Mundo
13/01/2009 - 22h32

Hillary promete política externa com mais diplomacia e menos força

Publicidade

TERESA BOUZA
da Efe, em Washington

Hillary Clinton prometeu nesta terça-feira, durante sua audiência de confirmação como próxima secretária de Estado, que os Estados Unidos inaugurarão um novo curso em política externa guiado pela diplomacia e pelo pragmatismo, e no qual o país usará a força só como "último recurso".

"A política externa deve ter como base a união dos princípios e do pragmatismo, não uma rígida ideologia", disse Hillary à Comissão de Relações Exteriores do Senado.

As declarações foram interpretadas como uma crítica à administração do atual líder da Casa Branca, George W. Bush, a quem tanto ela quanto o presidente eleito, Barack Obama, acusaram de dar pouco valor à diplomacia internacional.

A ex-primeira-dama insistiu na necessidade de construir um mundo com "mais aliados e menos adversários", e expressou seu interesse em colaborar com a Rússia e a China e sua intenção de estender a mão a velhos parceiros, como Europa, Índia, Japão e Coreia do Sul.

Hillary destacou que os EUA não podem resolver sozinhos os problemas mais graves do planeta, mas insistiu em que "o resto do mundo também não pode resolvê-los" sem o país.

Com Obama na Casa Branca, os Estados Unidos iniciarão o que a futura secretária de Estado descreveu hoje como um "poder inteligente".

"Poder inteligente"

"Devemos usar o que se chamou de poder inteligente, a ampla gama de ferramentas à nossa disposição: diplomáticas, econômicas, militares, políticas, legais e culturais", destacou.

Ela acrescentou que esse poder inteligente permitirá que a diplomacia esteja "à frente" da política externa.

Segundo Hillary, a força militar será "necessária em algumas ocasiões", e assegurou que os EUA recorrerão a esse instrumento para proteger os interesses do país e os da população americana só como "último recurso".

A ex-primeira-dama também falou sobre a lista de desafios com os quais precisará lidar.

Um dos desafios podia ser lembrado na sala onde aconteceu a audiência, na qual vários membros do público carregavam pequenos cartazes rosas pedindo o "fim dos massacres em Gaza" e o cessar-fogo na região.

Os ativistas quebraram o silêncio durante a pausa que ocorreu no meio da manhã para perguntar: "O que acontece com Gaza? Você não disse nada sobre os 900 mortos em Gaza".

Hillary afirmou em seu comparecimento que os Estados Unidos farão "de tudo" para conseguir uma paz "justa e duradoura" entre israelenses e palestinos.

Oriente Médio

Além disso, ela ressaltou que a estratégia do país no Oriente Médio deve responder às necessidades de segurança de Israel e às "legítimas aspirações econômicas e políticas dos palestinos".

A senadora reiterou também a intenção do próximo governo de acabar "de forma responsável" com o conflito no Iraque, e a de implementar uma nova estratégia no Afeganistão e no Paquistão voltada a erradicar o grupo terrorista Al Qaeda.

Hillary adiantou ainda que os Estados Unidos buscarão uma "nova" estratégia no Irã, que poderia incluir a presença diplomática no país, enquanto pediu a Teerã para colocar fim a seu programa de armas nucleares e a seu "patrocínio terrorista".

A ex-primeira-dama destacou ainda que os EUA voltarão a apostar em "uma enérgica colaboração com a América Latina".

Espera-se que a Comissão de Assuntos Exteriores confirme Hillary na votação prevista para os próximos dias, o que abriria caminho para que o plenário do Senado a aprove até o final do mês.

Filantropia

Usando um tailleur marrom e um colar de contas, a senadora foi bem recebida por seus colegas no Senado ao chegar à audiência, à qual compareceu acompanhada de sua filha Chelsea.

Isso não impediu que senadores como Richard Lugar, o republicano mais proeminente na Comissão de Assuntos Exteriores, questionassem hoje as atividades filantrópicas de Bill Clinton, um dos poucos assuntos delicados no processo de confirmação de Hillary.

"O problema é que os governos e entidades estrangeiras podem ver a Fundação Clinton como uma forma de obter favores da secretária de Estado", disse em seu depoimento Lugar, que pediu maior "transparência" da fundação.

O presidente da Comissão, o democrata John Kerry, reconheceu que ainda há perguntas pendentes sobre as atividades de arrecadação de Bill Clinton, mas insistiu em que, com Hillary como chefe da diplomacia dos Estados Unidos, o país conseguirá melhorar sua danificada imagem no mundo.

Comentários dos leitores
FABIANO TONACO BORGES (1) 08/11/2009 12h10
FABIANO TONACO BORGES (1) 08/11/2009 12h10
Presidente Obama nos dá uma lição de como um Estadista deve tratar o desenvolvimento de uma nação: com justiça social. Sem acesso à saúde garantido pelo Estado não se pode marchar rumo à consolidação de uma nação de forma sustentável. Com esta atitude o Predidente Obama abre mão de uma boa parte de sua popularidade, considerando que ele intefere num mercado (o da prestação de serviços de saúde) extremamente fisiológico, influente economicamente e com grande poder político. Os resultados virão, não tão rápido, mas as gerações porvindouras terão o que comemorar... sem opinião
avalie fechar
J. R. (1133) 08/11/2009 09h19
J. R. (1133) 08/11/2009 09h19
As mortes causadas pelas campanhas dos USA pelo mundo dá para encher milhares de torres gêmeas e wordtradecenters. Na guerra nuclear não haverá vencedores, nem mesmo o poderoso USA sobrará, é a eutanásia da humanidade doente! sem opinião
avalie fechar
Liliane Garcia (3) 06/11/2009 00h23
Liliane Garcia (3) 06/11/2009 00h23
A questão não é o fato do Obama defender o seu país e sim, dar continuidade a uma política de intervenção no país alheio, o que não é nada democrático, logo eles que "prezam" tanto pela democracia. Por qual motivo? Eu também lamento o atentado ocorrido no 11 de setembro, porém, acredito que isso não justifica a invasão estadunidense. Assim como no World Trade Center, no Afeganistão havia e ainda há muitos civis inocentes, sendo eles também vítimas das atrocidades cometidas por ambas as partes. O atentado terrorista provavelmente ainda servirá por muito tempo para justificar uma invasão que não tem justificativa para aqueles que se tornaram vítimas do horror da guerra. 5 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (1522)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca