel, em 1993, e a idéia é que sua administração parcial de Gaza e da Cisjordânia fosse um estágio interino até a criação do Estado Palestino. A criação do Estado foi adiada por inúmeros problemas nas negociações, e em 2006, em grande parte por causa disso, o Hamas venceu as eleições palestinas. Só que os Estados Unidos, Israel e a União Europeia, que qualificam o Hamas de terrorista, não aceitaram o resultado das urnas. Em termos mais imediatos, a guerra atual é consequência disso.

(05:24:05) wily fala para Claudia: Claudia, a reação de Israel, na sua visão, é realmente desproporcional?

(05:26:13) Claudia: Wily, claro que é. Não dá para minimizar o estresse causado no sul de Israel pelos foguetes do Hamas, mas o fato é que a situação havia melhorado com a trégua mediada pelo Egito e que vigorou entre junho e dezembro de 2008. Embora foguetes continuassem a ser lançados de Gaza, em escala bem menor, o fato é que Israel também não cumpriu sua parte no acordo, que era suspender o bloqueio econômico a Gaza que vigora desde meados de 2007, quando o Hamas tomou o poder no território.

(05:26:13) animal fala para Claudia: boa tarde, claudia! vc acha possivel o territorio ser "terra de ninguem" oficialmente pra que os conflitos acabem? acha que esse seria o caminho? de repente a onu ou outro orgao tomando conta?

(05:27:47) souza fala para Todos: QUERO CRITICAR O PT POR CHAMAR ISRAEL DE TERRORISTA. ISSO MOSTRA A PROFUNDA FALTA DE VISÃO DE TODO O CONTEXTO. ISRAEL ESTÁ CERCADO DE INIMIGOS, E POR ISSO AGE COM FORÇA. SE FOSSE O BRASIL RECEBENDO, DA BOLÍVIA, CENTENAS DE MÍSSEIS POR MÊS. FICARIAMOS PARADOS?

(05:28:41) Artur fala para Todos: Gostaria muito que a midia brasileira explorasse a guerra interna das capitais brasileiras, para nos nunca cair no esquecimento das tragedias dos morros do Rio e SP

(05:28:41) Claudia: Animal, como apontou outro dia o jornalista britânico Robert Fisk, que conhece bastante aquela região, parte das lideranças sempre defendeu uma força da ONU não só em Gaza como na Cisjordânia, que são os dois territórios que em tese formariam o futuro Estado palestino. Israel sempre se opôs a isso, com o argumento de que a ONU não poderia garantir a segurança em suas fronteiras. Ainda está muito difícil agora saber que solução esta guerra terá, se no fim de tudo haverá uma força internacional em Gaza ou não.

(05:28:50) zZzZzZzZz fala para Claudia: existe chance de o fatah retomar o controle da faixa de gaza apos a ofensiva israelense? e até onde o hamas é popular entre os palestinos?

(05:30:47) Gustavo fala para Todos: Cláudia, por que sobra pena para os palestinos e falta pena para as milhares de crianças mortas no conflito de Darfur?

(05:31:25) Claudia: ZZZZ, acho que a ironia política de tudo isso é que a popularidade do Hamas entre os palestinos vinha diminuindo, segundo pesquisas feitas pouco antes da invasão, em grande parte por tentar impor em Gaza regras religiosas para a vida civil e por perseguir lá os integrantes do Fatah. Por outro lado, a população palestina anda também descrente do Fatah, hoje visto como pouco mais do que um braço do governo israelense. Então, do lado palestino, como vários analistas têm apontado, eles precisam se entender entre eles para ter uma posição mais forte em qualquer negociação com Israel ou com quem quer que seja.

(05:31:31) Adriano fala para Claudia: Você acredita em uma união, mesmo que momentânea entre o Hamas e o Fatah?

(05:33:41) souza fala para Adriano: POR RAZÕES ÉTINICA, POLÍTICAS, TERRITORIAS, ECONÔMICAS, E PRINCIPALMENTE POR CAUSA DO ORGULHO, DA FALTA DE DIÁLOGO, ETC.

(05:33:58) Claudia: Adriano, acho que este é desejo da maioria dos palestinos, que o conflito interno tenha fim. Como pessoas em qualquer parte do mundo, os palestinos querem ter uma vida normal, pensar nos filhos e na família. Agora, também é preciso que países de fora dos EUA a Israel e ao Irã e ao Egito parem de se meter na vida política interna palestina, de tentarem cada lado escolher o parceiros considerado mais dócil às suas premissas.

(05:34:08) albernet fala para Claudia: Você não acha que há falta de lideranças mundiais capazes de promover um diálogo entre as partes conflitantes? A ONU não tem sido incopetente para mediar um conflito desta natureza assim como aconteceu no Iraque?

(05:34:48) souza fala para Todos: ´CLÁUDIA, por que é fácil criticar Israel, agora, mas é difícil criticar os inimigos de Israel que querem a destruição dos judeus?

(05:36:10) Claudia: Albernet, você tem toda razão. O único país que tem influência sobre Israel são os Estados Unidos, e, embora sempre tenha sido grosso modo parcial em favor de Israel, no passado, como no governo de Bush pai, Washington já exerceu pressão para os israelenses entrarem em negociações de paz. Do lado palestino, por outro lado, os países árabes e muçulmanos não falam com uma única voz.

(05:36:17) juca fala para Claudia: boa tarde Claudia, eu gostaria de saber a posicao do presidente Lula sobre o que esta acontecendo, e gostaria de saber na sua opiniao se o brasil deveria ter uma politica mais ativa?

(05:39:23) Claudia: JUca, eu acho que o Brasil está tendo uma política mais ativa do que é prática em relação ao Oriente Médio. O Brasil deplorou a ofensiva israelense a Gaza, chamou de desproporcional etc. A questão é se o Brasil pode ter alguma influência sobre os envolvidos no conflito. Nem a Europa, maior parceiro comercial de Israel, conseguiu impor sua proposta de uma trégua provisória, para a partir dela se discutir um cessar-fogo permanente. Por outro lado, é difícil saber quem fala pelo Hamas, o grupo tem muitos porta-vozes, mais moderados e mais radicais. Cada um fala coisas diferente sobre as propostas de cessar-fogo.

(05:39:48) Mega fala para Claudia: Há alguma a possibilidade do Irã entrar no conflito. Como o governo iraniano está se comportando diante do conflito?

(05:42:30) Claudia: Mega, é verdade que o governo iraniano tem laços fortes com o Hamas. Mas também é preciso lembrar que o Hamas é um grupo muçulmano sunita, não xiita como a maioria da população do Irã, que tem relações muito mais fortes com o grupo xiita libanês Hizbollah. O fato é que, até agora, a reação iraniana não passou da retórica de condenação da ofensiva israelense. Se essa situação continuar assim, isso pode significar que o Irã está sim disposto a negociar sobre seu programa nuclear com os Estados Unidos. Por causa da queda do preço do petróleo, seu principal produto, o Irã está em situação econômica difícil.

(05:42:36) giuliano/paraná fala para Claudia: boa tarde Claudia, qual é o motivo real de tanta descórdia entre arabes e judeus?? é politica, religiosa ou de terras?

(05:43:42) Jair Marques fala para Crítico: Claudia, essa briga é muito antiga, qual foi o começo de tudo...!!!???

(05:44:39) Claudia: Giuliano, o fundo da disputa é nacional/política. Dois povos que reivindicam a mesma terra, que aliás já é bem apertada. Acho que a falta de uma solução política, negociada, para esta questão, é que faz entrar nela o elemento religioso (se você não pode obter algo aqui e agora, sempre se pode pensar no paraíso).

(05:44:56) Cacau fala para Claudia: Obrigada Cláudia com a saida deste 02 orgãos do país temo pelas pessoas que estão lá especialmente pelas crianças há algo que algum governo esteja fazendo neste momento em relação a esta retirada?

(05:46:52) Claudia: Cacau, realmente a situação humanitária é dramática, e há muito pouco o que se possa fazer enquanto não cessarem os combates. Embora tenha se retirado de Gaza em 2005, Israel manteve o controle das fronteiras marítimas e terrestres do território. Há também uma pequena fronteira com o Egito, que está fechada como já mencionei. Por isso acho que a coisa mais racional é torcer para uma trégua de fato logo.

(05:46:58) Alex85 fala para Claudia: Observo que pouco se fala da natureza do Hamas, que eh de um grupo terrorista que tem objetivo de destruir Israel, tambem observo que nao eh mencionado que o Hamas nao reconhece Israel como Estado. O que voce acha disso?

(05:51:13) Claudia: Alex85, é fato que o Hamas, em sua carta de fundação, dos anos 80, prega a destruição de Israel. Mas desde que o grupo, que é uma mistura de milícia esta praticante sim de atentados terroristas, partido e instituição de caridade, entrou para a política formal, em 2006, surgiu uma janela de oportunidade que poderia levar o grupo a reconhecer Israel de fato, dentro das fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967. É bom lembrar que o Fatah, núcleo da Organização para a Libertação da Palestina, só reconheceu Israel em 1988. Como eu disse, acho que a maioria dos palestinos reconhece o direito de Israel de exister, assim como acho que a maioria dos israelenses não quer expulsar todos os palestinos da região. A questão é que só a evolução do processo político e das negociações pode dar chance aos moderados. O efeito imediato de uma guerra como está é a radicalização e o ódio dos dois lados.

(05:51:18) Leh linda 16 fala para Claudia: olhaa, segundo comentarios de pessoas akii..... disseram q pode haver a terceira guerra mundial, vc acredita nesta história??

(05:52:41) Claudia: Leh linda 16, realmente só tendo bola de cristal. Acho que pode haver um conflito de proporções muito maiores do que este, sim, se as tendências políticas mais flexíveis não prevalecerem nos EUA, no Irã e em Israel, em relação à questão do programa nuclear iranino.

(05:52:44) Carlos Mendes fala para Claudia: Claudia boa tarde! Você considera o Hamas como um grupo terrorista? Ou um levante legitimo de um povo tentando estabelecer seu estado de direito?

(05:52:44) Carlos Mendes fala para Claudia: Claudia boa tarde! Você considera o Hamas como um grupo terrorista? Ou um levante legitimo de um povo tentando estabelecer seu estado de direito?

(05:55:39) Claudia: Carlos, acho que é uma simplificação chamar o Hamas de grupo terrorista. Esta é uma de suas faces. O grupo pratica e praticou no passado atos terroristas. Mas, como eu falei, o Hamas é um misto de partido, milícia e grupo de caridade. Ele não teve o voto de 44% dos palestinos em 2006 por causa dos atos terroristas, mas por ser considerado menos corrupto do que o Fatah, que comanda a Autoridade Nacional Palestina desde que ela foi criada, e por ser considerado o grupo que resistia de fato às políticas de força de Israel.

(05:55:39) pandre fala para Claudia: Israel não está se antecipando a uma mudança na política dos EUA menos favorável a Israel?

(05:59:23) Claudia: Pandre, pode ser. Embora Obama, principalmente no últimos seis meses da campanha, tenha adotado posições muito próximas às do governo israelense, o fato é que possivelmente o governo israelense quis criar o que eles chamam de "nova realidade" antes da posse do novo presidente. Também é bom lembrar que a linha-dura em Israel desconfia muito da promessa de Obama de iniciar negociações diretas com o Irã. Esta guerra pode ser um meio de radicalizar os dois lados e torpedear estas negociações antes de eles começarem. Outra questão são as negociações com os palestinos, negligenciadas durante quase todo o governo Bush. Obama tinha prometido retomá-las, e pode ser que Israel tenha pensado em acabar ou enfraquecer um adversário antes disso. Mas essas são teses que têm sido aventadas, nenhuma certa.

(05:59:41) Carlos fala para Claudia: Você acredita que a Faixa de Gaza poderá se tornar um "satélite" do Irã, como alguns governantes de Israel pensam?

(06:00:33) Claudia: Carlos, é só olhar o mapa para ver que, logisticamente, isso é impossível. Acho que os palestinos não querem ser satélite do Irã. Querem direito ao autogoverno em seu próprio território, como todos os povos.

(06:00:39) Thiago Silva fala para Claudia: Falando em EUA, como você classifica a declaração de Barak Obama em relação a este conflito?

(06:02:49) Claudia: Thiago, acho que o Obama tem sido cobrado a falar e tem falado pouco, tem sido muito cauteloso. Só outro dia ele lamentou as mortes de civis nos dois lados e disse que se envolveria no tema depois da posse. Também é bom pensar que é de fato uma situação complicada. Qualquer coisa que ele diga agora pode comprometer sua política externa, em relãção a Israel, ao Irã e aos próprios palestinos. O fato é que todos, e principalmente os aliados, estão testando Obama.

(06:02:55) betovv fala para Claudia: claudia porque todo o mundo condena Israel sempre, mas nunca ataca o hamas ou outro grupo extremista muçulmano, quando estes atacam o povo de Israel?

(06:05:38) Claudia: Betovv, acho que a condenação ao Hamas é permanente. Você acha que a maioria das pessoas é favorável ao islamismo fundamentalista? Não se trata de escolher entre Israel e o Hamas. Se trata de discutir se a solução para o conflito ali, a esta altura, ainda é militar ou política. A experiência recente mostra que, toda vez que Israel esmagou um adversário considerado radical, seu sucessor foi pior. Já se fala na existência em Gaza de grupos ligados à Al Qaeda. A maioria dos analistas israelenses mesmos reconhece que o Hamas não está ligado à "guerra santa global", mas a uma causa que é nacional.

(06:05:43) Adriano fala para Claudia: Hoje vários blogs e sites questionam a correspondente de uma emissora brasileira por sua posição explícita pró-Israel! Como um veículo de imprensa trabalha com essa situação de imparcialidade?

(06:06:51) Claudia: Adriano, tentamos expor as posições dos dois lados, e também expor o que está acontecendo no terreno da guerra, usando o maior número possível de fontes.

(06:07:02) angelus fala para Claudia: Boa tarde, é de sabido que os EUA são aliados inquestionáveis de Israel, o que poderia ser um impecilho para uma postura mais dura da comunidade internacional às ações israelenses, mas no momento em que vivemos acredito que os EUA não tem condições para uma ação pesada, então por que motivo a comunidade internacional, através da própria UE, da liga árabe e com o endosso da figurativa ONU, não impõe a Israel o cessar fogo?

(06:08:27) fauzi fala para Claudia: ola Claudia em 2006 eu estava no Libano em ferias e vi a humanidade de Israel eles falam muito do que lhes foi feito pelo nazismo mas o que eles fazem hj com us Palestinos não é igual ou pior que o Holocausto?????

(06:09:06) Claudia: Fauzi, acho que a gente deve ter cuidado com simplificações históricas.

(06:09:11) claudio/sp fala para Claudia: Por que a senhora diz que a guerra é desproporcional? se o hamas ataca com míssel Israel deveria revidar com os mesmos mísseis? se o hamas atacar com arco e flecha Israel deve responder com arco e flecha também? cada lado usa as armas que tem, ou vc pode me citar uma guerra onde há verdadeira proporcionalidade?

(06:12:38) Claudia: Claudio, eu falei acima sobre as dificuldades das guerras contra movimentos paramilitares que têm muito apoio popular, como é o caso do Hamas (como foi o caso do Vietnã, ou é o caso do Afeganistão). Quem é alvo legítimo para Israel no caso? Os milicianos do Hamas ou todos os palestinos que votaram no grupo em 2006? Os palestinos que trabalhavam para o governo do Hamas em Gaza? É por causa desse questão de fundo que essa guerra está destinada a ser desproporcional, basta ver o número de mortos.

(06:12:44) Adriano fala para Claudia: Israel deu alguma explicação significativa para a proibição do acesso da imprensa internacional em Gaza? E como o jornalista deve proceder numa situação dessas?

(06:13:02) Claudia: Adriano, eles alegam questões de segurança.

(06:13:08) Vitor fala para Claudia: claudia,quem está correto:árabes ou israelenses?

(06:14:19) Claudia: Vitor, acho que não dá para dizer quem tem razão. É preciso buscar a melhor solução, com cada lado cedendo o que deve ceder _o Hamas e os palestinos reconhecendo Israel, e Israel se retirando dos territórios palestinos.

(06:14:50) Claudia: Muito obrigada pela participação de todos. Agora tenho que sair.

(06:14:50) Moderadora/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Claudia Antunes e de todos os internautas. Até o próximo!

 

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