Mundo
09/01/2009 - 18h05

Obama forma equipe de Inteligência com promessas contra a tortura

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MACARENA VIDAL
da Efe, em Washington

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, apresentou nesta sexta-feira sua equipe de Inteligência, liderada por Leon Panetta como diretor da CIA, e que terá como princípio, segundo prometeu, a oposição à tortura.

Na nova equipe, estarão, além de Panetta, o ex-almirante Dennis Blair como diretor nacional de Inteligência --coordenador dos trabalhos dos diferentes serviços secretos-- e John Brennan, um veterano da CIA, como assessor antiterrorista da Casa Branca.

A nova equipe, segundo afirmou Obama em entrevista coletiva em seu escritório de transição, representará uma clara ruptura com as práticas da administração de George W. Bush.

Ele referiu-se, embora sem mencioná-lo diretamente, à admissão da CIA em utilizar torturas contra os suspeitos de terrorismo e ao uso dos dados de inteligência para decidir ir à Guerra do Iraque.

"Valores"

"Sob meu governo, os EUA não torturam. Respeitarão as convenções de Genebra", disse o futuro presidente, que tomará posse em 20 de janeiro.

Jim Young/Reuters
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Os Estados Unidos "respeitarão os ideais e as ideias mais altas, e esta é uma encomenda clara que lhes fiz" a Panetta e Blair, destacou Obama, acrescentando: "devemos nos aferrar a nossos valores de maneira tão diligente como protegemos nossa segurança, sem nenhum tipo de exceção".

Também insistiu em que os serviços secretos devem "adotar suas avaliações com base somente nos fatos, não em uma agenda política", como se acusou o governo Bush de ter feito no caso do Iraque.

Neste sentido, Dennis Blair afirmou na entrevista coletiva que, ao apresentar seus relatórios a Obama, lhe contará claramente o que os serviços de inteligência sabem e também o que não sabem.

Tanto Panetta quanto Blair são "funcionários de integridade inquestionável, uma ampla experiência e gerentes sólidos com a base de pragmatismo de que necessitamos em tempos de perigo", declarou Obama.

Polêmica

A formação da equipe de Inteligência de Obama foi uma das mais complicadas em seu gabinete.

A nomeação de Panetta, um político com um grande histórico no manejo de orçamentos e de gestão, mas com pouca experiência direta no setor dos serviços secretos, também recebeu críticas ao ser vazada, nos últimos dias.

As críticas foram lideradas pela senadora Dianne Feinstein, nova presidente do comitê de Assuntos de Inteligência, que reclamou por não ter sido consultada.

Obama se desculpou pessoalmente, e Feinstein, que também falou com Panetta, retirou suas objeções.

Em suas declarações hoje, o presidente eleito afirmou que Panetta será um "firme defensor" da CIA que fornecerá grandes habilidades na gestão e em sua capacidade de relacionamento com o Congresso.

Por sua vez, Panetta afirmou que os agentes dos serviços secretos "estão na linha de frente" da segurança e que merecem e terão todo seu apoio.

Casa Branca

O presidente eleito disse ainda que John Brennan, um veterano da CIA, será seu assessor na Casa Branca para assuntos de luta contra o terrorismo.

Inicialmente, Brennan havia sido sua opção para comandar a CIA, mas ele retirou sua candidatura devido aos protestos da ala mais esquerdista democrata, que criticava declarações nas quais ele parecia apoiar que a agência de inteligência utilizasse maus-tratos em interrogatórios de suspeitos de terrorismo.

Ao nomeá-lo diretamente para um posto na Casa Branca, Obama não expõe Brennan a um escrutínio público.

Ao contrário de Brennan, os cargos de Panetta e Blair devem ser ratificados pelo Senado em uma audiência de confirmação.

Como assessor da Casa Branca, Brennan, que atualmente dirige uma firma privada de segurança e análise de risco, terá grande influência na política para o Irã, na qual reivindicou grandes mudanças.

Comentários dos leitores
O Pacificador (199) 25/11/2009 17h16
O Pacificador (199) 25/11/2009 17h16
A CARTA DE OBAMA
ao lula...
Alguém acredita de verdade, que "a carta" do Obama, foi algum tipo de "sinal de amizade"?
Que o presidente americano, de alguma forma queria justificar algo ao "amigo"?
Acham?
Deve ser a turma que acredita em Papai-Noel...
Obama na verdade mandou um singelo aviso:
Não estamos gostando do que vocês estão fazendo!!!
Principalmente no caso do apoio ao ditador nuclear iraniano, nem na forçada de barra que foi dada ao esconder o Zelaia n embaixada brasileira em Honduras, quase provocando uma guerra civil.
Parabéns lula e bando de incompetentes!!!
Finalmente mostraram ao mundo quem são de verdade.
E agora receberam o 1º aviso, do tipo:
Estamos de olho em vocês...
sem opinião
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O apoio de Obama para a iniciativa brasileira de dialogar com o Irã é um tapa na cara da imprensa conservadora q tanto criticou a visita. sem opinião
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Hernani Rodrigues (30) 25/11/2009 12h33
Hernani Rodrigues (30) 25/11/2009 12h33
Acho que críticar quem quer que seja pelo que os outros dizem é no mínimo insensato. Sabemos que EUA e Israel tem interesses comum e não reconhecem, muitas vezes, seus próprios erros. Foi uma ótima iniciativa do governo brasileiro conversar com todos os lados e tirar uma decisão soberana, independentemente do que os EUA achem. Mais um ponto na brilhante política internacional do governo brasileiro. 8 opiniões
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