Mundo
09/01/2009 - 06h54

ONU aprova cessar-fogo em Gaza, mas confrontos continuam

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da Folha Online

Os conflitos entre israelenses e palestinos na faixa de Gaza continuam pelo 14º dia mesmo com a aprovação de uma resolução de cessar-fogo pelo Conselho de Segurança da ONU, ontem. Israel lançou ataques durante a madrugada desta sexta-feira e ao menos cinco pessoas de uma mesma família morreram em um ataque contra uma casa em Gaza.

Ao menos 760 palestinos morreram desde o início da ofensiva ao território palestino, em 27 de dezembro. Destes, 257 são crianças e adolescentes menores de 17 anos, de acordo com informações da ONU. Do lado israelense, oito soldados e três civis morreram.

Arte Folha Online

Nesta quinta-feira (8), o Conselho de Segurança aprovou um pedido de cessar-fogo imediato e duradouro na faixa de Gaza horas após os principais países árabes e as potências ocidentais chegarem a um consenso por uma resolução em busca de trégua na região. Cabe a Israel e ao grupo islâmico Hamas decidir se suspendem o conflito.

O documento, elaborado pelo Reino Unido em colaboração com a França e países árabes, expressa o apoio dos membros do organismo das Nações Unidas ao plano proposto pelo Egito, que pede uma trégua duradoura e sustentável que leve à completa retirada das forças israelenses de Gaza.

A medida foi aprovada por 14 votos favoráveis entre seus 15 membros. Somente os Estados Unidos se abstiveram da decisão no conselho.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, explicou que o país prefere conhecer o resultado da mediação egípcia entre as partes envolvidas no conflito, antes de apoiar o texto proposto pelo Reino Unido. "A mediação que o Egito faz, que não só deve ser aplaudida, mas também apoiada, será o que no final nos levará a um cessar-fogo durável", afirmou.

Segundo ela, Washington decidiu não vetar a resolução por apoiar seu conteúdo e porque sua aprovação é um caminho "para a paz duradoura e sustentável em Gaza".

A resolução condena todo ato de violência e hostilidade dirigido contra civis e todo ato de terrorismo, sem citar diretamente os disparos de foguetes do grupo radical palestino Hamas contra Israel.

Doron Keren/Efe
Soldados israelenses mantiveram cerco em cidades de Gaza, mesmo com a aprovação de resolução de cessar-fogo na ONU
Soldados israelenses mantiveram cerco em cidades de Gaza, mesmo com a aprovação de resolução de cessar-fogo na ONU

Medida concreta

A resolução foi a primeira aprovada pela ONU em duas semanas. Nesse período, ao menos três reuniões foram realizadas pelo conselho sem alcançar nenhuma medida concreta para por fim aos enfrentamentos no território palestino.

"As Nações Unidas cumpriram esta noite com a responsabilidade de falar com uma voz firme e clara", afirmou o chanceler britânico, David Miliband, depois da votação. "O trabalho que resta agora a ser feito é transformar palavras em ações."

Israel se mostrou receptivo ao plano egípcio e enviou um representante ao Cairo para estudá-lo, enquanto o movimento islâmico Hamas o rejeitou por considerá-lo arriscado para a resistência palestina e seu futuro.

Nesta sexta, um porta-voz do Hamas afirmou que o grupo já rejeitou a proposta da ONU, defendendo que os militantes "não estão interessados" na medida porque não foram consultados sobre os pontos da trégua. Segundo Israel, os ataques realizados pelo grupo palestino com foguetes foi o principal motivo da atual crise.

Ibraheem Abu Mustafa/Reuters
Palestino caminha em meio as ruínas de uma casa destruída em Rafah, no sul da faixa de Gaza; 700 pessoas já morreram
Palestino caminha em meio as ruínas de uma casa destruída em Rafah, no sul da faixa de Gaza; 700 pessoas já morreram

Enquanto Israel mantinha a ofensiva hoje, palestinos do Hamas continuaram a lançar foguetes contra o sul de Israel. Projéteis voltaram a atingir as cidades de Beersheba e Askelon, sem deixar vítimas.

Ajuda humanitária

O conflito, iniciado por Israel em resposta aos ataques com foguetes palestinos contra seu território, chegou hoje ao 14º dia, com sérias acusações de violações de direitos humanos e com serviços de ajuda humanitária prejudicados.

A agência da ONU para os refugiados palestinos anunciou nesta quinta-feira a suspensão de todas as atividades humanitárias na faixa de Gaza depois que um de seus comboios foi atingido pelo Exército israelense, disse o porta-voz Chris Gunness.

"Manteremos esta suspensão até que as autoridades israelenses garantam a segurança de nossas equipes", disse Gunness, que não especificou o tempo da suspensão. "Dois morteiros atingiram de perto um caminhão do comboio que se dirigia a Erez e uma pessoa foi morta", afirmou.

Com o mesmo tom, a Anistia Internacional acusou tanto os soldados israelenses quanto os combatentes do grupo radical islâmico Hamas de colocarem em risco a vida da população civil palestina, com práticas "nas quais se inclui seu uso como escudo humano".

"Nossas fontes em Gaza informam que os soldados israelenses entraram e tomaram posições em várias casas palestinas, obrigando as famílias a ficar em um quarto enquanto utilizam o resto da casa como base militar e posição para franco-atiradores", disse Malcolm Smart, do Programa Regional para o Oriente Médio e o Norte de África da Anistia.

A organização pró-direitos humanos ressalta que as Forças Armadas israelenses bombardearam casas e edifícios não militares, alegando que nelas se escondiam combatentes palestinos que disparavam em alvos israelenses.

Com agências internacionais

 

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