Mundo
12/01/2009 - 19h19

Análise: Visão histórica preocupa Bush em última coletiva como presidente

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CÉSAR MUÑOZ ACEBES
da Efe, em Washington

George W. Bush pensou nesta segunda-feira em si mesmo como um nome nos livros de história e, em sua última entrevista coletiva como presidente dos Estados Unidos, tentou dar forma a sua passagem pela Casa Branca, com a admissão de alguns erros.

Um Bush pensativo, e às vezes, combativo, compareceu diante dos jornalistas com brincadeiras e um manto de nostalgia, a oito dias de entregar a chave de escritório mais poderosa do mundo a Barack Obama.

Ele não mostrou arrependimento de algumas de suas decisões, que defendeu com energia, como a política no Iraque e a guerra contra o terrorismo.

Em outras, no entanto, mostrou pontos claro-escuros e reconheceu erros, como o canto de vitória prematuro no país árabe, refletido em um cartaz pendurado em um porta-aviões em 2003, pouco mais de um mês após a invasão.

"Missão cumprida"

"Claramente pôr 'Missão Cumprida' em um porta-aviões foi um erro. Passou a mensagem errada", disse.

Em seu discurso então, no porta-aviões Abraham Lincoln, Bush declarou solene: "as operações principais de combate no Iraque terminaram. Estados Unidos e seus aliados se impuseram na batalha".

"Abu Ghraib, obviamente, foi uma grande decepção durante minha Presidência", reconheceu também Bush. O presidente afirmou que as torturas cometidas nessa prisão de Bagdá foram obra de um punhado de soldados e nenhum militar de alta patente foi processado por elas.

Outro dos pontos obscuros de seu mandato foi a ausência de armas de destruição em massa no Iraque, razão que ele utilizou para justificar a invasão.

"Não sei se devo chamar isso de erros ou não, mas foram coisas que não marcharam de acordo com os planos", manifestou Bush.

Katrina

O governante não entoou o mea culpa, por outro lado, sobre a resposta ao furacão Katrina, que arrasou Nova Orleans em 2005.

Bush, que foi criticado por demorar cinco dias a visitar a cidade, afirmou que aterrissar pessoalmente nessa cidade ou nas imediações teria requerido usar a polícia para protegê-lo e não para auxiliar as vítimas.

Ele negou que a resposta federal tenha sido lenta, mas admitiu: "Poderíamos ter feito melhor as coisas? Absolutamente, sim".

Ao partido Republicano pediu que "seja aberto" para se recompor da derrota eleitoral e alertou que a oposição majoritária à reforma migratória levou alguns a concluir que "os republicanos não gostam dos imigrantes".

História

Tanto na entrevista coletiva, como em uma série de entrevistas concedidas nos últimos dias, Bush pediu para examinarem sua Presidência em sua totalidade e deixar aos historiadores tempo para ver o impacto de suas políticas.

A biblioteca presidencial de Bush estará na Universidade Metodista do Sul, em Dallas, no Texas, e nela o presidente espera que se avaliem o que considera suas conquistas dos oito anos.

Bush defendeu com brio sua política no Iraque, que definirá sua Presidência como nenhum outro tema, e sua decisão de enviar mais tropas para lá, em 2007.

Também justificou as medidas para proteger ao país após os atentados de 11 de setembro de 2001, que, para seus críticos, violaram direitos constitucionais.

Mas, Bush lembrou-os: "vocês se recordam de como eram as coisas por aqui após o 11 de setembro?".

"Posição moral"

Ele negou "energicamente" que a prisão de Guantánamo e os interrogatórios que muitos magistrados consideram tortura tenham danificado "a posição moral" dos Estados Unidos no mundo.

Em economia, admitiu ter se visto obrigado a se separar alguns de seus princípios a favor do livre mercado depois que seus assessores o alertaram de que os Estados Unidos poderiam entrar em uma crise pior que a Grande Depressão dos anos 30.

Custou a Bush explicar o que fará após a Presidência. "Não me imagino com um chapéu grande de palha e uma camisa havaiana sentado em uma praia, especialmente porque já não bebo".

Em 21 de janeiro de manhã, Bush se levantará em seu rancho de Crawford e fará café para sua esposa Laura, disse, e "será uma sensação diferente, direi como é quando a sentir".

Comentários dos leitores
Chris Maria (270) 16/12/2009 12h13
Chris Maria (270) 16/12/2009 12h13
Sr Alexandre de Jesus Barreto (2) 15/12/2009 19h11 e 15/12/2009 19h09
O Sr. está correto quando diz "voltando ao Irã, seu erro foi afirmar que lá elas são obrigadas a usar burca. Elas não são obrigadas, normalmente usam apenas um lenço sobre a cabeça e não por obrigação de lei governamental nenhuma, mas sim por costume". Além disso, me permita discursar sobre o erro grave e inconstitucional que ele cometeu em seu comentário marcio B. (73) 10/12/2009 12h34. Com o título "Mulheres do Brasil", ele se dirigiu a todas as mulheres brasileiras e terminou dizendo o seguinte "repetir mecanicamente o que outras pessoas falam". Tendo em vista que o termo "mecânico" se refere àquilo que depende do trabalho de mãos ou máquinas, ou seja, que age por impulso maquinal, ao empregar a expressão "repetir mecanicamente", ele subtraiu das mulheres brasileiras toda e qualquer faculdade de raciocinar, de conhecer, de pensar, de conceber, de comparar idéias, ou seja, de inteligência. Tal fato, além de mostrar certo tipo de índole, incorre em certo tipo de ideologia que transgride o que reza a Constituição do Brasil. Como cidadãos brasileiros que somos, homens e mulheres, em nome da cidadania, e em cumprimento da Lei Maior que rege nosso país, temos a obrigação de coibir esse tipo de coisa.
Um abraço e tenha um excelente dia.
sem opinião
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Alexandre de Jesus Barreto (2) 15/12/2009 19h11
Alexandre de Jesus Barreto (2) 15/12/2009 19h11
Parte 1
marcio B. tomei a liberdade de pegar emprestado uma parte do seu comentário no dia 10/12/2009 ("...recomendo uma pesquisa de menos de 1 hora na história da formação dos Estados Islâmicos, para entenderem qual é o papel da mulher na sociedade islâmica, e julguem, colocando-se na pele de um mulher iraniana obrigada a usar a burca!!! Outra coisa, quando a Russia invadiu o afeganistão, destruiu tudo , cortou as arvores, matou os homens de bem, e o abandonou o país... Com a ausência da Russia surgiu o Taliban."), para ilustrar o meu pensamento sobre todas essas discussões de qual é o governo do eixo do "bem"e do "mal". Então vamos começar pelas correções do trecho do seu comentário.
1. realmente as mulheres do "mundo islâmico" tem muito a conquistar em relação a direitos e liberdade. isso é fruto da grande fé que esse povo tem, pois a maioria segue os ensinamentos do seu livro sagrado ao pé da letra, e nele a pouco "espaço" para as mulheres. Se os "ocidentais" também seguissem ao pé da letra os ensinamentos da Bíblia, aqui não seria diferente e na verdade ainda não deixou de ser diferente por completo (portanto ou é falta de fé nossa ou a Biblia e o livro sagrados deles estao errados). Mas voltando ao Irã, seu erro foi afirmar que lá elas são obrigadas a usar burca. Elas não são obrigadas, normalmente usam apenas um lenço sobre a cabeça e não por obrigação de lei governamental nenhuma, mas sim por costume.
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Alexandre de Jesus Barreto (2) 15/12/2009 19h09
Alexandre de Jesus Barreto (2) 15/12/2009 19h09
Parte 2
2. Sobre seu comentário da guerra da Russia contra o Afeganistão, recomendo que veja o filme "Jogos do Poder" original "Charlie Wilson's War" de 2007, ele explica bem melhor o surgimento do Taleban. O Taleban surgiu depois que os EUA atraves da CIA treinou e armou os Mujahideen (que depois formaram o Taleban) para enfrentar os Russos, enchendo o Afeganistão de armas. E quando os russos foram embora nem a Russia nem os EUA ou qualquer outro os ajudou a recontruir seu pais devastado. Um pais com maioria jovem sem educação, saude ou qualquer infra estrutura e com montes de armas, só podia dar no que deu. E tudo isso pela guerra fria, o eixo do "bem" (captalistas) contra o eixo do "mal" (comunistas). E nesse ponto voçê vai entender a minha opinião. Não existe eixo do "bem" ou eixo do "mal", o que existe são pessoas poderosas que apenas defendem seus interesses e usam ideologias politicas, economicas, religiosas e nacionalistas para conseguir o que querem.
Só uma observação: O EUA é o pais dos sonhos, dos direitos, da liberdade, da fartura, só porque eles foram mais inteligentes e rapidos para perceber que se exportassem a sua pobreza para outros paises ficava mais facil controlar o seu povo e assim ter mais poder. Então se o Brasil quer ser que nem o EUA, temos que começar a pensar pra onde vamos exportar nossa pobreza, isso se sua consciencia nao se importar.
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