Secretário-geral da ONU vai ao Oriente Médio pressionar por cessar-fogo
da Folha Online
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou nesta segunda-feira que irá ao Oriente Médio para pressionar Israel e Hamas por um cessar-fogo e para permitir o envio de ajuda humanitária a Gaza.
Expressando frustração e angústia com o rechaço de ambos os lados em aderir a um cessar-fogo exigido pelo Conselho de Segurança da ONU, Ban afirmou que planeja aumentar os esforços diplomáticos para encerrar a ofensiva de Israel sobre a faixa de Gaza e acabar com o lançamento de foguetes do Hamas contra Israel.
"Aos dois lados, eu digo: simplesmente parem, agora", afirmou o secretário-geral em coletiva de imprensa. "Muitas pessoas morreram. Houve muito sofrimento civil", acrescentou. "Muitas pessoas, israelenses e palestinos, vivem temendo por suas vidas diariamente."
Desde que Israel lançou sua ofensiva em 27 de dezembro, Ban disse estar constantemente ao telefone com as principais autoridades do Oriente Médio, Europa e Estados Unidos, em busca do cessar-fogo. Porém, ele afirmou que telefonemas não substituem conversas pessoais com líderes que têm poder de influencia sobre as partes em conflito.
Agenda
O sul-coreano irá visitar o Egito e a Jordânia na quarta-feira, seguindo então a Israel, Cisjordânia, Turquia, Líbano, Síria e Kuait. Seu itinerário não inclui Gaza devido ao atual conflito.
"Meu objetivo é aumentar os esforços diplomáticos conjuntos e garantir que a assistência humanitária de urgência chegue a quem precisa", declarou.
Ban disse que tentará visitar todos os países que "podem fazer uma diferença". Ele afirmou que discutirá a questão com o ditador do Egito, Hosni Mubarak, que tem realizado conversas particulares com os israelenses e com o Hamas. O sul-coreano disse ainda que irá pressionar os líderes de Israel e os presidentes da Turquia e da Síria, que tem influência sobre o Hamas.
"Mais que tudo", disse o secretário-geral, "quero demonstrar minha profunda preocupação e empatia com os inocentes nessas terríveis circunstâncias, em Israel e no território ocupado [Gaza]".
Ele afirmou que mais de 900 palestinos morreram, cerca de 4.000 ficaram feridos "e, em Gaza, a própria fundação da sociedade está sendo destruída --as casas das pessoas, a infraestrutura cívica, instalações de saúde, escolas (...) eles não têm onde se esconder, para onde correr."
Hamas
Segundo o sul-coreano, a ONU mantém relações diplomáticas com a Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderada por Mahmoud Abbas, com quem se reunirá na Cisjordânia, mas a ONU têm apenas contato técnico com representantes do Hamas em Gaza, especialmente em questões humanitárias.
"Insto novamente aos militantes do Hamas --eles devem parar, devem olhar para o futuro do povo palestino", afirmou.
O Conselho de Segurança adotou na quinta-feira (8), por 14 votos a zero --com a abstenção dos EUA--, uma resolução que "enfatiza a urgência de um cessar-fogo imediato, durável e totalmente respeitado, que leve a uma total retirada das forças israelenses de Gaza.
"Em nome da humanidade e da lei internacional, essa resolução deve ser respeitada", afirmou. O secretário-geral volta a Nova York, sede da ONU, no dia 20, quando Barack Obama toma posse da Presidência dos EUA.
Com Associated Press
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