Israel e Hamas rejeitam resolução do Conselho de Segurança por cessar-fogo
da Folha Online
Após dias de reuniões a porta fechadas, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou a resolução 1860 pedindo o cessar-fogo imediato dos confrontos na faixa de Gaza. Contudo, horas depois, líderes de Israel e do movimento islâmico Hamas, que se enfrentam há 14 dias consecutivos na região, rejeitaram a proposta.
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A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, afirmou nesta sexta-feira que Israel continuará agindo de acordo com seus próprios interesses e necessidades para manter a segurança no território --uma referência indireta ao lançamento constante de foguetes pelo Hamas que, segundo Israel, motivou a ofensiva militar na região.
"Israel agiu, está agindo e agirá apenas de acordo com suas considerações, as necessidades de segurança de seus cidadãos e o seu direito de defesa", diz comunicado de Livni, publicado pelo jornal israelense "Haaretz".
Livni se reuniu nesta sexta-feira com o primeiro-ministro, Ehud Olmert, e o ministro de Defesa, Ehud Barak, para discutir a proposta do Conselho de Segurança por um cessar imediato da ofensiva militar contra alvos do Hamas na faixa de Gaza, que, em 14 dias consecutivos, já deixou mais de 760 palestinos mortos.
A proposta da ONU "destaca a urgência e pede um cessar-fogo imediato, durável e completamente respeitado, levando à retirada completa das forças de Israel de Gaza". O texto inclui também garantias para que não haja mais contrabando de armas pelos militantes palestinos em Gaza e a reabertura das passagens da região.
Hamas
O enviado do Hamas ao Líbano, Osama Hamdan, afirmou à rede de televisão al-Arabiya que o grupo não estava interessado na resolução, porque não inclui as demandas do movimento --entre elas o fim do bloqueio israelense à região.
A recusa foi confirmada nesta sexta-feira por um dos líderes do Hamas, Raafat Morra. "Esta resolução não leva em conta as aspirações nem os principais objetivos do povo palestino", insistiu.
Mais cedo, outro alto dirigente do Hamas afirmou que a resolução do Conselho de Segurança não leva em consideração as necessidades do grupo. "Apesar de sermos os principais atores na faixa de Gaza, ninguém nos consultou sobre esta resolução e não levaram em consideração nossa visão, nem os interesses de nosso povo", afirmou Ayman Taha, alto dirigente do Hamas.
"Em consequência, consideramos que a resolução não nos diz respeito e, quando as partes pretenderem aplicá-la, deverão tratar com os que são responsáveis pela região", acrescentou, em uma referência ao Hamas.
Resolução
A resolução 1860, adotada por 14 votos a favor e a abstenção dos EUA, "condena todo ato de violência e hostilidade dirigido contra civis e todo ato de terrorismo", sem citar diretamente os disparos de foguetes do grupo radical palestino Hamas contra Israel.
O texto pede ainda a retirada das tropas israelenses e a entrada, sem empecilhos, de ajuda humanitária em território palestino.
O documento elaborado pelo Reino Unido, em colaboração com a França e países árabes, expressa o apoio dos membros do organismo da ONU ao plano proposto pelo Egito, que pede uma trégua duradoura e sustentável.
A resolução "ressalta a urgência e pede um cessar-fogo imediato, durável e respeitado totalmente, que leve à retirada total das forças israelenses de Gaza".
O texto faz ainda "uma chamada à provisão e distribuição sem impedimentos por toda Gaza de ajuda humanitária, o que inclui alimentos, combustível e tratamento médico".
Fora isso, a resolução aprovada pede à comunidade internacional que intensifique seus esforços para gerar mecanismos e garantias em Gaza, de modo "a sustentar a calma e um cessar-fogo perdurável, o que inclui evitar o contrabando de armas e munição e a reabrir os as fronteiras".
"O trabalho que resta agora a ser feito é transformar palavras em ações", afirmou o chanceler britânico, David Miliband, depois da votação. Segundo ele, o texto adotado reflete o consenso que existe na comunidade internacional sobre a necessidade de deter a violência que há 14 dias atinge o território palestino.
Abstenção
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, explicou que a abstenção de seu país foi por preferirem conhecer o resultado da mediação egípcia entre as partes envolvidas no conflito, antes de apoiar o texto proposto pelo Reino Unido.
"A mediação que o Egito faz, que não só deve ser aplaudida, mas também apoiada, será o que no final nos levará a um cessar-fogo durável", comentou Rice.
Segundo ela, Washington decidiu finalmente não vetar a resolução por apoiar seu conteúdo e porque sua aprovação é um caminho "para a paz duradoura e sustentável em Gaza".
O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, também lamentou que a votação não fosse atrasada, de modo a levar em conta os contatos que o presidente egípcio, Hosni Mubarak, faz com Israel e palestinos.
Israel se mostrou receptivo ao plano egípcio e enviou um representante ao Cairo para estudá-lo, enquanto o movimento islâmico Hamas o rejeitou por considerá-lo arriscado para a resistência palestina e seu futuro.
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