Mundo
09/01/2009 - 11h10

Após ataques de Israel, ONU pede investigação independente em Gaza

Publicidade

da Reuters, em Genebra

A alta-comissária de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira investigações "críveis e independentes" sobre eventuais violações do direito humanitário internacional nos confrontos em Gaza, o que pode configurar crimes de guerra.

A ONU denunciou nos últimos dias os ataques israelenses a escolas e uma casa que abrigavam civis palestinos e a um caminhão que levava ajuda humanitária à região e que estava, segundo a agência, devidamente identificado. Segundo a ONU, 42% das cerca de 760 vítimas dos 14 dias da ofensiva militar israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas são crianças e mulheres.

Pillay pediu o envio de monitores de direitos humanos da ONU para Israel, Gaza e a Cisjordânia, a fim de documentar violações e apontar autores. "O círculo vicioso de provocação e retaliação deve ser encerrado", disse Pillay numa sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, um dia depois de uma resolução do Conselho de Segurança que exige um cessar-fogo imediato e que foi rejeitada por Israel e Hamas.

"A responsabilização pelas violações do direito internacional deve ser assegurada. Como primeiro passo, investigações críveis, independentes e transparentes precisam ser realizadas para identificar violações e estabelecer responsabilidades", disse.

Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, afirmou ainda que as violações do direito humanitário internacional podem constituir crimes de guerra, "para os quais a responsabilidade penal individual pode ser invocada".

Israel mantém os ataques aéreos, navais e terrestres mesmo diante da crescente pressão internacional por um cessar-fogo. A ONU, assim como outras organizações humanitárias, condenam Israel pela morte de civis em Gaza. O governo israelense culpa o Hamas pelas mortes, por considerar que ele usa civis como escudos humanos.

A população israelense, porém, apoia solidamente a ação militar, que pode beneficiar o partido governista Kadima nas eleições de 10 de fevereiro.

Princípios

Pillay disse ainda que tanto Israel quanto o Hamas precisam respeitar três princípios que norteiam o direito humanitário internacional, formalizado em 1949 por meio das Convenções de Genebra: proporcionalidade entre agressão e reação; distinção entre combatentes e civis, e entre alvos militares e infraestrutura civil; e precauções plausíveis para evitar ou minimizar as mortes de civis.

Diplomatas dizem que a reunião da ONU em Genebra, que deve continuar na próxima segunda-feira (12), pode adotar uma resolução contra Israel.

A sessão de emergência foi convocada por iniciativa de governos islâmicos e países em desenvolvimento, com apoio de Rússia, China e Cuba. O bloco tem maioria entre os 47 integrantes do Conselho de Direitos Humanos, no qual os EUA praticamente pararam de participar.

Comentários dos leitores
Raul Wilson Pequeno Tejo (1) 23/12/2009 00h48
Raul Wilson Pequeno Tejo (1) 23/12/2009 00h48
Sr. Flavio Botelho, vamos pedir a prisão de todos os líderes das grandes potências, pois morre gente toda hora por decisões tomadas pelos mesmos. Onde o sr. vive? Na ilha da fantasia? Se assim fosse, o assassino iraniano teria sido preso quando visitou os USA, o sr. é um anti-semita, seus comentários falam por si próprio. O povo de Israel já escapou do extermínio várias vezes e têm o direito a autodefesa diante de mais de 1bilhão de muçulmanos que anseiam por seu extermínio. Sr. Flavio Botelho, Israel ñ será uma nova Tchecoslováquia. o sr. ñ sabe que a partilha da Palestina foi feita p/ ñ funcionar. Vou lhe dar uma pequena aula de história, pois o sr. me parece um incauto. Após a queda do império Otomano ao final da 1Guerra, a Inglaterra ocupou a Palestina e ali faria um Estado Judeu e outro Árabe. O Estado Àrabe- Palestino seria o que é hoje a atual Jordânia, se assim tivesse sido feito árabes e judeus hoje estariam em paz. Um Estado Palestino nos moldes atuais, significa o fim de Israel. Os árabes, os USA e a Grã-Bretanha sabem disso. Ñ existe uma solução razoável que leve a uma formulação viável de dois Estados senão a expulsão ou dos Judeus ou dos palestinos. Os Judeus ñ têm p/ onde ir, os palestinos têm, são árabes muçulmanos, se adaptariam em qualquer país ao redor de Israel. A solução existe, o problema é que os pobres palestinos estão sendo usados como massa de manobra dos líderes islãmicos com o escopo único e exclusivo: a aniquilação total do Sionismo mundial. sem opinião
avalie fechar
Santos Júnior (352) 16/12/2009 20h25
Santos Júnior (352) 16/12/2009 20h25
Sr Mauro Halpern isso se chama HIPOCRISIA!! sem opinião
avalie fechar
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h40
Flavio Botelho (18) 15/12/2009 20h40
Senhor Moderador, creio que uma filtragem melhor no comentários seria de grande agrado para as pessoas inteligentes da Folha. Comentários sem um pingo de fundamentos deveriam ser jogados na lata de lixo. As pessoas deveriam ler mais livros de História sobre o Conflito Israel-Palestino, Revolução Social Cubana e o pais persa do Irã. Opinião pessoal fora de contexto não agrada ninguem, somente aqueles que acreditam no que querem acreditar, fora da realidade. 4 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4035)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca