Mundo
13/01/2009 - 17h26

Corrupção é causa de epidemia de cólera no Zimbábue, diz ONG

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colaboração para a Folha Online

Um grupo internacional de médicos disse nesta terça-feira que a corrupção está matando os zimbabuanos e que o ditador Robert Mugabe deveria ser investigado pelo Tribunal Penal Internacional por possíveis crimes contra a humanidade.

O grupo Médicos pelos Direitos Humanos, com sede nos EUA, disse que a ONU deveria assumir o sistema de saúde do Zimbábue, incluindo seu sistema de água, em colapso, para diminuir o número de mortes desnecessárias por doenças facilmente curáveis, como a cólera.

Para o médico zimbabuano David Sanders, que faz parte do grupo e atualmente também dirige o departamento de saúde pública da Universidade da África do Sul, o surto da doença é uma consequência de o governo ter assumido o controle do sistema de abastecimento de água, que era antes uma responsabilidade de associações locais.

AP
Paciente com cólera recebe tratamento em uma clínica na cidade de Harare, no Zimbábue
Paciente com cólera recebe tratamento em uma clínica na cidade de Harare, no Zimbábue

As conclusões e recomendações de uma equipe investigativa, que visitou o Zimbábue por sete dias em dezembro de 2008, foram publicadas em um relatório de emergência chamado "Saúde em ruínas: um desastre causado pelo homem no Zimbábue", divulgado nesta terça-feira. O relatório foi publicado na ONU pela ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson, de acordo com o presidente da organização de médicos, Frank Donaghue.

Números

A Organização Mundial de Saúde da ONU (OMS) disse nesta terça-feira que o número de mortes por cólera no Zimbábue, desde que o surto começou, em agosto de 2008, é de 1.937. O total de pessoas infectadas relatado é 38.334, e a taxa de mortalidade de 5.1% está bem acima da taxa de 1% que é normal em grandes surtos. Segundo a OMS, 89% dos 62 distritos do país estão sendo afetados.

A cólera já se espalhou pelos países vizinhos ao Zimbábue, com pelo menos 13 mortes e 1.419 casos na África do Sul, segundo a agência de notícia Reuters. Botsuana, Moçambique e Zâmbia também relataram casos da doenças.

Crimes contra a humanidade

O relatório traz mais força às crescentes evidências de que o governo de Mugabe "pode ser culpado de crimes contra a humanidade", disse Donaghue. O líder octogenário está no poder desde 1980, quando o controle da minoria branca acabou na ex-colônia britânica.

O porta-voz do governo do Zimbabue, George Charamba, se recusou a comentar as acusações do que ele chamou de "uma organização estúpida, criada no Ocidente". Mugabe culpa as sanções internacionais pelo colapso de seu país. Não houve comentários imediatos da OMS sobre o relatório.

O Zimbábue sofre uma crise humanitária e colapso econômico enquanto Mugabe e a oposição discutem a divisão do poder após disputadas eleições presidenciais.

O relatório também cita grupos de direitos humanos que documentaram mais de 200 assassinatos e milhares de casos de tortura de oponentes políticos cometidos pelo exército, polícia, agentes da inteligência e milícias do partido de Mugabe.

Como exemplo de que a corrupção está matando no Zimbábue, Sanders disse que os investigadores do grupo receberam relatórios corroborando que os oficiais de Mugabe desviaram US$ 7,3 milhões dos US$ 11 milhões recebidos do Fundo Global para a Aids, que foram devolvidos apenas em novembro de 2008, em meio à indignação internacional.

Segundo a ONU, metade população corre risco iminente de passar fome. Segundo Sanders, o governo Mugabe manipula a ajuda internacional, usando-a como arma política, negando-a a "pessoas que não apoiam Mugabe e seu partido".

Com agências internacionais

 

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