Mundo
09/01/2009 - 15h00

Ofensiva israelense em Gaza matou 257 crianças palestinas, diz ONU

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da Associated Press, na faixa de Gaza

A ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou relatório nesta quinta-feira no qual indica que 257 crianças palestinas morreram e 1.080 ficaram feridas durante os 14 dias da ofensiva israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas, na faixa de Gaza. No total, ao menos 760 palestinos e dez soldados israelenses morreram.

Khaled Omar/AP
Palestina e filha andam sobre escombros de edifício após ataque aéreo de Israel ao campo de refugiados de Rafah, sul de Gaza
Palestina e filha andam sobre escombros de edifício após ataque aéreo de Israel ao campo de refugiados de Rafah, sul de Gaza

As crianças representam mais de metade da população de cerca de 1,5 milhão de palestinos na faixa de Gaza e pouco mais de um terço das vítimas dos ataques israelenses --que acusam o Hamas por usar as crianças e mulheres como escudos nos confrontos com seus soldados.

Diante dos constantes bombardeios e confrontos entre Israel e Hamas, os números podem variar. Segundo o Centro Palestino de Direitos Humanos, dos 760 mortos, ao menos 169 tinham menos de 17 anos. Já a Unicef, agência da ONU para crianças, ao menos cem crianças e menores foram mortos nos dez primeiros dias do confronto.

"Nós estamos falando de uma guerra urbana", disse Abdel-Rahman Ghandour, porta-voz da Unicef para o Oriente Médio e norte da África. "A densidade da população é tão grande que é muito fácil acertar crianças. Este é um conflito único, onde não há lugar para ir".

Gerações sucessivas de crianças cresceram em meio a um cenário de violência em Gaza. No final dos anos 80, muitas delas atiraram pedras contra os soldados israelenses em uma revolta contra a ocupação. Na segunda Intifada, iniciada em 2000, algumas foram recrutadas pelos militantes para serem homens-bomba.

"O mais difícil para as crianças é o senso de que nenhum local é seguro e de que os adultos não podem protegê-las', disse Iyad Sarraj, psicólogo que se protege em seu apartamento na Cidade de Gaza junto aos quatro enteados. Segundo Sarraj, um deles, Adam, 10, tem ataques de asma toda vez que os bombardeios começam.

Crimes de guerra

A alta-comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira investigações "críveis e independentes" sobre eventuais violações do direito humanitário internacional nos confrontos em Gaza, o que pode configurar crimes de guerra, como o ataque a locais que abrigam civis.

A ONU denunciou nos últimos dias os ataques israelenses a escolas e uma casa que abrigavam civis palestinos e a um caminhão que levava ajuda humanitária à região e que estava, segundo a agência, devidamente identificado. Segundo a ONU, 42% das cerca de 760 vítimas dos 14 dias da ofensiva militar israelense contra alvos do movimento islâmico radical Hamas são crianças e mulheres.

Pillay pediu o envio de monitores de direitos humanos da ONU para Israel, Gaza e a Cisjordânia, a fim de documentar violações e apontar autores. "O círculo vicioso de provocação e retaliação deve ser encerrado", disse Pillay numa sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU, um dia depois de uma resolução do Conselho de Segurança que exige um cessar-fogo imediato e que foi rejeitada por Israel e Hamas.

"A responsabilização pelas violações do direito internacional deve ser assegurada. Como primeiro passo, investigações críveis, independentes e transparentes precisam ser realizadas para identificar violações e estabelecer responsabilidades", disse.

Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, afirmou ainda que as violações do direito humanitário internacional podem constituir crimes de guerra, "para os quais a responsabilidade penal individual pode ser invocada".

Israel mantém os ataques aéreos, navais e terrestres mesmo diante da crescente pressão internacional por um cessar-fogo. A ONU, assim como outras organizações humanitárias, condenam Israel pela morte de civis em Gaza.

Comentários dos leitores
samuel kosminsky (64) 14/11/2009 06h59
samuel kosminsky (64) 14/11/2009 06h59
pais em que presidencia passa de pai pra filho vem falar de direitos humanos!!!!!!!
na epoca de SOMOZA e CIA a grita era geral
por onde anda voce
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samuel kosminsky (64) 14/11/2009 00h33
samuel kosminsky (64) 14/11/2009 00h33
caro renato
acho que a todos presentes e a mim particularmente a questao dos direitos humanos e reaçao desproporcional de violencia, e de fundamental importancia.
dai minha angustia, com total ausencia de informaçao sobre ataque da arabia saudita ao yemem
me perdoe, mas nao concordo com sua opiniao.
acho que tema merece ser aprofundado pelos que fazem parte desse furum
continuo aguardando noticias
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Renato Schechter (1) 13/11/2009 23h09
Renato Schechter (1) 13/11/2009 23h09
Samuel, noticias de arabes atacando arabes nao vendem jornais.... nem geram polemicas..... 1 opinião
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